80ª Sessão Ordinária - 27/10/2004
O SR. DEPUTADO CÉZAR CIM - Sr. Presidente, componentes da Mesa, Sras. Deputadas Ana Paula Lima e Odete de Jesus, Srs. Deputados, a recíproca é verdadeira, não é Sr. Presidente? V.Exa., também, como escrivão, na querida Curitibanos, que tanto honrou aquela terra. E eu tive o prazer de ser recebido por V.Exa. quando assumi na condição de Promotor de Justiça substituto na nossa querida Curitibanos.
Nunca esqueço desse episódio, do carinho com que V.Exa. me recebeu. Hoje é o nosso dia. Além de Procurador de Justiça inativo, também gozo desse privilégio como professor de Direito do Consumidor, na nossa querida Universidade de Blumenau, a Furb, nas faculdades de direito, na faculdade de moda. Sou professor também no centro de ensino superior de Blumenau, na faculdade de direito.
Quero aproveitar a oportunidade para cumprimentar, em primeiro lugar, os funcionários da nossa Casa, que têm se desincumbido do seu mister, do seu múnus com tanta dedicação, com tanta eficiência, pois eles nos ajudam a continuar a ter orgulho da nossa Casa Legislativa.
Cumprimento todos os demais funcionários públicos do Estado de Santa Catarina, que dão força, que dão movimento a toda a nossa máquina administrativa e que são um orgulho para nós, funcionários públicos.
A Sra. Deputada Odete de Jesus - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO CÉZAR CIM - Pois não!
A Sra. Deputada Odete de Jesus - Sr. Deputado Cézar Cim, falando sobre o funcionário público, quero também parabenizar V.Exa., que também foi professor desses alunos que hoje estão aqui, da faculdade de Lages, e que prestigiam a nossa Casa. E quero registrar a presença desses nossos valorosos alunos que estão aqui prestigiando este maravilhoso pronunciamento de V.Exa.
O SR. DEPUTADO CÉZAR CIM - Que emoção, Deputada Odete de Jesus. Gostaria de cumprimentar os nossos irmãos lageanos e dizer que para nós é um orgulho recebê-los. Sintam-se em casa. Parabéns e obrigado pela visita.
Srs. Deputados, longe da pretensão de querer justificar, mas apenas com o objetivo de querer explicar, de dar uma satisfação a V.Exa. que preside esta Casa, a todas as Sras. Deputadas e aos nossos queridos Deputados.
Ontem, eu estava inscrito para ocupar a tribuna, mas como recebi visitas de várias comitivas do interior não foi possível me fazer presente em Plenário no momento em que fui chamado. Acho que é uma falta de respeito com os Colegas, uma falta de respeito com o povo catarinense, mas, evidentemente, não poderia pedir para que as pessoas que vieram do interior retornassem às suas comunidades sem que pudessem colocar em dia os assuntos que vieram para resolver.
Então, não quero justificar, Deputado Antônio Carlos Vieira, mas explicar e dar uma satisfação do porquê que ontem não ocupei o meu horário nesta tribuna.
Dito isso, quero dizer que quando o ser humano nasce ele começa, Deputada Odete de Jesus, a caminhar para a morte. Nós não temos alternativa, este é o nosso caminho. Nós nascemos e começamos a nossa caminhada para a morte. E a morte é a grande certeza da vida e só se morre porque se tem vida, Deputado Lício Silveira.
Quer dizer, a morte é um privilégio de quem tem vida. Existem casos em que os poetas definiram os sentimentos do ser humano, o amor, a paixão. Mas o poeta jamais conseguiu definir a dor da morte. E esse mesmo poeta que não conseguiu definir a dor da morte, o que é a morte, ele tem dito que só o dono da dor sabe o tamanho dessa dor, pela experiência, pela vivência, e ela vem de determinadas formas.
Sr. Presidente, Sra. Deputada e Srs. Deputados, no próximo dia 02 vamos reverenciar aquelas pessoas que já se foram, as crianças, os adultos, os idosos, as mulheres, os heróis, as pessoas simples, os indigentes. E não há ser humano que não tenha um motivo para lembrança neste dia, para sonhar e para sentir a saudade no Dia de Finados daqueles que já se foram.
A dor da morte, como disse, varia dependendo da sensibilidade de quem fica como da condição afetiva que o ligava a quem foi e, principalmente, da foram como essa morte vem. E eu que o diga, que perdi uma filha num acidente com apenas 21 anos de idade; é como se você perdesse uma perna, um braço.
A vida continua e você tem que se adaptar a esta nova realidade, a vida continua ainda que sem um braço e ainda que sem uma perna.
Mas, Sr. Presidente, Srs. Deputados e Sras. Deputadas, eu hoje não queria falar da morte como ela é, mas queria aproveitar a oportunidade de um assunto que é muito mais dolorido e muito mais sacrificante, que é muito mais sentido do que a própria morte, Sr. Presidente, que é a questão das crianças desaparecidas.
Em Santa Catarina, estamos com 31 casos de crianças desaparecidas.
Então, nós, no dia 02 de novembro, vamos ter a oportunidade de reverenciar aquelas pessoas que já se foram e que têm um campo santo para acolhê-las, que têm um túmulo para acolhê-las, e que nós temos um lugar para homenageá-las.Agora, fico imaginando, dentro desse contexto da dor, da saudade relativa daquelas pessoas que já se foram, para que possamos pelo menos mensurar, pelo menos imaginar e pelo menos tentar sentir a dor de um pai e de uma mãe que têm um filho desaparecido.
Às vezes a vida é injusta, a vida é ingrata e às vezes, como diz o caboclo migrante, nós temos que agradecer a desgraça pouca. Como diria o lageano, meu caro Presidente, temos que agradecer a desgraça pouca.
Imaginem só, Srs. Deputados, os catarinenses que estão nos vendo, o desespero, a dor que não deve ser, o tamanho que é a dor de um pai de uma mãe que têm um filho, uma criança desaparecida.
E é por isso que na data em que esteve aqui presente o nosso querido Secretário Ronaldo Benedet, eu fiz questão de solicitar a ele todo empenho, além daquele que está sendo desempenhado, no sentido de que possamos dar um pouco de consolo aos pais que têm filhos desaparecidos.
Que Deus nos livre dessa tristeza, que Deus abençoe esses pais que têm passado por esse desespero e por essa dor.
Tenho dito que a dor da morte, por mais sacrificante, por mais dolorida que possa ser, ainda nos dá um consolo de termos onde referenciar aquelas pessoas que foram. Agora, um pai que não sabe o destino de um filho, de uma criança, de um inocente, realmente merece, no dia de hoje, as considerações, o carinho e o amor da nossa Casa Legislativa, no sentido de pedir a Deus que abençoe as nossas autoridades para que esses casos possam ser solucionados.
Pedimos também que abençoe essas pessoas para que elas não percam a esperança na vida, para que possam superar a sua dor e servir de exemplo para todas aquelas pessoas que já passaram por essa dor.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)