23ª Sessão Ordinária - 29/03/2012
O SR. DEPUTADO MANOEL MOTA - Sr. presidente, sras. deputadas, srs. deputados, telespectadores da TVAL, ouvintes da Rádio Alesc Digital, recordo-me com muita nitidez de um episódio ocorrido há oito anos, mas que parece ter sido ontem: a chegada do furacão Catarina ao sul do estado, destruindo-o quase que completamente. Tenho certeza de que muitos dos moradores do sul catarinense não conseguem esquecer-se daquele episódio, porque muito do que foi destruído ainda não foi reerguido.
Aquele furacão, um verdadeiro desastre da natureza, chegou no dia 27 de março de 2004. Era noite, mas apesar dos inúmeros alertas, a maioria da população sulista não acreditava no que via, já que era o primeiro furacão registrado oficialmente no Atlântico Sul.
Os 21 municípios da nossa região foram tomados de surpresa, sendo que 14 decretaram estado de calamidade pública e sete, situação de emergência, em função dos estragos e dos grandes prejuízos econômicos, superiores a R$ 850 milhões!
A paisagem era de destruição: casas e postos de gasolina derrubados e praticamente todas as construções destelhadas! Além disso, praticamente nenhum eucalipto ficou de pé! Ventos do quadrante sul sopraram às 17h45 e começou a chover, chuva que ficou muito forte perto da 23h. Depois, chegaram ventos do quadrante norte, com rajadas de 180km a 200km por hora, que acabaram de derrubar o que ainda estava de pé!
Deputados, eu nunca vi nada igual! Agora, dentro da intensidade do furacão Catarina, poderiam ter ocorrido muitas mortes, mas graças a Deus foram somente duas.
Sr. presidente, o sul ainda precisa de ajuda, porque muita coisa ainda não voltou ao normal oito anos depois. Por quê? Porque região nenhuma quer abrir mão de recursos em prol do sul, cada região quer a sua parcela de investimento e por isso as dificuldades são grandes.
Os municípios da nossa região ainda sofrem com os problemas na área da educação, porque várias quadras e ginásios de esporte ainda estão no chão, igualzinho como ficaram na passagem do furacão, e há escolas que não foram totalmente recuperadas.
Eu estive com o secretário da Educação e disse-lhe que precisava dar uma atenção especial aos municípios do sul e que as medidas a serem tomadas não poderiam ser paliativas, pois já passara o momento disso! A ação da secretaria precisaria ser diferenciada com vistas à recuperação da rede escolar.
Em função disso, precisamos trabalhar muito, buscar recursos também junto ao governo federal para que possamos ter tranquilidade, com todos produzindo, trabalhando, gerando emprego, renda e qualidade de vida para o povo. Essa é a nossa luta no Parlamento.
Não poderia deixar de registrar que já se passaram oito anos de muito sacrifício, de muita luta na região massacrada pelo furacão Catarina. Mas tivemos muita ajuda, inclusive do governador Roberto Requião, que na minha concepção foi sempre um político de palavra, que na época sobrevoou a região de helicóptero e prometeu-nos enviar 100 mil telhas. Dois dias depois apenas, os caminhões de telhas já estavam na estrada. Que coisa linda quando uma pessoa cumpre o que promete, tem palavra!
Eu, em nome de toda a região sul, quero agradecer ao ex-governador do Paraná, Roberto Requião, que cumpriu o que prometeu ajudando-nos com telhas que na época cobriram muitas casas, muitas escolas que foram totalmente descobertas pela força do vento. Inclusive, houve casas que desapareceram, que foram arrancadas inteiras do chão!
Por isso, ficamos agradecidos, pois diante daquela catástrofe apenas tivemos duas mortes, apesar do vento ser tão forte a ponto de levantar até carros. Eu tinha uma Pajero, que é um carro pesado, e mesmo assim o vento levantava o carro. Não quero que ninguém passe por isso.
Agora temos passado por outros episódios com tornados. Há dez anos houve um tornado no município de Forquilhinhas e há seis anos a situação se repetiu. Um ano depois, em um bairro de Criciúma, todas as casas foram destelhadas. E agora se repete em Forquilhinhas e Nova Veneza, onde praticamente tudo foi destruído.
Então, a região sul, que é a região do nosso coração, uma região produtora e com grande potencial, vem sofrendo muito com essas variações climáticas.
Sei que o alto vale do Itajaí tem tido problemas também. Blumenau e Itajaí vêm sofrendo com as chuvas que ocasionam enchentes, que derrubam casas, que destroem avenidas, mas o sul também tem passado por situações difíceis, muito complicadas e que nos deixam muito preocupado.
Ainda que o governador Luiz Henrique da Silveira tenha aplicado muito na recuperação, hoje, Raimundo Colombo e Eduardo Pinho Moreira estão com um projeto arrojado para a construção de barragens para a proteção de cheias, a fim de que aquela área tão produtiva fique mais segura.
Então, acho importante pensarmos como um todo para defender os pontos críticos de Santa Catarina. Na verdade, essa situação não existe somente na região sul e no alto vale do Itajaí, mas também no oeste de Santa Catarina, senão de um jeito, de outro, ou seja, em função da prolongada estiagem que gera prejuízos violentos.
Isso também acontece lá no norte e nordeste do Brasil, mas a nossa preocupação maior é com Santa Catarina. É preciso, sim, que este Parlamento contribua com projetos importantes e fundamentais para proteger essas regiões que sofrem com as questões climáticas, a fim de que Santa Catarina possa produzir com segurança e tranquilidade.
Com a descentralização, Santa Catarina cresceu como um todo e diminuiu a avalanche de pessoas que se deslocavam para os grandes centros atrás de emprego. Por isso tenho que dizer: obrigado, Luiz Henrique, por sua visão! Descentralizou o estado, planejou de forma que os pequenos municípios também crescessem e mantivessem seu povo lá. Tínhamos muitas solicitações de visto para os Estados Unidos, para a Inglaterra, para Portugal atrás de emprego, e isso não acontece mais agora. Santa Catarina fez um projeto arrojado no governo passado e 17 mil empresas se instalaram aqui e hoje geram emprego, qualidade de vida e desenvolvimento.
Isso é fundamental para nosso estado, pois não estamos vendo mais essa avalanche de pessoas saindo. A nossa gente se prepara, estuda, busca tecnologia para expandir os investimentos no estado. Hoje mesmo, em Imbituba, há um programa da TVAL com um jovem empreendedor. É importante que se discuta essa questão para que Santa Catarina tenha novas alternativas e que nossos jovens se mantenham aqui com a sua competência para implantar, investir e gerar emprego.
Por isso, desloquei-me com uma equipe em nome do governo e fomos à Itália e à China, e hoje temos a honra de dizer que uma empresa italiana, que é a segunda maior do mundo em sua área, que é a construção de pontes, navios de cruzeiros e estádios para Copas do Mundo, está prontinha para se instalar em Santa Catarina. Ainda não está instalada em Tubarão porque não conseguiu viabilizar o terreno, o que conseguiu somente poderá ser transferido em 2028, mas ninguém investe R$ 250 milhões, R$ 300 milhões para receber e escriturar o terreno somente em 2028. Então, estamos procurando uma alternativa, pois já está decidido que essa empresa vai ficar em Santa Catarina, vai ficar no Brasil. Ficamos honrados porque valeu a pena a luta, o trabalho para trazer nova tecnologia para nosso estado.
O Brasil tem que modificar, tem que aprender uma lição. E com essa viagem que fizemos sabemos que essas grandes empresas ganham 9% ou 10% nas obras. Então, numa obra de R$ 100 milhões, eles faturam R$ 10 milhões. Aqui é totalmente diferente, só o aditivo custa 20%.
Então, o povo está cansado de pagar imposto e as obras demorarem tanto. E por que as obras demoram assim? Porque só um aditivo custa 20%, enquanto que na Itália, na China são 10%. Quer dizer, essas empresas virão para o Brasil e vão ganhar as licitações e implantar um novo modelo de gestão no país, porque temos que zelar mais pelos recursos públicos para poder fazer mais gastando menos.
Neste Parlamento 20% dos deputados são do sul do estado, mas a nossa região continua com dificuldade, como continua a região serrana. Nós, os deputados do sul, temos trabalhado em conjunto, o projeto que é de um é de todos, para tentarmos reverter esse quadro e dar tranquilidade ao povo, fazer com que a região cresça, pois ocupa um espaço muito importante no cenário estadual e nacional.
Por isso, temos que agradecer a todos os parlamentares do sul que empunharam uma só bandeira, que é a do desenvolvimento da nossa região. Eu, que sou o mais experiente nesta Casa, com mais mandatos, claro que fiquei feliz, porque juntos fizemos a diferença!
Então, tenho certeza de que vamos superar muitas dificuldades para ver o sul e o nosso estado crescerem, pois este é o compromisso que temos neste Parlamento, trabalhar, honrar a região, gerar emprego, gerar renda e qualidade de vida ao nosso povo.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)