62ª Sessão Ordinária - 23/07/2008
O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Sra. presidente e srs. deputados, quero aproveitar os oito minutos que são do PSDB para tecer alguns comentários que são bastantes oportunos, principalmente porque nesse momento estamos vivendo um momento pré-eleição em que os ânimos se acirram. A disputa daqui para frente ficará mais forte, mas serve também para nós fazermos uma pequena reflexão sobre a questão do número exagerado de partidos que nós temos neste país.
É impressionante! Temos mais de 20 siglas partidárias no país. Como disse o nosso deputado do PV, Ivan Naatz, são 32 siglas partidárias. Apenas para fazer um pequeno paralelo, vejam que nos Estados Unidos existem dois partidos: o Partido Republicano e o Democrata. Alguns outros países possuem três, quatro ou cinco partidos.
No meu modo de entender, se tivéssemos três partidos neste país seriam suficientes. Quatro seriam suficientes, ou melhor, cinco para ser bem exagerado, um partido de centro, um de esquerda, um de extrema-esquerda, um de direita e um de extrema-direita e estaria resolvido o problema.
No entanto, temos um grupo enorme de pessoas que acabam arvorando-se em determinados partidos mais para barganhar na época de eleições, na época de campanhas políticas, essa é a grande verdade! Não preciso citar nomes, não preciso identificar partidos, mas é claro e cristalino que nessa época de eleições temos, deputado Reno Caramori, muitos e muitos partidos que não fazem nada, a não ser esperar o chamamento. Alguns se lançam, jogam o nome, jogam o partido para um pouquinho mais na frente se acomodar dentro do esquemão.
Às vezes, e não são poucas, temos a oportunidade de ver coligações, candidatos que saem coligados com seis, sete, oito, nove ou dez partidos, uma verdadeira árvore partidária. Mas se formos analisar mais profundamente a densidade de cada um desses partidos, vamos chegar rapidamente à conclusão de que são poucos aqueles que têm realmente representatividade popular. São poucos aqueles que podem efetivamente falar em nome do povo, como representantes legítimos do povo. Na verdade, são pequenos grupos que possuem interesses, e esses interesses sempre são atendidos em época de campanhas políticas. Essa é a grande verdade!
O Sr. Deputado José Natal - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Pois não, deputado José Natal!
O Sr. Deputado José Natal - Para contribuir com v.exa., quero dizer que venho discutindo a questão desse número enorme de partidos no país há muitos anos na minha vida política. Exatamente, eles só aparecem na época de eleição para tudo aquilo que v.exa. colocou. Se ao menos eles se apresentassem e dissessem: "O meu partido não tem representatividade, não conseguimos o número suficiente, mas temos uma proposta administrativa, uma proposta política para fazer parte do processo eleitoral", até se concordaria. Mas eles querem e aparecem exatamente para negociata, para cabide de emprego, e continuam sobrevivendo e enganando a população.
A maioria, deputado Nilson Gonçalves, 90% desses partidos nanicos que existem por aí, são partidos de mala, só para negociar, e quem não tem mais credibilidade, já passou por diversos partidos, encosta-se em um desses e vem tumultuar o processo político.
Eu me somo a v.exa. Está na hora da reforma política realmente partir para essas diretrizes que v.exa. sugeriu para haver, no nosso país, no máximo cinco partidos. Aí, sim, teríamos a direção da vida política brasileira.
Muito obrigado!
O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Muito obrigado, deputado José Natal.
O PT não me aparteou porque através do seu líder maior, o presidente Lula, está exigindo praticamente uma reforma política agora, logo após essas eleições. O Lula pode ter os defeitos que tem, mas tem algumas coisas que temos que tirar o chapéu. E esse é um caso, realmente, que ele tem toda a razão. Nós precisamos urgentemente fazer uma reforma política neste país para, quem sabe, conseguirmos dar um direcionamento melhor para as questões políticas e também voltar a dar credibilidade para o segmento político deste país.
Sra. presidente, quero cumprimentar o meu pessoal de Joinville, que tem telefonado várias vezes para a nossa Assembléia comunicando que acompanha os trabalhos desta Casa. Agradeço, de maneira especial, às cidades-satélites de Joinville: Itapoá, Guaruva, Araquari, Guaramirim, Maçaranduba, Barra do Sul, São Francisco do Sul, que acompanham pari passu os acontecimentos desta Casa, através da TVAL.
Quero aproveitar a oportunidade também para registrar um motivo de muita alegria, pois pela primeira vez está acompanhando os trabalhos desta Casa o meu neto Leonardo. Ele está aqui acompanhando os trabalhos do avô dele nesta Casa.
Muito obrigado, sra. presidente!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)