Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Antônio Carlos Vieira

76ª Sessão Ordinária - 05/09/2006

O SR. DEPUTADO ANTÔNIO CARLOS VIEIRA - Sr. presidente, depois de tanto tempo sem o microfone, v.exa. acha que eu cederia para alguém?!

Mas, sr. presidente, srs. deputados, sras. deputadas, meus senhores e minhas senhoras, não posso me furtar a trazer o assunto do Aldinho. Vocês sabem da história do Aldinho? É um assessor de alto nível que este governo foi buscar no Paraná para nos dar lição de inglês e de como se opera no mercado externo. Trouxe para ele uma compra de um apartamento no Jurerê Internacional, coisa que a maioria de nós, mortais, estamos longe de imaginar e também trouxe algo perto de R$ 2 milhões, que era o saldo quando a polícia pegou. Não me venham dizer agora que, após uma coisa iniciada em 2004, esse cidadão guardou o dinheirinho debaixo do colchão até a Polícia Federal pegar. Evidentemente que esse era um saldozinho de R$ 2 milhões encontrado pela Polícia Federal.

Mas é interessante esse depoimento que o sr. Aldo Hey Neto deu para aquela comissão de sindicância do governo, que era formada pelo procurador-geral do estado, pelo secretário da Agricultura, depois da Fazenda e que agora está no Incor para ser operado, para fazer uma ponte safena. Talvez tudo isso por causa dos assuntos que encontrou na secretaria da Fazenda.

Na declaração que ele fez para o jornal disse que o deputado Antônio Carlos Vieira (este que vos fala) mais o deputado Antônio Ceron, juntamente com o dr. Nelson Madalena teriam intercedido para alguma empresa usufruir do Compex.

Eu quero deixar bem claro e de público que nem sinal de fumaça, em algum momento, eu encaminhei para o cidadão. Eu não telefonei, não passei telex, não passei telegrama e, muito menos, sinal de fumaça. Não o conheço, mas é essa a notícia que saiu no jornal.

Agora, vejam os senhores, vocês que são todos sofredores, que recebem pouco por aquele muito que fazem, e o estado sempre achando que paga muito pelo que vocês realizam para o estado: esse cidadão, que era funcionário da secretaria da Fazenda do Paraná, declarou que recebia lá R$ 7 mil e como professor mais R$ 3 mil, num total de R$ 10 mil e vem trocar pelo emprego aqui em Santa Catarina - licenciou-se sem vencimentos no Paraná -, com um vencimento de R$ 6 mil. É gostar muito de Santa Catarina! É gostar muito de Santa Catarina! Trocar dez por seis.

Mas, em questão de um ano - ele veio para cá em março de 2004 -, em março de 2005, um ano e dez dias, ele comprou um apartamento em Jurerê Internacional e foi pego pela Polícia Federal com R$ 2 milhões embaixo do colchão!

Agora, o secretário da Fazenda não sabia de nada disso, os assessores do secretário, aqueles que vieram com ele de Joinville, também não viram nenhum sinal que esse Aldinho estava colocando a mão no baleiro. Ninguém sabia que ele estava corrompendo e estava sendo corrompido por empresas que queriam entrar no Compex.

Mas a distância da sala dele, do Aldinho, da mesa do Aldinho para a sala do secretário, compadre do governador, era de cinco metros. Cinco metros, mas não sabia o que acontecia. Assinava tudo o que o sr. Aldo assinava, todo parecer do Aldo o secretário assinava e achava que estava numa boa! Tudo muito bem!

Disse ele quando pediu demissão, e eu estou falando do compadre do governador, que ficou realmente muito chateado porque o Aldo foi preso, e para que não fosse envolvido com o Aldo ele pediu demissão. Aí então disse: "Sou um homem desempregado".

Qual de vocês não gostaria de ter um desemprego tão bom quanto o compadre do governador? Ele tem um escritório de advocacia em Joinville que até 2002 faturava R$ 700 mil, em média, por ano. Hoje está faturando R$ 30 milhões por ano. Ele cresceu pouco. Então vai ser um desemprego muito rápido, porque ganhava aqui um salário de R$ 10 mil e vai voltar, talvez, a ganhar R$ 30 mil ou R$ 40 mil lá em Joinville, no seu escritório. Só que não vai ter mais a participação do Aldinho. Ele não vai ter mais a preocupação, não vai mais justificar, absolutamente, a existência do Aldinho, não é deputado Nilson Gonçalves? Ele não vai justificar mais. Mas foi ele que foi buscá-lo no Paraná! Foi ele que disse para Santa Catarina que esse era o homem que entendia de Compex, de comércio exterior.

Mas a minha preocupação, senhores, não é essa. A minha preocupação é que o secretário da Fazenda, o dr. Felipe Luz, que era secretário da Agricultura e hoje é secretário da Fazenda, adoeceu, foi acometido de um problema cardíaco. Talvez seja pelas coisas boas que ele encontrou na secretaria da Fazenda.

E aí eu quero trazer a todos os senhores alguns depoimentos que saíram no jornal. Sr. presidente, vou ler o jornal para depois não dizerem que é invenção minha, deputado Nilson Gonçalves. É um jornal de Iporã do Oeste, v.exa. conhece, dos dias 19 a 25 de maio, é do Brasil, é lá do oeste catarinense, que o deputado Pedro Baldissera conhece muito bem. Diz o seguinte:

(Passa a ler)

"Notas estaduais

Sede ao pote

Com a saída de Renato Hinning, da Secretaria de Estado da Fazenda(DIAT), empresários de algumas regiões do estado ficaram um tanto quanto receosos.

Acontece que a vaga foi ocupada por Pedro Mendes que vem mantendo um esquadrão de frente especializado em arrecadação própria. Empresários de Rio do Sul, Blumenau, São Bento do Sul e Mafra reclamam da ação ostensiva do novo titular do DIAT, que juntamente com o seu companheiro 'Chico' percorrem o estado com a xícara na mão, angariando recursos de forma irregular."

Estou lendo! Não é invenção minha!

"Pratica fortalecida

Pedro Mendes já desenvolvia esse tipo de operação ao longo dos três anos de função na pasta, mas agora, como titular do DIAT - com mais força - mostra sua sede e voracidade. Prova disso é a aquisição de imóvel numa das praias mais caras do Brasil, Jurerê, em Florianópolis,...". É outro que parece que também tem casa em Jurerê. Parece que é uma mania aqui em Florianópolis, para aqueles que são de Florianópolis, é mania, hoje, Jurerê Internacional - está tudo disponível para nós! "...mesmo que sua renda como funcionário de carreira da Secretaria dê suporte ao investimento. Este tipo de ação vem manchando a imagem do quadro de funcionários da Secretária da Fazenda em todo o estado, pois compromete a moral e a ética de uma das profissões mais visadas, até pela sua função junto à sociedade.

Preocupação

Pelas repetidas funções a integridade do governador e do Secretário da Fazenda," Que infelizmente está sendo operado. "...certamente este procedimento não é do conhecimento dos setores do governo. O governador tem punido com severidade qualquer tipo de ação que venha a atingir a moral do seu governo e, certamente comandará ação para desenvolver averiguação sobre os fatos que vêm sendo praticados pelo titular da DIAT."[sic]

Não sou eu que estou dizendo, quem está dizendo é o jornal.E aí fico um pouco mais preocupado. Todos os senhores e nós, que recebemos dos cofres públicos, eu já aposentado e os senhores na ativa, que precisam todo mês receber o salário para sustentar a sua família, devem lembrar de 1998 quando vocês ficaram sem receber três salários, além dos atrasos que vinham sendo uma constante. Vocês sabem quem era o secretário da Fazenda na época? É o que assumiu agora, em substituição ao Felipe Luz que foi para São Paulo.

Então, boa coisa não é! Quem atrasou poderá atrasar, e não venham os srs. deputados da Situação dizer que estou querendo, com a bola de cristal, inventar ou aventar uma possibilidade de atraso, não! Em 1998 ele teve a capacidade de atrasar! Por que ele está sendo levado agora novamente com o comando da secretaria da Fazenda, em face do afastamento do Felipe Luz? Para boa coisa não pode ser! Eu peço que os senhores todos abram o olho com essa gente.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)