17ª Sessão Ordinária - 17/03/2015
O SR. DEPUTADO DARCI DE MATOS - Sr. presidente, srs. deputados, desejo também, neste momento, fazer menção ao ato do governador Raimundo Colombo no dia de ontem, quando assinou a autorização para as obras no valor de R$ 103 milhões, que vão beneficiar os portos de Itajaí e de Navegantes. Sem dúvida alguma, a estrutura portuária, aliada às condições de infraestrutura geral, como ferrovias, rodovias, tecnologia e educação, é o pilar básico para que o nosso país possa tornar-se competitivo no mercado internacional.
Sr. presidente, eu também desejo, neste momento, fazer menção ao trágico e catastrófico acidente que aconteceu na serra Dona Francisca. Eu passo por lá semanalmente, porque atendo o planalto e tenho uma propriedade no município de Campo Alegre. Nós sabemos que perdemos por ano no Brasil aproximadamente 40 mil vidas. Isso é um absurdo e caracteriza-se como um verdadeiro genocídio. O Brasil é o país no qual o trânsito mata mais pessoas. A minha família foi vítima desse tipo de tragédia, porque eu perdi dois irmãos em acidentes de trânsito.
Dito isso, quero juntar-me à população de Porto União e de União da Vitória, sobretudo aos familiares das 51 pessoas que perderam suas vidas neste trágico acidente na serra Dona Francisca, nesse momento de luto e de pesar.
Ora, esse não é o momento buscarmos culpados, mas é o momento de buscarmos alternativas para efetivamente evitar que aconteçam outros acidentes dessa natureza em nosso estado e no Brasil. Mas temos que estar atentos a alguns aspectos como a melhoria das rodovias, a condução prudente dos nossos motoristas e as boas condições dos veículos, sobretudo os ônibus. Isso é fundamental. E também a questão da lotação adequada, porque sabemos que aquele ônibus estava com uma superlotação.
Então quero, neste momento, com muita sinceridade e prazer, enaltecer o trabalho dedicado, inteligente e corajoso de muitas instituições, de muitas pessoas da cidade e da região de Joinville. O IGP, o Corpo de Bombeiros Voluntários, as diretoras de escolas, a secretária Simone Schramm com sua equipe, a Polícia Civil, a Polícia Militar, o Graer, enfim, todas as instituições que empreenderam uma verdadeira cruzada para atender as vítimas e os familiares das vítimas atingidos nessa grande catástrofe de repercussão nacional e internacional.
Então, lamentamos profundamente o trágico acidente acontecido na serra Dona Francisca, no sábado.
Não poderia deixar de fazer menção às manifestações livres e democráticas que aconteceram no domingo no Brasil. Nós verificamos que milhares de pessoas foram para as ruas, pessoas sem vínculo partidário ou político, jovens, crianças, trabalhadores, profissionais liberais e empresários, clamando por uma nova postura da classe política, pedindo mudanças, posicionando-se contra a corrupção galopante no país, que é absurda. E não estou me dirigindo ao partido "a" ou "b". A corrupção está impregnada no poder público no Brasil há muitas décadas, mas efetivamente o que aconteceu nos últimos anos e meses tem assustado os brasileiros.
Em Joinville reuniram-se aproximadamente 20 mil pessoas no centro da cidade. Não sabemos quem são os líderes, quem organiza isso, ou seja, é a população brasileira indo às ruas democraticamente pedir que o poder público dê respostas para a população, que a classe política tenha uma nova ética. Ficou o recado de que precisamos urgentemente fazer as reformas necessários no poder público, que é oneroso, lento, arcaico, burocrático.
Faço essa crítica independentemente de partido político, porque o nosso partido já esteve no poder e não fez as reformas devidas. Faço um mea culpa. Precisamos olhar para frente e buscar uma alternativa que dê um alento à população. O país está com a economia arruinada.
A revista Veja traz uma matéria na qual mostra índices de crescimento que nos envergonham. Dez anos atrás éramos um país emergente e hoje passamos a ser chacota no mundo inteiro, lamentavelmente. Portanto, espero que possamos com todos os partidos, com a presidente Dilma Rousseff, juntar forças e fazer a reforma da Previdência, a reforma tributária e, sobretudo, a reforma do pacto federativo, para evitar que paguemos tantos impostos e 70% daquilo que arrecadamos fique em Brasília. Também não aguentamos mais eleições de dois em dois anos e achamos injusta a reeleição.
Concluindo, essas manifestações deixaram um recado e tenho certeza de que os Parlamentos estaduais e, sobretudo, o Congresso Nacional haverão de agilizar os pleitos da população brasileira e as respostas que pelas quais clamamos há muitos anos.
O Sr. Deputado Dalmo Claro de Oliveira - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO DARCI DE MATOS - Pois não!
O Sr. Deputado Dalmo Claro de Oliveira - Deputado Darci de Matos, na verdade quero corroborar com sua fala, especificamente no aspecto do pacto federativo, pois não dá mais para imaginarmos que a saúde, a educação e grande parte da segurança ainda sejam administradas e financiadas quase que exclusivamente pelo governo federal. Se houvesse uma redistribuição dos recursos, passando a responsabilidade da saúde e da educação aos municípios e aos estados, com certeza teríamos uma atenção mais adequada à realidade de cada cidade, de cada região e de cada estado.
O SR. DEPUTADO DARCI DE MATOS - Muito obrigado, deputado Dalmo Claro de Oliveira.
Era o que tínhamos no momento, sr. presidente.
(SEM REVISÃO DO ORADOR)