Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Ronaldo Benedet

86ª Sessão Ordinária - 07/11/2001

O SR. DEPUTADO RONALDO BENEDET - Sr. Presidente e Srs. Deputados, tenho sido nesta Casa um defensor da socialização dos recursos do Estado com as cidades do interior porque ao longo da história ele tem sido relegado, tem ficado com as migalhas, enquanto que a Corte, ou seja, quem vive em volta do Governo, acaba ficando com as vantagens, com os recursos, com as melhores funções, com a concentração do Poder.

Não bastasse a concentração do poder, de os recursos circularem na Capital, o interior acaba ficando em segundo plano. Não fosse essa realidade não existiria uma emenda constitucional, que foi votada nesta Casa, para a transferência da Capital para Curitibanos.

Mas a questão não é a da transferência da Capital, é exatamente a da justiça na distribuição dos recursos. Se analisarmos o Orçamento do Estado, veremos que a concentração, na proporcionalidade de território e população, dos recursos ficam sempre na Capital, conseqüentemente, o poder, o volume de recursos, de força política tem ficado na Capital.

Infelizmente, muitos dos nossos políticos ao longo da história de Santa Catarina, embora representassem o interior, acabavam vindo para a Capital e só iam buscar os votos no interior e os benefícios ficavam relegados. Por este motivo tenho sido um defensor do interior do Estado.

Por isso o meu Partido, o PMDB, estará realizando, na sexta-feira próxima, na cidade de Criciúma, uma reunião ampliada de todo o Sul do Estado, que compreende quase 600 mil eleitores de Santa Catarina. Será uma reunião com Prefeitos, com vice-Prefeitos, candidatos a Prefeitos, lideranças, Vereadores, Presidente do PMDB da região Sul, Deputados Estaduais e Federais, quando estaremos discutindo a participação do Sul do Estado na chapa majoritária do PMDB, concorrendo, dentro das prévias do PMDB, a uma vaga ao Senado.

O eminente jornalista Nilton Góes coloca na sua coluna do jornal Notisul, do dia de hoje, o seguinte:

(Passa a ler)

"Espaço

Deputados do PMDB do Sul do Estado, Prefeitos, vice-Prefeitos, Vereadores, presidentes de diretórios, lideranças políticas e empresariais de diversos Partidos têm encontro sexta-feira, em Criciúma, na Vila Olímpica, para lutarem por espaço do Sul na chapa majoritária.

Entendemos que seria de fundamental importância termos um Senador, com mandato de oito anos, da nossa região, aliás, é um sonho que temos na caminhada, no futuro, até termos um Governador. Mas o nosso sonho é exatamente alcançarmos poder frente à República, no Senado Federal, o poderia, a força que o Senador representa. São apenas 84 Senadores representando o nosso Sul do Estado no Senado Federal, conseguindo mais recursos, socializando as verbas para que não se concentre apenas na Capital.

Na realidade, esta é a crítica que temos feito ao atual Governador, que como Senador e Governador do Estado concentra os recursos da arrecadação do Estado na Capital.

Estaremos na sexta-feira próxima nesta reunião ampliada, na cidade de Criciúma, com mais de 50 representantes, lideranças efetivas, decidindo o nosso futuro, se vamos participar - e essa é a vontade das lideranças políticas do PMDB do Sul do Estado - da chapa majoritária.

O nome que é cogitado é o do nosso ex-Prefeito, ex-Deputado Federal e ex-Secretário de Estado Eduardo Pinho Moreira, que muito orgulhou o PMDB de Santa Catarina, do Brasil, especialmente da região Sul do Estado e da cidade de Criciúma.

Ontem, esteve na Assembléia o nosso Prefeito de Joinville, candidato do PMDB ao Governo do Estado de Santa Catarina. O PMDB já está discutindo propostas e idéias com a sociedade catarinense para o futuro Governo. Uma destas propostas, entre tantas outras que serão balizadoras da nossa proposta de Governo, com Luiz Henrique frente ao Governo do Estado, candidato do PMDB, que será vitorioso porque estará exatamente indo ao encontro dos anseios da sociedade catarinense, principalmente agora, quando uma faixa da sociedade não tem trabalho, não tem renda, vem exatamente ao encontro dos anseios da população do interior que está relegada. E no momento em que precisam do apoio do Estado para a criação e geração de trabalho e renda não recebem.

Luiz Henrique traz um dos projetos mais modernos do mundo em matéria de geração de trabalho e renda, a exemplo da Itália, da Espanha e de Portugal, que estão conseguindo proporcionar o desenvolvimento local.

Mesmo diante da situação da economia globalizada, podemos ter um mercado local forte, um desenvolvimento local forte, fazendo com que o dinheiro fique na região. As empresas que podem exportam e o dinheiro que vier através dessa exportação irá circular dentro da região, com o objetivo de desenvolver uma economia regional e local forte, incentivando o consumo de produtos locais.

Por que precisamos comprar leite do Uruguai? Por que precisamos comprar produtos de fora da nossa região ou de outros Estados e de outros países se podemos produzir similares? A mudança de hábitos é um dos fatores do desenvolvimento das regiões, desenvolvimento dos capitais locais.

A Itália foi modelo no mundo e há 30 anos desenvolveu o modelo de indústrias em rede e agroindústrias em rede com o estímulo da produção de produtos locais, onde se produz um produto de qualidade e melhor elaborado. Por exemplo: o Brasil importa mais de 500 milhões de dólares de frutas do Chile, mas também temos climas e micro climas em Santa Catarina onde podemos produzir ameixa e outras tantas frutas de excelente qualidade, como a uva cabernet savignion, considerada hoje a melhor uva para se fabricar vinhos no mundo, como é feito no Chile e em outros países, que fomos ver e buscar para a produção.

Santa Catarina tem no seu Planalto Serrano condições climáticas de altitude para produzir um excelente vinho, ao invés de estarmos importando a preços aviltantes, pela cotação do dólar. Assim o dinheiro que vem de fora será consumido por produtos locais e irá gerar riqueza, trabalho e emprego.

Esse é o pensamento da criação de diversas agências de todo o Estado de Santa Catarina. Chamam-se agentes de desenvolvimento regional. O que essas agências fariam? Elas induziriam os órgãos do Governo a se desenvolverem, provocando mudanças de cultura ou volta das culturas locais que foram esquecidas em virtude da globalização, a fim de se formar um mercado local forte, fazendo com que a economia catarinense dependa pouco da economia internacional.

Com isso, estaríamos fortalecendo cada vez mais a capacidade de geração de trabalho, de renda e de agregação de valores, de poder aquisitivo da nossa sociedade, mas que esse dinheiro ficasse num lugar em Santa Catarina.

Então, essas agências terão como função exatamente induzir uma nova forma de desenvolvimento à economia do nosso Estado, fortalecendo ainda mais a nossa economia local, ficando mais independente das mudanças da economia internacional que a globalização nos impôs.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)