97ª Sessão Ordinária - 06/12/2001
A SRA. DEPUTADA IDELI SALVATTI - Sr. Presidente e Srs. Deputados, ontem vim à tribuna para pedir a aprovação pela Casa do requerimento, para que a Polícia Federal assuma as investigações dos assassinatos e atentados que Prefeitos e lideranças sindicais e do Partido dos Trabalhadores vêm sofrendo no último período. E essa situação grave, do nosso ponto de vista, é uma demonstração inequívoca de que o processo eleitoral deste ano que vamos adentrar bem proximamente será uma guerra.
Será uma guerra, porque o que está em jogo, a perspectiva que temos de mudança na estrutura de poder no projeto político econômico e social que está em vigor, que vem sendo implementado, que se acelerou desde a eleição do Fernando Collor, a primeira eleição do Fernando Henrique, a reeleição do Fernando Henrique, tem grandes chances de ser modificado significativamente pelas eleições do ano que vem.
Portanto, essa guerra já instalada, onde já temos pessoas que tombaram, como é o caso do nosso Prefeito de Campinas, de lideranças sindicais - e eu fiz o registro, também, ontem, da morte de um assentado de Abelardo Luz a sangue frio, de outro que está na UTI - , tende a se acirrar.
Além da guerra propriamente dita, do tiro, da bomba, o que colocamos, ontem, vamos ter uma grande guerra de dossiês. As acusações, os indiciamentos, as insinuações, as denúncias vão se disseminar, crescer e aumentar. Nós temos vivenciado isso no nosso Estado, desta tribuna, neste Plenário, acusações muitas vezes de baixíssimo nível.
Portanto, os eleitores, os cidadãos que vão votar nas próximas eleições vão ter que ter uma capacidade de discernimento no fumacê dessa guerra instalada de bomba, tiros e dossiês e denúncias, onde é que está a centralidade do que vai ser decidido e modificado nas eleições de 2002.
Há um grande objetivo instalado - já tive, inclusive, a oportunidade de colocar isso da tribuna - de jogar todos na vala comum da corrupção, da imoralidade, da falta de ética, da falta de transparência, da roubalheira e que vale tudo para tentar jogar todos na vala comum. Estão falando também das denúncias e do que vem sendo colocado para as Prefeituras, para as administrações do Partido dos Trabalhadores. Isso nós já sabemos, mas já estamos preparados, estamos conscientes do que vai ser. Agora, uma das questões que talvez possa contribuir para o bom discernimento da população na hora do voto é saber diferenciar e acompanhar da denúncia à prova! Da denúncia à prova. Porque vai ter muita gente fazendo denúncia, mas na hora de comprovar o denunciado é que talvez possamos ter o grande diferencial!
E eu não poderia deixar de citar três casos. Diário Catarinense, de 05 de dezembro.
(Passa a ler)
"Pedida a cassação do Governador Napoleão. O Procurador Eleitoral do Piauí, Tranvanvan Feitosa, entrou com uma ação no TRE (Tribunal Regional Eleitoral) pedindo a cassação do Governador Hugo Napoleão do PFL por abuso de poder econômico durante a campanha eleitoral de 98."
É bom lembrar que o Governador Hugo Napoleão assumiu, posteriormente, a cassação do Mão Santa, que era o Governador, que foi cassado, por decisão, no dia 06 de novembro, e o Napoleão renunciou ao Senado, tomou posse no dia 19, e é acusado pelo Ministério Público de ser beneficiário do apoio do Grupo de Comunicação Meio Norte, formado por jornal, televisão e uma cadeia de rádios.
Esse Grupo de Comunicação Meio Norte sofreu 15 condenações por ter favorecido a candidatura de Hugo Napoleão. Então, aqui já não é mais denúncia, aqui já é condenação, é prova. Então, não tem só denúncia, tem prova.
O PPB tem feito propaganda pela TV. Nós tivemos o desprazer, eu digo, de ter que assistir, mais uma vez, à figura do Maluf, que se apresentou nos programas, nas inserções eleitorais do PPB, novamente, o conhecido Maluf, dizendo que nada ficou provado, que é sempre assim com ele, acusam, acusam, acusam, mas ninguém prova! Aquele que tem a pecha de rouba mas faz!
Mas está aqui:
(Passa a ler)
"TJ confirma seqüestro de bens de Maluf.
Caso Jersey - Desembargador nega recurso de ex-Prefeito contra o bloqueio no exterior, decretado por juíza de São Paulo.
O Desembargador Roberto Soares Lima, do Tribunal de Justiça de São Paulo, negou recurso da defesa do ex-Prefeito Paulo Maluf e manteve o seqüestro de bens e dinheiro em nome dele, de seus familiares e das empresas Red Ruby Ltd. e Blue Diamond Ltd. na ilha de Jersey.
Contas foram reveladas pela Folha em junho.
No dia 10 de junho deste ano a Folha revelou a existência de cerca de US$200 milhões em contas que têm como beneficiários o ex-Prefeito Paulo Maluf e seus familiares.O dinheiro está na ilha de Jersey, um paraíso fiscal do Reino Unido."
Portanto, também já é prova, está lá a conta, o dinheiro e estão seqüestrados os bens do Paulo Maluf, decisão do Tribunal de Justiça, instância máxima da Justiça brasileira.
E, no caso do PFL, aparecem os originais do caixa 2, do PFL.
(Passa a ler)
"Documentos reforçam veracidade do financiamento paralelo da reeleição de Cassio Taniguchi no ano passado.
Papéis originais que pertencem à contabilidade da campanha do PFL para a Prefeitura de Curitiba em 2000 reforçam os indícios de veracidade do livro caixa-secreto usado pelo Partido."
São mais de 30 milhões. Os recibos originais apareceram, é prova inconteste, não é mais denúncia!
Então, eu acho que nessa guerra de dossiês, de denúncias, vamos ter que, cotidianamente, fazer o acompanhamento para que a população tenha a capacidade de perceber, discernir o que é marola, o que é estratégia política para jogar todos na vala comum e levar à frente aquela máxima de que todos são corruptos, todos são iguais. Vamos ter que, cotidianamente, fazer a diferença entre o que é acusação e o que é prova concreta, como é o caso dos recibos originais da campanha do PFL. É a confirmação da conta do Paulo Maluf, são as condenações da empresa de comunicação do Hugo Napoleão, do PFL, no Piauí.
Então, muito obrigada e que tenhamos a capacidade de fazer com serenidade esse debate.
(SEM REVISÃO DO ORADOR)