Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Joares Ponticelli

61ª Sessão Ordinária - 04/08/2009

O SR. DEPUTADO JOARES PONTICELLI - Sr. presidente, sras. deputadas, srs. deputados, catarinenses que nos acompanham através da TVAL, da Rádio Alesc Digital, bom retorno a todos os deputados desse período que muitos pensam ser de férias, de descanso. Mas pelo que pudemos perceber, e a imprensa noticiou, praticamente a totalidade dos integrantes desta Casa aproveitou essas duas semanas de recesso exatamente para buscar um novo contato com as bases, com as lideranças. Essa é a função do mandato parlamentar, deputado Dirceu Dresch. Ninguém pode representar aquele com quem não convive.

Então, muitas vezes se imagina o recesso de forma equivocada, ou seja, como um período de viagem, de passeio, de descanso, mas nada mais é do que uma oportunidade que os parlamentares têm de voltar às suas bases. O nosso partido, por exemplo, aproveitou esse período para percorrer 23 microrregiões de Santa Catarina. Realizamos três reuniões por dia: uma às 9h, outra às 15h e outra às 19h, deputada Ada De Luca, todas com cerca de quatro horas de duração, deixando as bases do partido falar, exercitando esse processo democrático internamente. E, é claro, as lideranças em cada município são aquelas que se envolvem no dia-a-dia da atividade política, não apenas partidária, dos municípios como um todo.

Assim sendo, foi um exercício extremamente positivo. E além de movimentar o partido, de fazer essa militância partidária, nós pudemos renovar, nesse período, os nossos compromissos com as bases, ouvir as lideranças em cada microrregião de Santa Catarina, num trabalho extremamente positivo, ao qual quero, nesse retorno das atividades, fazer referência.

Quero aproveitar também, já que são vários os assuntos que se acumularam ao longo dessas duas semanas e sei que muitas pessoas do governo nos assistem neste momento, para registrar que recebemos manifestações de diversos funcionários da Cohab, de dirigentes sindicais, enfim, de funcionários que estão na expectativa de que a presidente da Cohab possa assinar, deputada Ada De Luca, o acordo coletivo de trabalho.

Desde março que os servidores da Cohab esperam e aguardam a manifestação da presidente, mas parece-me que ela tem muita dificuldade de diálogo com eles e com a sua representação. E eu faço um apelo ao nosso querido deputado Manoel Mota, que é irmão da presidente, que não está aqui neste momento, mas que deve estar-nos acompanhando, no sentido de sensibilizar o coração da sua irmã, que é a presidente da Cohab, para que assine o acordo coletivo de trabalho, uma vez que os servidores daquela empresa aguardam pela sua manifestação.

Quero registrar também, deputado Sargento Amauri Soares, a nota que li hoje na coluna do Cacau Menezes, no Diário Catarinense, que no mínimo é intrigante. O título da nota é "Bom de boca". Assim consta em sua coluna:

(Passa a ler.)

"Bom de boca

Aldo Hey Neto, o Aldinho para os íntimos, janta pelo menos três vezes por semana no melhor restaurante de Curitiba, paga em cash e diz para os garçons que ganhou muito dinheiro realizando trabalho tributário, em 2002, para a Secretaria da Fazenda de Santa Catarina.

E ainda saiu daqui, depois de preso pela Polícia Federal, falando mal de Florianópolis. Colunista é um dos seus alvos preferidos."[sic]

É bom salientar que Aldo Hey Neto trabalhou na Fazenda no período anterior do Luiz Henrique; não foi agora no período do secretário Antonio Marcos Gavazzoni.

Mas a verdade é que Aldinho continua foragido. Eu imaginava que ele estivesse foragido da Polícia Federal, deputado Cesar Souza Júnior, mas não, parece-me que ele, segundo a coluna de Cacau Menezes, está nos melhores restaurantes de Curitiba gastando o dinheiro fácil que ganhou, deputado Renato Hinnig, durante o período em que serviu o governo de Santa Catarina. Para quem não se lembra bem, foi no apartamento de Aldinho que foram encontrados quase R$ 2 bilhões em espécie no mês da reeleição do governador Luiz Henrique. E até hoje aquele crime, com aquela dinheirama toda, sequer foi esclarecido.

Outra preocupação que conseguimos recolher nesse período, deputada Ada De Luca, e isso nós ouvimos e sentimos por toda Santa Catarina, é a do crescimento da violência, deputado Dionei Walter da Silva. Não houve uma reunião que nós realizamos com as lideranças em que o assunto segurança pública ou insegurança pública não tenha sido abordado. E em São Miguel d'Oeste, deputados Gelson Merísio e Moacir Sopelsa, v.exas. que são das bandas de lá, nós ouvimos o depoimento mais cômico, se não fosse trágico. O secretário sempre candidato e sempre em campanha Ronaldo Benedet levou algumas viaturas para atender a guarnição daquela região e ao invés de colocá-las a rodar, deputado Dionei Walter da Silva, ele as expôs, durante quase 30 dias, em frente à SDR. As viaturas ficaram expostas com faixas fazendo propaganda de campanha para Ronaldo Benedet. E a notícia, repito, seria cômica se não fosse trágica: roubaram os pneus da viatura que estava exposta antes de ela rodar. Deputado Sargento Amauri Soares, roubaram os pneus da viatura que estava exposta para fazer campanha para o secretário Ronaldo Benedet. Até isso está acontecendo em Santa Catarina! Os ladrões, repito, roubaram os pneus da nova viatura que estava em exposição!

Quando contaram isso, nós imaginamos que fosse piada, mas é a triste realidade de Santa Catarina.

E eu ouvi esta semana, deputado Sargento Amauri Soares, o governador fazendo um desabafo ao dizer que essa situação não pode mais continuar, que é preciso colocar policiais nas ruas, porque reduziu muito o número de policiais nas ruas; que é necessário tirá-los das funções administrativas e colocá-los nas ruas.

Quando ouvi o governador dizer isso, eu imaginei que aquele fosse o dia da sua posse, porque esse discurso de um governador é admissível no dia da posse. Esse discurso que ele fez está, no mínimo, com sete anos de atraso.

E, o que é pior, dados da região norte da ilha mostram que o contingente de policiais reduziu-se pela metade durante os últimos sete anos, ao longo deste governo. E aí o governador esbravejou que é preciso aumentar o policiamento na rua. Esqueceu ele que não está na posse, mas está quase fazendo, graças a Deus, o discurso da renúncia.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)