Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Afrânio Boppré

15ª Sessão Ordinária - 28/03/2006

O SR. DEPUTADO AFRÂNIO BOPPRÉ - Sr. presidente, sras. deputadas e srs. deputados, nesta tarde, dia 28 de março, quero fazer referência a um episódio que considero de grande relevância, ou seja, a renúncia, no dia ontem, do ministro da Fazenda Antônio Palocci.

Nós assistimos, na semana passada, à senadora Ideli Salvatti, líder do governo no Senado Federal, dizer, com muita contundência, que quem nomeava ministro no Brasil era o presidente da República. A senadora Ideli Salvatti, com a soberba do poder, com a blindagem de cristal lá de Brasília, desaprendeu o significado da voz do povo, desaprendeu o significado da opinião pública e, o que é mais grave, desaprendeu o significado daquilo que é a maneira simples, o jeito modesto de ser de um trabalhador humilde como o Francenildo, um simples caseiro que foi chamado, como cidadão brasileiro, para dizer o que sabia. Recorreram a um outro poder para não deixá-lo falar porque, segundo a senadora (e eu ouvi isso pela televisão), isso iria colocar a público a vida íntima do ministro. Então, mandaram-no calar a boca: "Não pode falar, retira."

Mas a soberba do poder, os métodos que, no passado, foram condenadas por usar as outras forças políticas conservadoras, mas já instalados nas poltronas do poder, resolveu quebrar o sigilo bancário desse cidadão e vejam o que aconteceu: caiu o presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Mattoso, um homem da confiança absoluta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e caiu aquele que parecia o intocável, o ministro da Fazenda Antônio Palocci.

Eu só lamento que a substituição do ministro Palocci seja por essa razão, deputado Altair Guidi, porque há muito os movimentos sociais e o próprio setor mais à esquerda do Partido dos Trabalhadores vêm reivindicando a mudança da política econômica. Nós já assistimos a deputados federais do próprio PT falando em "fora Palocci", mas em nome da mudança na política econômica.

O que infelizmente aconteceu foi que o ministro renunciou - mas o novo ministro já assegurou que nada vai mudar em termos de política econômica, o que é lamentável - na verdade saiu da cena política derrubado pelas palavras de um caseiro.

Então, queremos aqui fazer esse registro e também lamentar, deputado Lício Silveira, que no dia de hoje a comissão de Constituição e Justiça tenha decidido pelo arquivamento do nosso requerimento pedindo a abertura da CPI do chamado Fundo Social. Estou aguardando que o presidente desta Casa faça a comunicação em sessão, e já antecipo que pedirei a colaboração dos deputados que subscreveram o pedido de abertura da CPI para fazerem um recurso aqui em plenário, porque tenho absoluta certeza de que o Plenário da Assembléia Legislativa vai discutir o tema da CPI do Fundo Social com maior profundidade do que nós conseguimos fazer, hoje pela manhã, na reunião ordinária da comissão de Constituição e Justiça.

A Sra. Deputada Ana Paula Lima - V.Exa. nos concede um aparte?

O SR. DEPUTADO AFRÂNIO BOPPRÉ - Pois não!

A Sra. Deputada Ana Paula Lima - Nobre deputado, sobre estes dois assuntos que v.exa. está comentando, quero dizer da diferença do governo do presidente Lula com o governo do estado de Santa Catarina. Pelo menos o presidente Lula nunca interrompeu nenhum processo de CPI, tanto é que estão ocorrendo diversas CPIs. Está sendo investigado tudo e até agora não foi provado nada.

Gostaria também de dizer que na política, deputado Afrânio Boppré, a pior coisa que há é o fogo amigo. O ministro Palocci saiu porque queria o bem do Brasil. Deixou a economia estável e o país seguro, baixou o dólar, a inflação e, inclusive, aumentou o salário mínimo. Foi por essas coisas que o ministro Palocci fez bem o seu papel na economia, no ministério da Fazenda do nosso Brasil.

Tenho certeza de que o ministro Guido Mantega irá dar continuidade às propostas e aos investimentos do governo do presidente Lula. Mas na política nós temos que afastar os fogos amigos! Eles atrapalham o bom andamento da política!

Muito obrigada!

O SR. DEPUTADO AFRÂNIO BOPPRÉ - Deputada Ana Paula Lima, quero dizer que o meu juízo sobre a política econômica do governo Lula é completamente diferente. Primeiro, se fôssemos discutir aqui somente o salário mínimo... O salário mínimo, para atender o compromisso de campanha do presidente Lula, deveria estar sendo assinado, este mês, em R$ 570,00. Portanto, vão faltar na mesa do trabalhador brasileiro R$ 210,00 todo mês, por falta de se honrar a palavra, o compromisso de campanha do presidente Lula. Quem dera se fôssemos falar aqui dos pagamentos antecipados ao Fundo Monetário Internacional de bilhões de dólares, como foram feitos, e da política de juros.

Fala-se que o dólar baixou como se isso fosse motivo de comemoração. Mas, na verdade, o que está acontecendo é que a balança comercial brasileira está sofrendo um profundo baque. Estão caindo as importações e os banqueiros internacionais e o capital financeiro é que estão sendo favorecidos, neste governo, com a política econômica. Os bancos nunca lucraram tanto! Estão comemorando o aumento de 80% na lucratividade, como foi o caso, por exemplo, do Bradesco.

Então, não sei de onde a deputada Ana Paula Lima tirou que o ministro caiu porque ele queria o bem do Brasil. Não! Ele não caiu porque queria o bem do Brasil. Ele caiu porque mentiu, porque não tinha mais moral, não tinha mais estrutura política para se sustentar no cargo! Foi a palavra de um caseiro que derrubou o ministro. Tanto é que a política econômica a ser seguida vai ser a mesma. Portanto, é esta questão que nós temos que discutir.

Mas eu gostaria de comemorar, com muita alegria, com muita satisfação, o lançamento, no dia de ontem, na cidade do Rio de Janeiro, da pré-candidatura da companheira senadora Heloísa Helena, que vai disputar, nesta eleição de 2006, à presidência da República, exatamente para desmistificar essa bipolarização conservadora; essa política do governo Lula, do PT, que está em perfeita sintonia com o PSDB e com o PFL. Não foi à toa que ontem da tribuna o PSDB e o PFL elogiaram a política do ministro Palocci, em que pese façam críticas à sua conduta enquanto indivíduo.

Gostaria aqui, na verdade, de comemorar o lançamento da candidatura da nossa companheira Heloísa Helena, no dia de ontem, nossa pré-candidata à presidência da República, a qual irá fazer em todo o país o debate que nós precisamos fazer sobre os rumos da economia brasileira e da nossa sociedade.

Era isto, sr. presidente.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)