Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Joares Ponticelli

53ª Sessão Ordinária - 08/07/2008

O SR. DEPUTADO JOARES PONTICELLI - Sr. Presidente e srs. deputados, conforme havia prometido anteriormente, vamos ao capítulo de hoje chamado Pagamento Prometido, que está na página 39 do livro.

(Passa a ler.)

"Há muitos negócios que não dão certo por terem começado mal. As primeiras tentativas de cobrança da Metrópole não foram felizes na estratégia utilizada.

A esta altura Luiz Henrique lamentava por não poder contar com a experiência do velho compadre Içuriti Pereira, alijado do governo por ter cochilado no processo de liberação dos bingos e caça-níqueis em toda Santa Catarina quando na administração da Codesc - Companhia de Desenvolvimento do Estado de Santa Catarina.

Este mesmo senhor patrocinou uma grande trapalhada na campanha de reeleição quando em junho de 2006, em companhia de Derli Anunciação, coordenador geral da campanha, convocou para uma reunião. De pronto aceitei.

Não seria necessário dizer, como foi visto no capítulo anterior, que a propaganda descentralização, ou melhor, a divulgação que fizemos acabou inviabilizando a revista como um meio de comunicação.

Vou procurar resumir alguns fatos que bateram de frente no já combalido caixa da empresa. Ao garantirmos um faturamento de R$ 500 mil para respaldar três publicações com recursos oriundos de parceiros do governo do estado, como confirmam as respectivas autorizações de publicidade em meu poder, além das revistas o nosso compromisso com o governo era realizar pesquisas e veicular outdoors.

Com o faturamento garantido, fomos convocados pelo secretário de comunicação do governo, Derli Anunciação, que se fazia acompanhar por Içuriti Pereira, à época presidente da Codesc, e então o homem forte do esquema financeiro do governo.

Em Florianópolis, no comitê de campanha, fomos recebidos por Derli e mais Içuriti Pereira. A eles relatamos os fatos que originaram a publicação da descentralização, relatando inclusive o episódio do envolvimento do governador com a repórter da revista. Incontinênti, Içuriti vociferou: 'Eu sabia que tinha isso no meio e temos que resolver aqui e agora.' Sempre atento e com o meu gravador a bordo, gravei isso também.

Derli nos convocara por ter sabido, através do capitão Renato, ajudante de ordem, que a revista Metrópole poderia executar fornecedores do governo em plena campanha. Isso o governador não poderia permitir. Foi aí que ele soube de outros detalhes da operação, embora já tivesse sido informado pelo secretário Armando Hess de Souza de que uma publicação estava a caminho.

Neste momento, Derli inclusive solicitou que Miguel Bertolini fizesse o pagamento da primeira parcela, o que foi feito alguns dias após. Afinal, o governo estava divulgando sua descentralização."

Esse é o capítulo das páginas 39 e 40. Causa-me estranheza, deputado Jandir Bellini, ouvir depoimentos, como tivemos que ouvir aqui, de alguns parlamentares que certamente tendo que prestar contas ao governo, vêm querer dizer que isso é em função de eleição e falar em ética. Como é que um deputado que vota contra a convocação do secretário para esclarecer esse assunto tem a coragem de vir aqui falar em ética desta tribuna?

Santa Catarina clama por ética, deputado Ivan Naatz! Santa Catarina clama por esclarecimentos! Vir aqui citar essa palavra e no momento seguinte votar contra essa convocação é, no mínimo, questionável.

Que pena que a Assembléia Legislativa não permitiu essa investigação. Que pena! Pena porque as suspeitas aumentam cada vez mais. E as suspeitas começam a envolver aqueles que defendem apaixonadamente como vimos aqui os dois. Começa a envolver. No fundo, no fundo, pode ter alguma ligação, algum benefício, algum favor, algum bom cargo, um bom salário, talvez um medo de que no balaio de siri, ao levantar-se o primeiro possa vir muita coisa engatada.

O nosso compromisso é com a transparência, é com a investigação. No período que integrei o governo que o deputado Carlão defendia tão apaixonadamente, nós nunca sepultamos CPI alguma aqui. Nunca sepultamos! E agora estamos assistindo a essa triste votação. Mandaram o povo fechar os olhos ao não permitir investigação.

Meu Deus do céu, alguns que defendiam tanto a transparência da gestão pública! Que dedicaram uma vida de condenação às oligarquias, às ditaduras, aos militares, agora impedem que a Assembléia cumpra com o seu papel, deputado Sargento Amauri Soares, de investigar de esclarecer! Deputado Décio Góes, que realidade triste que estamos vivendo! Gravações telefônicas, fitas, cópia de cheque, depósito, fotografia de dinheiro, nada disso permite que alguns abram os olhos. Mas por quê? Porque tem o governo do outro lado dizendo: "Olha se votar a favor, eu posso tirar aquela benesse, aquele carguinho bom. E como você vai ficar, depois, sem aquele carguinho bom de bom salário? Isso infelizmente parece que está movendo alguns aqui dentro, e isso há de se lamentar.

Santa Catarina espera mais desta Casa! Espera que a Assembléia esclareça! Esta revista, este exemplar... São vários exemplares, mas neste aqui, deputado Ivan Naatz, estão nove fotografias do Eduardo Moreira e são mais de 20 fotografias. Um patrocínio, que ouvimos as gravações de extorsão, sim, de empresários de bem, deputado Décio Góes, que o senhor conhece, lá de Criciúma que são citados aqui. De presidentes de cooperativa de eletrificação rural que foram ameaçados, chantageados, aqueles sim extorquidos por ninguém menos do que o secretário regional. Propaganda de prefeituras, do BRDE, como bem lembrou o deputado Ivan Naatz. E o governo e os seus não querem permitir investigação. Como pode isso? E ainda falam em ética?

Nós temos que fazer uma reflexão muito profunda, deputado Jandir Bellini. E nós não vamos esmorecer, deputado Pedro Uczai, porque essa é a nossa missão. Tivemos dez votos hoje, porque não estavam todos os nossos aqui, o máximo que poderemos chegar é 14. Mas quem sabe daqui a pouco começaremos a convencer um e mais um, que mesmo estando no governo têm compromisso com a verdade, com o esclarecimento, com a investigação, com a transparência, porque se não o fizerem, daqui a pouco essa lambança patrocinada por alguns vai acabar comprometendo gente de bem que não tem nada a ver com isso, deputado Dirceu Dresch. Esse é o risco que correm.

A base do governo tem muitas pessoas de bem, de bom caráter, de grande história, respeitadas. Mas essa defesa cega do governo poderá comprometer e manchar algumas biografias, daqui a pouco. Esse é o alerta que quero fazer!

Por que não deixar a Assembléia investigar? Por que não esclarecer? Que comprometimento é esse que há? Nós esperamos que haja um grito de liberdade, que cada um possa atuar verdadeiramente, com o juramento, como bem lembrou o deputado Ivan Naatz, quando aqui chegaram, de cumprir com aquilo que a Constituição determina como nossa missão aqui nesta Casa.

Nós estamos aqui, cumprindo com o nosso papel sem medo das ameaças que estamos recebendo, sem medo da chantagem. Não são poucas as ameaças, deputado Pedro Uczai. Mas isso...

(Discurso interrompido por término do horário regimental.)

(SEM REVISÃO DO ORADOR)