Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Dirceu Dresch

2ª Sessão Ordinária - 05/02/2015

O SR. DEPUTADO DIRCEU DRESCH - Saudações sr. presidente e a todos que nos acompanham.

O país e nós acompanhamos, há cerca de um ano, a partir de uma operação policial contra a evasão de divisas, evidências pelas quais são investigadas pessoas que participam da gestão da Petrobras e de empresas fornecedoras.

(Passa a ler.)

"A ação institucional contra a corrupção tem firme apoio da sociedade na expectativa de esclarecimento cabal dos fatos e a rigorosa punição dos culpados."

Aqui estou falando da operação batizada pela Polícia Federal de "Lava-Jato". E acompanhei durante esse recesso parlamentar, diariamente, pela imprensa brasileira e catarinense, todo esse desenrolar dos fatos ocorridos em tantas outras empresas e também na Petrobras.

Quero trazer esse debate para esta tribuna pela grande preocupação que temos, como deputado e brasileiro, mas também como membro do PT, com a corrupção no Brasil.

O governo do presidente Lula e da Dilma Rousseff fez uma parte importante nesse nosso país, de preparar as nossas instituições, como dar liberdade, criar legislação, cinco a seis leis importantes, para o Ministério Público, fortalecer a Polícia Federal, contratar através de concursos novos policiais para avançarmos no combate desse mal que atinge o nosso Brasil por muitos e muitos anos.

Alguns, hoje, vêm posar de bons mocinhos e de boas mocinhas dizendo que o PT inventou a corrupção no Brasil, isso precisa ser dito com muita clareza. Inclusive acompanhei a entrevista de um empresário na Folha de S.Paulo, de 21/11/2014, sr. Ricardo Semler, dono da empresa Semco Partners, um grande empresário brasileiro. E ele fez um depoimento voltando ao tempo dos anos 70, 80, quando a empresa dele várias vezes queria participar dos processos de licitação da Petrobras e nunca conseguiu por causa do pagamento de propinas que já existia naquela empresa.

Outros dados importantes sobre a corrupção no mundo, onde instituições e entidades que acompanham em diversos países o processo da corrupção, deixam claro o que estou falando aqui, de que no Brasil já tínhamos, em outros momentos, o desvio de 3.1%, deputado Valduga, do PIB, através da corrupção. Já chegamos a momentos de 5% do PIB em corrupção.

Felizmente o Brasil tem avançado na sua apuração. E hoje chegamos a 0.8%, infelizmente, ainda. E temos aí essa grande função, deputada Ana Paula Lima. Inclusive, participei, ontem, da reunião da bancada do PT, em Brasília, e quero destacar que o partido está reunido com o seu diretório, neste final de semana, comemorando os seus 35 anos.

O PT, desde a sua fundação, vem atuando muito firme na perspectiva do combate esse mal que é a corrupção em nosso país. E não admitimos que os ditos paladinos da moralidade, que roubaram muito, como diz o empresário que citei há pouco, que levaram um trilhão de dólares em divisas, de roubalheira, que levaram para fora do Brasil inclusive antes do governo do PT...

Nunca alguém foi para a cadeia. Se foi, ficou alguns dias.

Agora, mais uma vez assistimos no Brasil à mídia brasileira, ao Judiciário brasileiro, fazendo questão de falar do PT.

A Petrobras é composta por vários e vários partidos. O ministério das Minas e Energia é bom citar aqui que foi indicado pelo PMDB, em um mandato passado, em vários mandatos, e, pela informação, continua.

Então, queremos justamente com isso dizer que o PT vai continuar muito firme. E o ex-presidente Lula dizia que se precisar cortar na própria carne, precisa cortar. Ou nós combatemos a corrupção nesse país ou o povo continua tendo dificuldades de acesso às políticas públicas, porque uma parte dos recursos públicos de todos os lados acaba indo para a corrupção. Ou seja, pela falta de pagamento dos impostos já lá no supermercado, em qualquer lugar, ou seja, também depois que ele chega à prefeitura, quando ele chega ao governo do estado, quando ele chega ao governo federal, muitas vezes é desviado.

Por isso, queremos continuar a nossa luta, o nosso trabalho incansável. Precisa ser apurada a corrupção, sim, mas tem muita gente interessada em destruir essa importante empresa brasileira que cresceu, sim, nos últimos anos, lá na sua fundação, diz a presidente Dilma Rousseff. E já diziam que o Brasil não tinha petróleo. Depois diziam que não tinha pré-sal, depois quando tinha o pré-sal iriam tomar conta e continuam querendo tomar conta do patrimônio natural que este país tem, que é o nosso petróleo. E tem muito ainda para identificar.

Por isso, a Petrobras precisa continuar pública, precisa continuar cumprindo com a sua função.

Felizmente a maior empresa de petróleo do mundo é brasileira. E infelizmente setores já queriam vendê-la, principalmente quem mais bate hoje, quem mais critica. Pelo PSDB ela não seria mais empresa do Brasil, ela já seria empresa multinacional.

É isso talvez que eles queiram. Então, precisamos, sim, separarmos, apurarmos, sim, a corrupção, com dureza, com firmeza, transparência, citando todos, porque muita gente que hoje está escondida recebeu inclusive recursos dos caixas 2 de campanha, durante as últimas décadas.

Agora, não podemos jogar fora o nosso patrimônio, que é a nossa empresa. Aí é que há o grande equívoco, jogar fora um patrimônio que é a Petrobras que hoje emprega diretamente 86 mil trabalhadores e indiretamente, nas obras que a Petrobras faz, são mais de um milhão de trabalhadores.

Portanto, temos que ter muito cuidado com isso. Se formos a fundo, talvez as nossas empresas brasileiras não possam mais construir as nossas obras, talvez seja interesse de alguns para trazerem as empresas multinacionais aqui para dentro. Mas precisamos tratar com muita seriedade esse tema da Petrobras que é uma grande empresa que orgulha o povo brasileiro, os trabalhadores.

(Discurso interrompido por término do horário regimental.)

(SEM REVISÃO DO ORADOR)