Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Dado Cherem

95ª Sessão Ordinária - 02/12/2008

O SR. DEPUTADO DADO CHEREM - Sr. presidente, sras. deputadas, srs. deputados, nasci na querida cidade de Brusque e fui criado com muito carinho e adotado pela querida cidade de Balneário Camboriú.

Quero, neste momento, ocupar esta tribuna para me solidarizar com todo o povo brasileiro, com cada cidadão brasileiro pelo gesto nobre com o estado de Santa Catarina, principalmente com as regiões do litoral, do vale e do alto vale do Itajaí, que foram atingidas de maneira perversa, de maneira muito forte, pelas cheias, que causaram inúmeros problemas, desde simples alagamentos de moradias, de ruas, até deslizamentos e mudanças da geomorfologia do estado catarinense.

Isso, com certeza, cria algumas preocupações a curto e médio prazos, que nos deixam, muitas vezes, como homem público, com aquela vontade de querer ajudar, mas com aquele sentimento de impotência. É o que vimos sentindo nesses dez dias de sofrimento, vendo a nossa população, desde a mais tenra criança até o mais idoso, passar por momentos de agonia, de desespero, de sofrimento.

Com certeza, algumas reflexões temos que fazer a partir dessa catástrofe que ocorreu no estado de Santa Catarina. Baseio-me em três preocupações. A primeira delas é a questão ambiental. Acredito que todos nós estamos preocupados com este momento. Há muitos anos a Terra vem dando sinais de alerta em relação ao modo como o nosso planeta vem sendo agredido. E não podemos pensar apenas em reconstruir as nossas cidades, temos que pensar e repensar o modelo como as estamos administrando.

Temos, com certeza, que fazer tudo muito mais amplo. Os homens públicos têm que ter mais coragem para tomar as suas decisões e coragem também para enfrentar o poderio econômico que em nome da economia, em nome do desenvolvimento, passa por cima daquilo que é puro e mais sagrado deste planeta chamado Terra.

Por isso que como deputado estadual, como homem público temos que cada vez mais rever as nossas posições. Tudo se faz em nome do progresso, tudo se faz em nome do desenvolvimento, mas muitas vezes esquecem que vivemos em cidades, que vivemos em comunidades e dependendo da maneira como isso é feito pode refletir em outra localidade. Temos, então, não apenas que reconstruir o conceito, mas repensar profundamente nas administrações das cidades ou dos estados, dos quais fazemos parte.

A segunda reflexão que trago a esta Casa neste momento, srs. deputados e sra. deputada, diz respeito a uma questão que me preocupa profundamente, ou seja, a questão da moradia, a questão do lar, daquelas pessoas que hoje têm uma certa idade e que jamais vão reconstruir as suas vidas, jamais terão condições financeiras, econômicas para reconstruir aquilo que levaram uma vida toda construindo, que é o seu lar, aquilo que é, depois da saúde, de mais sagrado. Então, essas pessoas não terão condições, com certeza, para reconstruir o seu lar.

Por isso faço um apelo, aqui, à bancada do PT, junto com o governo federal. Mas eu tenho que elogiar o presidente Lula pela maneira carinhosa que tem tratado o estado de Santa Catarina, neste momento difícil, colocando os seus ministros à disposição, vindo pessoalmente até o nosso estado. E ele, um homem de origem humilde, sentiu com certeza na pele o sofrimento daquelas pessoas que perderem tudo que tinham.

Por isso faço um apelo à bancada do PT, no sentido de tratar com muito carinho essa questão da política habitacional e fazer uma parceria com os estados, com os municípios, para recompor aquilo de mais sagrado que uma família tem, que é o seu lar. É muito importante porque muitas famílias não perderam apenas suas casas, perderam sua terra, o seu lote. Ou seja, não existe nem mais o local onde estava a sua habitação.

Acredito que teremos que nos reunir em outro momento para construir com certeza uma política voltada para isso, porque não é com R$ 10 mil, com R$ 15 mil, com R$ 20 mil que se vai construir uma casa, uma habitação para uma família. É um problema muito difícil e não pode ser solucionado de uma maneira simplória. Mas têm que estar unidos o município, o estado e a união para resolver esse problema que talvez eu considere um dos mais difíceis de todos, para que sejamos justos com essas pessoas, no sentido de que tenham as suas casas de volta.

O terceiro ponto que me traz a esta tribuna, na tarde de hoje, sr. presidente, é a questão de profissionalizar a nossa Defesa Civil. Nós pudemos vivenciar o ato de bravura de policiais militares, de bombeiros, do Exército, de voluntários, verdadeiros heróis anônimos que não aparecem no dia-a-dia. Foi um ato de bravura deles, sim, se meter muitas vezes em locais inóspitos, para tentar ajudar o próximo. Mas com certeza temos que ter uma Defesa Civil profissional, uma Defesa Civil voltada para as catástrofes, para as tragédias, para poder lidar com esse sentimento de perda, porque muitas vezes estamos emocionalmente envolvidos e não conseguimos discernir o que tem que ser feito, o sim que tem que ser dado ou o não que tem que ser dado naquele momento.

Estou convencido disso porque pude observar nas cidades de Balneário Camboriú e Itajaí, num momento de desespero, onde a água estava subindo, batendo na altura do peito de uma pessoa com estatura normal, que muitas vezes, por mais boa vontade que o bombeiro ou o policial tivesse, colocando sua vida em risco por falta de material apropriado, eles tiveram dificuldades de socorrer essas pessoas.

Por isso é necessário e urgente dar condições de trabalho para esse profissional, quer seja da Polícia Militar, quer seja da Polícia Civil, quer seja do Corpo de Bombeiro. Enfim, é muito importante ao profissional voltado para essa área trabalhar com os acessórios adequados para que realmente possa fazer um bom trabalho.

Faço uma pergunta a todos os deputados que viveram isso: como dar comida e água para 100 mil pessoas em 24 horas? É humanamente impossível, não há logística que dê jeito em tão pouco tempo para matar a sede e a fome de 100 mil pessoas, como foi na cidade de Itajaí, em menos de 24 horas.

Vi o prefeito Volnei Morastoni em lágrimas! Vi o prefeito eleito Jandir Bellini em lágrimas, muitas vezes com aquela sensação de ter que fazer, mas como fazer?!Por isso fica aqui essa reflexão de termos, sim, profissionais voltados para a área civil que saibam lidar com tragédias desse aspecto.

Quero aqui também me solidarizar com o prefeito eleito Jandir Bellini, com a bravura do nosso vice-governador Leonel Pavan, que não arredou o pé um minuto da cidade de Itajaí para tentar ajudar toda aquela região, como também foi incansável o nosso governador Luiz Henrique, que tem dado demonstração de amor e carinho por essa terra jamais vista, desde a senadora Ideli Salvatti ao deputado federal Décio Lima, que não mediram esforços, quer seja no âmbito do governo federal, como o deputado federal Paulinho Bornhausen, enfim, todos aqueles que arregaçaram as mangas para ajudar o povo catarinense.

Por isso quero, como deputado estadual, como morador de Balneário Camboriú e como representante daquela região, agradecer a todos, agradecer à imprensa de um modo geral, principalmente ao Corpo de Bombeiros, à Polícia Militar, à Polícia Civil, ao Exército, que trabalharam em conjunto para diminuir a tragédia de Santa Catarina.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)