37ª Sessão Ordinária - 03/05/1999
O SR. DEPUTADO ONOFRE SANTO AGOSTINI - Sr. Presidente e Srs. Deputados, estamos chegando neste momento da última audiência pública que a Comissão de Justiça realizou. Fizemos oito reuniões em todo o Estado de Santa Catarina para discutir os problemas da educação com respeito ao art. 170 da Constituição do Estado (e houve duas emendas constitucionais apresentadas, uma pelo Governo e outra pelo Deputado Pedro Uczai), e todas foram um verdadeiro sucesso.
Ainda hoje realizamos duas, uma em Tubarão, na Unisul, e outra na cidade de Criciúma, com a participação de dez Deputados. Por isso o número limitado de Deputados presentes a esta sessão, porque estavam participando desse evento, que refutamos de muita importância.
Mas o que me surpreendeu, Srs. Deputados, é que li no jornal A Notícia, de domingo, uma nota dizendo que na audiência pública no Município de Chapecó houve um atrito e que os reitores haviam chegado à conclusão de que foi possível acontecer isso por falta de autoridade deste Deputado e pela má organização dos debates.
V.Exas. estiveram lá, e se essa inverdade foi dita pelos reitores ou pelos jornalistas, para mim tanto faz, porque um ou outro está mentindo.
Agora, está muito comum esta imprensa que cobre Santa Catarina mentir. Na quarta-feira, eu estava num debate com a Secretária da Educação no meu Município e ouvi no noticiário da televisão e li, no dia seguinte, nos jornais que esta Casa havia aprovado um projeto de resolução por trinta e nove votos a favor e um contra.
Ora, eu até vou requerer à Presidência que verifique quem votou no meu lugar! Alguém está mentindo! Ou é a imprensa que mente ou é mentirosa a informação que é dada à imprensa, porque eu não estava presente. E sei que os Deputados Adelor Vieira e Ciro Roza também não estavam!
Acho que o dever da imprensa é falar a verdade, e não mentir para a população de Santa Catarina. Eu não estava presente! Votaria a favor se estivesse? Claro que votaria! Mas eu não estava presente e, por via de conseqüência, não admito que a imprensa comece a mentir para a população de Santa Catarina, como mentiu o jornal A Notícia de domingo.
V.Exas. são testemunhas se houve algum fato que tenha desabonado as nossas audiências públicas. E a imprensa deveria estar lá debatendo, verificando a razão das audiências públicas, e não fazendo comentários maldosos contra este e outros Deputados.
Por sinal, foi um sucesso essa audiência pública que fizemos. Então, não cabe nem ao jornalista nem à imprensa divulgar o que efetivamente não aconteceu. E fico imensamente satisfeito que esteja aqui presente, e naturalmente escutando o que estou dizendo, o meu amigo e jornalista Paulo Alceu.
Eu acho que é covardia da imprensa fazer acusação sem ter ouvido a outra parte. É muito cômodo, Deputado Herneus de Nadal, atirar lama em alguém sem dar oportunidade deste alguém se defender, sem ver se ao menos a notícia é verdadeira.
Isso até me fez lembrar aquela história de alguém que jogou as penas de um travesseiro do alto de uma torre e disse: agora vocês vão juntar as penas!
Então, acho que é covardia da imprensa. Não é esta a imprensa que eu defendo. Eu sou favorável que a imprensa tenha todo o direito, que seja permitido abrir tudo para a imprensa, mas acho que ela deve dar a notícia verdadeira, e não a notícia apenas por ouvir dizer. Ouviu dizer que na Assembléia a votação foi trinta e nove votos a um e faz esse estardalhaço todo, assim como fez sobre essa audiência pública em Chapecó, por sinal, muito concorrida e importantíssima.
Os Deputados que estiveram presentes nas audiências irão, depois, falar. Os Deputados Jaime Mantelli e Pedro Uczai compareceram em todas as reuniões; o Deputado Paulo Bornhausem só não compareceu na de Chapecó; a Deputada Ideli Salvatti também compareceu em quase todas; alguns Deputados compareceram no Município de Caçador; os Deputados Reno Caramori e Ivan Ranzolin compareceram em Lages. E todas as audiências, foram realizadas de forma extraordinária. Por isso essa minha, não digo mágoa, porque não guardo mágoa, mas revolta, porque as informações não são verdadeiras.
Eu não posso admitir que o jornalista que se diz o único sábio neste Estado, o único que fala a verdade neste Estado, venha aqui jogar penas contra os outros. Não admito isso! E se tem mágoa contra este Deputado porque não obedeceu às suas ameaças, porque não fez o que queria, ele que vá disputar eleição, eleja-se e venha aqui fazer aquilo que achar correto! Não é justo que ele use da imprensa porque está magoado comigo, que use desse expediente sem dar oportunidade de eu me defender.
Eu não tenho medo dele, não! Disso ele pode ter certeza. Mas se ele achar que eu errei nas minhas atitudes, que se eleja Deputado e venha até aqui fazer o que eu estou fazendo. Que não use o meio que tem nas mãos, jogando na imprensa o que bem entende, porque isso é covardia, uma vez que não dá oportunidade de eu me defender.
Por isso, Deputado Heitor Sché, essa minha revolta. Eu não admito! E vou dizer mais: se não tiver jeito na Justiça, vai na porrada! Porque eu já vi que cavalo chucro doma-se na base da porrada. Ele que se cuide, porque comigo o buraco é mais embaixo!
Eu não tenho mede dele, muito menos da imprensa. Ele que me respeite, porque eu sempre o respeitei. Nunca faltei com respeito a quem quer que seja. Por via de conseqüência, ele que respeite os outros!
Era isso, Sr. Presidente, que eu gostaria de registrar.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)