Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Manoel Mota

59ª Sessão Extraordinária - 12/12/2007

O SR. DEPUTADO MANOEL MOTA - Sr. presidente, sras. deputadas, srs. deputados, visitantes que nos dão a honra de prestigiar o Parlamento catarinense, telespectadores da TVAL, ouvintes da Rádio Alesc Digital, gostaria de dizer que esta tribuna reflete o pensamento, a luta, o trabalho de toda sociedade, que aqui é a caixa de ressonância da sociedade. E o Edison Andrino, eminente deputado, levantou uma questão muito importante, a questão da pesca.

Em Araranguá, há um século e meio existe a tradição da pesca de tainha de caniço. E lá as pessoas pegam 50 tainhas, 60 tainhas, 70 tainhas de anzol, de caniço, para sobrevivência - 5% são para diversão e 95% é para sobrevivência. E essas leis que acabam sendo aprovadas em Brasília, sem ter uma audiência pública para ouvir a sociedade, acabam marginalizando uma história tão linda que é a pesca de tainha de caniço, que é o turismo, assim como os pescadores de tarrafa. Também gosto muito de pescar, inclusive costumo abrir uma tarrafa bem grande, podem ter certeza. Não pesco mais porque não dá, a vida pública carregou esse divertimento da gente. Mas vejo os profissionais que estão ali garantindo o seu sustento sendo prejudicados com essas ações. Então, evidentemente que eu vou, sim, participar dessa reunião com a comissão do Meio Ambiente, para que possa levar para Araranguá, estender e buscar uma solução.

Tivemos uma reunião, sábado, em Araranguá, com mais de mil pescadores de caniço, todos se cadastrando, para ver o que podemos fazer para inverter esse processo. E vamos inverter, com certeza. Se eu estivesse em Brasília, teria feito uma lei regulamentando essa pesca, como a pescaria artesanal dos pequenos pescadores. Os grandes pescam de barco, às vezes, além do limite, e não têm grandes fiscalizações. Mas o pequeninho é fiscalizado, é punido, e isso acaba prejudicando toda uma sociedade.

Srs. deputados, hoje, neste Parlamento, nunca uma cena me chamou tanta atenção, durante todos os meus mandatos, e já estou no quinto, eis que nunca vi alguém fazer um aparte com tanta lucidez, com tanto conteúdo, como fez o deputado Nilson Gonçalves. S.Exa. disse que o eminente deputado Joares Ponticelli é um bom cidadão, um cidadão de bem, mas quando sobe na tribuna transforma-se.

O deputado Nilson Gonçalves usou as palavras corretas e quero cumprimentar s.exa. Não pude cumprimentá-lo na hora porque estava ocupado, mas depois quero fazê-lo, porque ele colocou as palavras certas. Quando o deputado Joares Ponticelli chega aqui ele se transforma.

Quando o governador vai inaugurar um trecho asfaltado de uma cidade do PP, o prefeito vai lá, abraça o governador, rasga elogios, diz que em outras vezes foi enganado e que tem muito a agradecer ao governador. E o governador foi a outra região, como em Turvo, ontem, e o prefeito do PP, José Brina, agradeceu ao governador pela obra, no valor de R$ 5 milhões, de uma estação para a cooperativa, que ajudou a levar energia num grau elevado. Também em Sombrio, o prefeito do PP, o presidente da Fecam, estavam lá. É claro, foi a entrega do Corpo de Bombeiros à sociedade. Mas o eminente deputado Joares Ponticelli se fixou numa coisa e não consegue enxergar. O cego não é aquele que não enxerga, é aquele que tem vista e não quer enxergar. Esse para mim é o verdadeiro cego. Então, é preciso fazer um tratamento. O lugar adequado para o deputado Joares Ponticelli é na novela da Globo, porque dá para ensaiar, inventar, criar.

Ele diz tanta coisa que depois acaba atrapalhando-se. E fico triste porque ele faz um pronunciamento, ou melhor, esquenta o caldo e desaparece. Por isso, eu o chamo de caratoca, que é um peixinho, um carazinho pretinho que belisca e foge. Ninguém o pega. Ele acaba fugindo, e não dá para podermos falar.

O que acontece é que o deputado Joares Ponticelli disse, na semana passada, nesta Casa, que havia 40 escolas interditadas, 40 escolas em Santa Catarina interditadas. Então, é preciso que ele venha aqui e peça desculpas para a sociedade, porque tenho aqui um levantamento do gerente de obras, da assessoria parlamentar, informando das escolas interditadas oficialmente. Temos quatro escolas interditadas em Santa Catarina, para construir prédios de primeira qualidade, de primeiro mundo, pelo secretário de Educação, no estado de Santa Catarina, pelo governo do estado.

Então, o deputado Joares Ponticelli precisa vir aqui pedir desculpas à sociedade e dizer: "Sociedade catarinense, desculpem-me pelos meus equívocos, pelos meus erros, porque não sei fazer outra coisa a não ser criticar o governo do estado." É preciso que s.exa. apresente alguma coisa para a sociedade da região dele, alguns projetos, porque ainda não vi nenhum projeto do deputado Joares Ponticelli. Realmente é vazio, é só discurso de Oposição. E acho que quando ele se transforma deve ter alguém, lá de fora, que bota aquela molinha, uma gasolina azul do Schumacher, para que ele fique assim. Deve ser, com certeza, o seu ex-governador, porque ele tem a mesma característica e não sabe fazer outra coisa a não ser criticar.

Ele criticou o Paulo Afonso, antes das eleições, até ganhar. Quando ganhou, ficou quatro anos criticando e esqueceu de construir obras no estado de Santa Catarina. Aí não precisa dizer o que aconteceu: primeira derrota, segunda derrota. E vai ter a quarta, vai ter a quinta e vai ser assim, porque quem não constrói uma obra, quem não planeja, quem não apresenta projetos à sociedade, acaba. Acabou aquele tempo em que os mitos apareciam, transformavam-se e ganhavam as eleições. Acabou isso.

Está aqui, temos quatro escolas, sendo licitadas, sendo construídas, interditadas, mas o resto está tudo no clima de normalidade. Ele criticou Tubarão, dizendo que existiam quatro escolas interditadas em Tubarão. Mas os vereadores do PP dele mandaram uma moção para cá parabenizando as escolas de primeiro mundo que foram construídas lá em Tubarão. É, não dá para entender!

Então, é preciso resgatar a verdade. Até acho que como professor o eminente deputado, um homem de bem, não pode usar esses palavrões - governo mentiroso. Olhem, orgulho-me de ser caminhoneiro, mas como caminhoneiro eu até posso usar uns palavrões. Mas ele, um professor, usa um tipo de palavreado que sinceramente não cabe dentro desse Parlamento. Dizer que o governador é mentiroso?! Meu Deus, está faltando muito preparo no Parlamento. E sei que não é para mim nem para outros parlamentares, mas é para aquele que não respeita as autoridades constituídas pelo voto popular do povo catarinense. É preciso fazer isso, é preciso lembrar isso: enquanto o governador anda por aí aplaudido, o deputado não enxerga, não vê e acaba fazendo isso aqui.

O Sr. Deputado Elizeu Mattos - V.Exa. me concede um aparte?

O SR. DEPUTADO MANOEL MOTA - Pois não!

O Sr. Deputado Elizeu Mattos - Nobre deputado, nosso líder, deputado Manoel Mota, fui provocado e quero aqui só reafirmar que afirmei que não podemos ser levianos. Não afirmei que o deputado A ou deputado B estava sendo leviano. E até pediria para retirar essa palavra. Mas não retiro nada do que falei. Se serviu a alguém, que vista e fique, porque esta é uma Casa para se debater, e temos mais coisas para fazer aqui do que inventar e fazer fofoca.

Outra coisa, aqui ninguém é juiz, não somos um fórum, não somos um jurado, não somos um juiz. Quem julga é o juiz, é os jurados, é o fórum, não somos nós que julgamos as pessoas aqui dentro da Casa.

O Sr. Deputado José Natal - V.Exa. me concede um aparte?

O SR. DEPUTADO MANOEL MOTA - Pois não!

O Sr. Deputado José Natal - Deputado, quero dizer a v.exa. que a sua preocupação é a mesma minha. Eu já disse, às vezes penso que o deputado Joares Ponticelli, faz muito tempo, está fora de uma sala de aula, que ele não sabe realmente como está a educação no estado de Santa Catarina.

(Discurso interrompido por término do horário regimental.)

(SEM REVISÃO DO ORADOR)