Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Ronaldo Benedet

66ª Sessão Ordinária - 23/06/1999

O SR. DEPUTADO RONALDO BENEDET - Sr. Presidente e Srs. Deputados, foi uma pena não termos podido ocupar a tribuna no dia de ontem, já que na segunda-feira próxima passada foi transmitido pela televisão, em Santa Catarina, o programa do horário eleitoral gratuito dos Partidos Políticos. Infelizmente, no horário do Partido Popular Progressista - PPB - houve uma série de referências ao nosso Partido, o PMDB.

Eu, a primeira vista, cheguei a ficar irritado pelas agressões a uma sigla que significou a luta para conquistar a democracia e a libertação do povo brasileiro da ditadura militar. Mas, depois, passei a analisar com outros olhos e verifiquei, com certeza, que o programa não traduz a vontade da maioria dos Deputados desta Casa, dos membros do PPB, que, como instituição, respeitamos muito, embora sejamos adversários políticos.

Entristece-me muito observar um Partido Político fazer um programa e, ao invés de apresentar uma proposta, parecer-se com um programa de um partido radical de Oposição. Citou o nome do PMDB diversas vezes e também o nome do PT, tentando criticar os Partidos (o PMDB muitas vezes e o PT uma ou duas vezes). Eu fico admirado ao ver que um Partido que está no Governo de Santa Catarina, que tem o seu Governador, fica preocupado em criticar o PMDB, que teve o seu candidato e perdeu por uma diferença de quinhentos mil votos.

Tenho dito nesta tribuna que a democracia que nós lutamos para conquistar (e o PMDB foi o grande baluarte, a grande arca que abrigou os partidos progressistas e democratas deste País) foi para que também pudéssemos ser punidos com a derrota nas urnas quando o povo entendesse que nós, lutadores da democracia, não agíssemos da forma que o povo esperava.

Eu me admiro que um Partido Político que está no Poder, infelizmente, utilize um programa inteiro de televisão apenas para criticar o PMDB, ao invés de demonstrar o seu projeto para a construção do futuro de Santa Catarina.

Como eu disse, muitos Deputados quase não apareceram, apenas a figura dos Parlamentares desta Casa. O Presidente deste Poder, o Deputado Gilmar Knaesel, representante do PPB, com o seu espírito democrático, nem apareceu para apresentar suas belas e magníficas propostas; os Deputados desta Casa, que têm uma boa proposta para o Estado, e têm demostrado aqui, não tiveram oportunidade de participar do programa, mas deram espaço para se falar no nome do PMDB e do PT. As pessoas que não conhecem, que não entendem muito de política, poderiam até pensar que o programa era de PMDB, de tantas vezes que foi citado o nosso Partido.

Digo que o PMDB é um Partido Político que abriga pessoas. É claro que Santa Catarina foi governada por um Governador pertencente ao nosso Partido, que teve erros, acertos e que, se cometeu algo, vai responder por isso. Se tiver culpa, terá a sua condenação. Tudo está sendo decidido na Justiça. Agora, não se pode querer atacar a instituição PMDB, não só de Santa Catarina como do Brasil, colocando-a num programa de televisão como se fosse a desgraça de Santa Catarina, como foi feito no programa do PPB.

O PMDB é o grande responsável, e isso orgulha o povo catarinense e brasileiro, pelas lutas democráticas, pelas conquistas sociais, que hoje estão querendo retirar da Constituição. O PMDB foi o grande Partido que lutou pelas conquistas democráticas e pelo restabelecimento da democracia no Brasil. E lá se vão as nossas lutas (eu lembro muito bem): as lutas pelo Estado de direito, pela anistia, pela volta da democracia, pelas eleições diretas. Enfim, foram inúmeras lutas políticas que conquistamos neste País, principalmente as garantias individuais do cidadão, as conquistas sociais na Constituição Federal.

Então, como instituição, O PMDB não pode, em hipótese alguma, ser atacado. Por isso, nós não queremos aqui repudiar os membros do PPB, não queremos dizer o que disse o PPB, porque este Partido tem Deputados, tem Senadores, tem Governadores que, embora sejam nossos adversários, respeitamos muito pelas suas linhas de atuação como políticos e como membros de uma instituição, que é um Partido.

O Sr. Deputado Milton Sander - V.Exa. me concede um aparte?

O SR. DEPUTADO RONALDO BENEDET - Pois não! Ouço V.Exa., que é um dos representantes do PPB nesta Casa, até para que sejamos democráticos e possamos ouvir as suas palavras com referência ao que estamos colocando sobre o programa do PPB.

O Sr. Deputado Milton Sander - Eu agradeço a V.Exa., Deputado Ronaldo Benedet, pela oportunidade do aparte e cumprimento o nosso Presidente e os demais Deputados.

Em primeiro lugar, quero agradecer, em nome do Partido, a audiência que V.Exa. nos deu, assim como um grande número de catarinenses.

Gostaria de dizer que no telemarketing feito durante e após o programa houve uma aceitação grande com relação às colocações que foram feitas. Eu falo com toda tranqüilidade, porque fui um dos que, com voto vencido, entendia que deveria ser colocada a figura do ex-Governador e não do Partido, como acabou sendo colocada. E nisso lhe dou razão.

No entanto, o enfoque não foi esse. O enfoque foi comparativo a algumas administrações que, coincidentemente, eram do PMDB e que tiveram o mesmo vício de deixar duas, três, quatro folhas de pagamento em atraso, como Xanxerê, São Miguel d’Oeste e o próprio Governo do Estado. Este foi o enfoque dado pela assessoria que montou o programa, que não foi dirigido ao Partido, aos seus filiados como um todo, porque, na realidade, o PMDB tem grandes Lideranças, tem pessoas que trabalham muito por Santa Catarina e pelo Brasil ainda hoje, e tomara que continuem assim.

Eu queria apenas fazer esta colocação, ou seja, que o enfoque dado pela agência (e talvez V.Exa. tenha entendido assim) não foi contra o Partido. O que houve foi a coincidência de que em algumas administrações importantes, inclusive a do Governo do Estado, ocorreu o atraso da folha de pagamento dos funcionários por pelo menos três meses.

O SR. DEPUTADO RONALDO BENEDET - Agradeço-lhe pelo aparte, Deputado Milton Sander. Vejo sempre a coerência com que V.Exa faz as suas colocações.

Mas, é importante que se diga que para quem é peemedebista - e o PMDB ainda é o maior Partido, se fizermos uma pesquisa de opinião pública em Santa Catarina - há uma ofensa. Tenho certeza de que muitas pessoas que são simpatizantes do PMDB até votaram no Governador Esperidião Amin, porque quando o eleitor está meio desgostoso com aquela pessoa do Partido ao qual é simpatizante ele vota no outro candidato, e isso ofende as pessoas de uma sigla. É a mesma coisa que os vascainos dizerem que os flamenguistas não prestam.

Então, é esta a conotação que quero dar. O PPB faz o programa que quiser, eu não sou do PPB. Mas, o que eu quero colocar é a questão da postura ética. Nós não estamos aqui (e jamais viremos aqui para isso) para dizer que o PPB fez isso, ou fez aquilo, ou fez a desgraça do País porque participou... Não! Pessoas participaram, aceitaram! Agora, é diferente de estarmos aqui fazendo menção a uma instituição. E o PMDB é uma instituição que já tem mais de trinta anos e nós estamos altivos dentro do nosso Partido, fazendo a nossa autocrítica.

Eu sempre fui um crítico e, inclusive, fui prejudicado até por pessoas ligadas ao ex-Governador. Por eu ser um crítico pessoal a ele dentro do Partido, e de forma forte, não concordei com muitas ações que o Governo promoveu.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)