98ª Sessão Ordinária - 10/12/2008
A SRA. DEPUTADA ANA PAULA LIMA - Sr. presidente, srs. deputados, é muito bom ver aqui, neste Parlamento, crianças, adolescentes de dois municípios do estado de Santa Catarina. Sejam todos muito bem-vindos ao Parlamento catarinense. Esperamos que vocês sejam os futuros representantes dos catarinenses na Assembléia Legislativa.
Também quero cumprimentar os que nos acompanham pela TVAL, pela nossa Rádio Alesc Digital. Certamente, a nossa luta, deputado Décio Góes, é para que todos os catarinenses tenham o prazer e a liberdade de acompanhar os trabalhos desta Casa em canal aberto.
Srs. deputados e público que nos acompanha, um artigo publicado pela senadora Marina Silva, dias atrás, em que fazia referência à tragédia que aconteceu no estado de Santa Catarina, alertava para uma quantidade de sinais que a natureza tem-nos dado. Em determinado momento ela me fez lembrar Por Quem os Sinos Dobram.
Até parece que o mundo vai acabar quando começa essa época de festejos, de Natal e Ano-Novo. Mas nós, parlamentares, temos aqui a responsabilidade, inclusive, de votar o Orçamento. Por isso, aqui os trabalhos se acumulam muito e as nossas agendas estão cada vez mais cheias.
Nessas nossas agendas cada vez mais carregadas no final do ano e com a nossa atenção focada no auxílio à população dos municípios do vale do Itajaí devido às enchentes e desabamentos ocorridos faz pouco mais de 15 dias, a pergunta por quem os sinos dobram tem estado muito presente nas nossas indagações.
Na Antiguidade, quando a humanidade não tinha a seu dispor a grande quantidade de ferramentas de comunicação que tem hoje - a internet, o telefone, a televisão, a rádio -, os sinos eram os instrumentos de alerta de questões importantes nas comunidades. Em épocas mais remotas, não havia o telefone, a televisão, o rádio, a internet. No entanto, as comunidades ficavam atentas. E quando o sino badalava sabia-se que era para marcar algo importante. Eram notícias de paz ou de guerra, de dor ou de vitórias. Anunciavam a vida, conforme a badalada dos sinos, ou a morte de uma pessoa.
Até hoje algumas igrejas ainda tocam os sinos. Por exemplo, na cidade onde moro, Blumenau, eu sei quando alguém da minha comunidade faleceu também pelo tocar dos sinos da igreja. Os sinos da igreja de Luis Alves também estão tocando, anunciando àquela comunidade, principalmente à comunidade do Braço do Baú, as coisas que estão acontecendo naquele município, porque naquela localidade não há telefone, internet, meios de comunicação. O único sinal ali é o sino da igreja.
Srs. deputados, senhoras e senhores, se quisermos fazer uma analogia, as badaladas foram muito fortes em nosso estado, fortes demais, e causaram e estão causando muita dor e sofrimento para centenas de famílias anônimas ou ainda isoladas, que necessitarão de décadas para curar a sua dor, reconstruir vidas, se é que porventura conseguirão curar a sua dor aquelas que perderam seus familiares.
Agora, a natureza deu os seus sinais, sinais de alerta, num movimento concreto e assustador: ciclones, furacões, o que aconteceu no sul do estado, em Criciúma, e a geada desta noite no município de Lages.
Lembremo-nos, deputados Renato Hinnig e Marcos Vieira, da emenda à LDO apresentada pela bancada do PT, em julho, que previa recursos no Orçamento para o Corpo de Bombeiros de Blumenau. Infelizmente a emenda foi rejeitada pela bancada governista, o que obrigou a nossa Casa, a Assembléia Legislativa, a comprar barcos para a Defesa Civil. Naquela época, em julho, a bancada do PT já pensava que precisava prevenir a Defesa Civil e os bombeiros."
Mas aconteceu a tragédia e a Assembléia Legislativa, srs. parlamentares e quem nos acompanha pela TVAL e pela Rádio Alesc Digital, teve que comprar barcos, capas de chuva, equipamentos para a nossa Defesa Civil.
Era um alerta! Esses sinais apareceram no Morro da Coripós, em Blumenau, onde há um mês já estavam escorregando casas, muito antes dos desastres conhecidos por todos; inclusive, internacionalmente está sendo comentado. Tivemos esses sinais, por exemplo, na casa da sra. Araci Ponciano, na rua Pedro Krauss, em Blumenau, que estava caindo e caiu; depois da casa dela, caiu todo o morro. Isso já estava sendo anunciado.
Outro sinal foi quando o rio Itajaí, no dia 22 de novembro, à noite, já estava seis metros acima do seu nível normal e a Defesa Civil de Blumenau já proclamava pelo rádio: "Não precisam preocupar-se, não haverá enchente". E domingo pela manhã aconteceu a catástrofe.
Esses são os sinais que a natureza vem-nos mostrando e que nós não conseguimos ver, que nós não queremos enxergar.
Deputado Décio Góes, v.exa. que é presidente da comissão de Meio Ambiente, o Código Ambiental é um sinal e nós teremos que votá-lo com muita responsabilidade. Governantes e autoridades têm a missão de, neste momento, com muita responsabilidade, garantir a assistência a todos os atingidos por essa tragédia. É importante recuperar pontes, estradas, casas. É muito importante, sim! Mas também temos que cuidar das pessoas, chegar bem perto delas, ver quais são as suas necessidades e ajudar a reconstruir a vida de quem perdeu quase tudo ou tudo.
Agora, srs. deputados, os sinos continuam a dobrar e as ações do governo estadual devem ser rápidas como o momento exige.
Novos sinais aparecem em conseqüência da calamidade. E ontem fiz um alerta deste microfone, apresentando uma indicação dirigida à secretária da Saúde. Estamos na iminência, sim, de uma contaminação de hepatite A, de leptospirose, de tétano e de outras doenças nas cidades atingidas pelas cheias, e a transmissão da hepatite A ocorre em grande parte pela água. A água que recebemos em nossas torneiras pode estar contaminada, por isso é bom prevenir e vacinar a população. E a água da região que foi atingida pela tragédia está muito ruim ainda. Tanto é que há um alerta para que fervam a água durante 15 minutos.
Imaginem, srs. parlamentares! Se uma senhora colocar para ferver uma chaleira com água por 15 minutos, a chaleira vai secar! Então, por que não vacinar? Essa campanha de vacinação é importante.
A rodovia Jorge Lacerda, a SC-470, está dando sinais de que uma tragédia pode acontecer. A pista em vários lugares está escorregando para dentro do rio. Nós estamos em meia pista, deputado Décio Góes. Enquanto o presidente Lula já mandou arrumar a BR-470, a outra rodovia, ao lado, está em meia pista, e quando cair um carro lá dentro dirão: "Caiu um carro, temos que arrumar". Eu passo por aquela rodovia todos os dias, srs. parlamentares, e todos os dias tenho preocupação não só com a minha vida, mas com a vida dos diversos transeuntes que por lá passam.
Tenho, pois, mais um alerta para o governo do estado: arrume a rodovia Jorge Lacerda, a SC-470, não esperem um carro cair! Depois me perguntam: "Por quem os sinos dobram?" Os sinos dobram por nós, senhores.
Esse é o privilégio, deputado Kennedy Nunes, de fazer um bom discurso e alertar a nossa população que os sinos estão dobrando. As pessoas precisam escutar.
Muito obrigada!
(SEM REVISÃO DA ORADORA)