51ª Sessão Ordinária - 18/06/2009
O SR. DEPUTADO JOARES PONTICELLI - Principalmente muitos cabos eleitorais, deputado Giancarlo Tomelin.
Sr. presidente e srs. deputados, ouvintes da Rádio Digital Alesc, telespectadores da TVAL, catarinenses que participam da nossa sessão no dia de hoje, como disse na terça-feira, deputado Plínio de Castro, eu voltarei diariamente a esta tribuna porque só faltam 12 dias para o governador cumprir efetivamente com a sua promessa e encaminhar o plano de cargos e salários da Polícia Civil a esta Casa Legislativa.
Era para vir no dia 9 e passou para o dia 15. Mas dia 15 não deu certo porque dá problema nessa data. Agora ficou para o dia 30.Mas na semana que vem não haverá sessão, deputado José Natal. Então eu cobrei na terça-feira, na quarta-feira, estou cobrando hoje e na semana que vem ficarei vigilante pela imprensa, porque estaremos em audiências do Orçamento Regionalizado.
E quando voltarmos às atividades aqui na Casa, já vai estar vencido o prazo de encaminhamento do projeto, aliás, voltarei na véspera. E quero crer que neste período, deputado Sargento Amauri Soares, possamos, no mínimo, encontrar o bom senso e o equilíbrio no comando das instituições.
O fato que aconteceu em Lages, ontem, deputado Plínio de Castro - e aí o secretário, aliás, o comandante da Polícia Militar e o delegado-geral da Polícia tiveram que subir a serra para acalmar os ânimos, eis que tivemos o início de um processo que pode explodir e desencadear-se pelo estado inteiro. A tolerância está no limite. Inclusive, insisto que o grande culpado, o grande responsável por esta culpa, por esta crise, é o governo. Não existe outro culpado. Essa é uma crise criada pelo governo. Esses confrontos que começam a aparecer entre as duas polícias, entre as duas instituições, são fomentados pelo governo. É a política do criar dificuldades para vender facilidades.
Assim, deputada Angela Albino, o governo continua enganando as duas instituições e agora se esconde atrás da crise. É impressionante a capacidade de o governo, especialmente o secretário candidato, manipular os interesses. Ora ele coloca praças contra coronéis, ora coronéis contra praças. Outrora, coloca coronéis contra delegados, delegados contra coronéis. E agora me parece que está juntando toda a estrutura militar contra a civil e vice-versa.
É extremamente perigoso o que está acontecendo. Eles estão brincando com coisa muito séria. Esse jogo politiqueiro, deputado Moacir Sopelsa, eleitoreiro, eu repito, é muito perigoso. Está acontecendo isso, porque a polícia está sendo comandada pela política, pela politicalha, pela politicagem. É o interesse do voto, é o secretário da Segurança pensando em manter os votos da Polícia Militar e também agregar os votos da Polícia Civil, para ser deputado federal. Quer fazer média com todo mundo e engana todos.
Essa crise é muito maior do que estamos vendo. A intolerância é generalizada, e registro aqui novamente que temo pelo que possa acontecer neste período. Por isso, espero sinceramente, que o governador assuma, ele próprio, o comando desse processo. O ideal seria o secretário Benedet fazer uma viagem para Azarbaijan - pois até o presidente da República anda pelo exterior, e foi de lá que ele declarou apoiou para o Sarney. Quem sabe, o Benedet faz uma viagem para o exterior, só com passagem de ida, por enquanto, sem passagem de volta. Quem sabe, o Benedet fica fora do país até o dia 30 ou até primeiro de julho e deixa o governador cuidar disso, até vir o processo. Porque o Benedet estando fora, tira-se o maior problema, que é a preocupação com o voto da Civil e com o voto da Militar. O Benedet só pensa nos votos de uma e de outra. Enquanto isso, policial está sacando arma para policial. E a nossa segurança? E o cidadão, como é que fica nesse processo?
Governador, eu sei que v.exa. não me assiste, mas que manda boa parte dos seus 56 secretários ficarem nos acompanhando, monitorando a Assembleia todos os dias. Então, faço um apelo: dê férias ao Benedet, pelo menos nos próximos doze dias. Mande que ele viaje, dê férias a ele. Mande-o descansar, até porque ele está estressado, não por cuidar da segurança, mas por trabalhar tanto na campanha. Mande o Benedet viajar 14 ou 15 dias e resolva, governador, esse problema.
Essa bomba vai explodir a qualquer momento, deputado Plínio de Castro. E já tivemos uma mostra em Lages do que está acontecendo.
A Polícia Civil está no limite, e não foram eles que criaram o problema. Estão sendo enganados, como a Militar está sendo também, deputado Sargento Amauri Soares, há cinco anos.
Depois de enganar a Polícia, o plano foi discutido, debatido, marcaram data para encaminhar, e eu não tenho dúvida de que foi o próprio grupo do Ronaldo Benedet, interessado no voto, que articulou os oficiais: "Agora vocês vão lá e melem o projeto da Polícia Civil, não deixem encaminhar".
Também não é inteligente o que os oficiais estariam fazendo, ou seja, dizer que não querem que os seus colegas ganhem, que aumentem o salário. O que é isso? Isso é burrice. Isso não é ser inteligente, não é ser parceiro. Isso não é honesto. Isso foi articulado pelo governo, deputado Sargento Amauri Soares; a crise foi articulada, ou seja, criar dificuldades, para vender facilidades e tentar o voto atrás disso.
O Sr. Deputado Sargento Amauri Soares - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO JOARES PONTICELLI - Pois não!
O Sr. Deputado Sargento Amauri Soares - São somente 30 segundos, deputado Joares Ponticelli, para dizer que concordo com v.exa. que essa crise é provocada pela intransigência do governo em não conversar, ele e os seus secretários, diretamente com os trabalhadores da Segurança Pública. Se as entidades estivessem na mesa de negociação com os secretários, e quiçá com o governador... Porque até o ano 2006 isso acontecia, o governador recebia todo mundo, mas de lá para cá ele não recebe mais ninguém desde que foi reeleito.
Então, se as entidades que representam de forma legítima os trabalhadores da Segurança Pública, os praças da Polícia Militar, o Corpo de Bombeiros e a Aprasc, a base da Polícia Civil, o Sintrasp, Sintesp e os agentes prisionais, tivessem sentado à mesa de negociação, todos os trabalhadores da Segurança Pública saberiam o que está sendo discutido e transmitiriam essa segurança no local de trabalho, onde estão a maioria dos policiais.
Como ninguém sabe o que está acontecendo, e muito menos o que vai acontecer, porque o governo determinou que os seus secretários - com um comandante de um lado e outro comandante de outro - discutam tudo, a maioria dos servidores estão inseguros, porque já neste mês de junho os salários estão comprometidos, porque esta é a nossa última sessão deste mês. Só voltaremos em julho, e até lá, se não houver sido tomada nenhuma medida pelo governador, boa parte dos salários de quase todos os trabalhadores da Segurança Pública, estará comprometida. E ninguém sabe de nada.
Então, é isso que provoca essa insegurança, com possibilidade e potencial de tragédias, de efeitos não imagináveis em nosso estado.
Muito obrigado, deputado Joares Ponticelli.
O SR. DEPUTADO JOARES PONTICELLI - Muito obrigado, deputado Sargento Amauri Soares.
A próxima sessão será dia 30 de junho, coincidentemente, deputado Plínio de Castro, é o dia em que voltaremos, no prazo fatal.
Eu quero reiterar o nosso compromisso, dessa vez com a Polícia Civil, com a Polícia Militar, de cobrar permanentemente uma solução, juntamente com o deputado Sargento Amauri Soares.
Agora, vamos ficar na vigília, junto com os policiais civis, dia 30 de junho, que é o prazo. Vamos estar aqui para aguardar a entrega do plano e para fazer as eventuais alterações que a categoria entender necessárias, porque não sabemos como virá esse plano. E se não acontecer até o dia 30, eu temo muito pelo futuro e pelo aumento da insegurança em Santa Catarina.
Enquanto isso, governador Luiz Henrique da Silveira, mande o secretário Ronaldo Benedet viajar, tire ele da campanha por esses dias e resolva o problema antes que se agrave ainda mais.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)