Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado João Henrique Blasi

82ª Sessão Ordinária - 11/10/2006

O SR. DEPUTADO JOÃO HENRIQUE BLASI - Sr. presidente, sras. deputadas e srs. deputados, o que nós estamos a assistir hoje aqui na Assembléia e o que repercutem os jornais deste dia muito se assemelha a um enredo de novela, quem sabe, em que um homem enamorado busca loucamente pela mulher amada, a quem faz todas as juras de amor, mas ela, negando-se a desposá-lo, no dia seguinte ele muda todo o seu sentimento e passa a desqualificar publicamente aquela a quem ele, no dia anterior, havia feito todas as juras de amor.

É exatamente esse o quadro, é exatamente esse o enredo que nós estamos vendo hoje, aqui, pelas intervenções feitas há pouco, e é o que, estamos lendo, repercutem os jornais de grande circulação no estado de Santa Catarina.

Um candidato, que passou para o segundo turno, buscou o apoio entre todos aqueles que participaram com ele no processo do primeiro turno, não tendo conseguido esses apoios, aqueles a quem ele ontem elogiava, enaltecia e tecia elogios públicos, hoje, pelo fato de terem feito outra opção, já não mais servem, já não mais têm qualidades. Ora, é preciso que haja um mínimo de coerência. Valiam ou não valiam aqueles apoios? Ou só valiam as qualidades daqueles candidatos se tivessem feito aquela opção e não a que efetivamente fizeram?

Cabe aqui uma pergunta: como pode um candidato pretender agregar novos apoios, se ele não consegue sequer manter o apoio de velhos aliados? Eu penso que é algo que não tem precedentes na história de Santa Catarina! Alguém que já governou o estado em duas oportunidades, teve consigo, ao seu lado, durante quatro anos, dois vice-governadores, e onde estão hoje, em termos de apoiamento político, esses dois ex-governadores do sr. Esperidião Amin? A quem está apoiando o ex-vice-governador Victor Fontana? A quem está apoiando o ex-vice-governador Paulo Bauer? Ao sr. Esperidião Amin, de quem foram vice, de quem estiveram lado a lado, repito, há quatro anos no exercício do poder? Não! Fizeram outra opção, vislumbraram uma nova perspectiva, conheceram um novo caminho.

Então, deputado Peninha, como pode alguém pretender somar novos aliados se sequer consegue manter o apoio daqueles que um dia a ele aliados foram? Quer dizer, então, que se o PSB e se o PDT estivessem apoiado o sr. Esperidião Amin, aí estaria tudo certo? Aí não haveria nenhum tipo de crítica? Quer dizer, então, que apoiar Amin seria um gesto republicano e apoiar Luiz Henrique, pelo que foi dito, beira o fisiologismo. Essa é a lógica de quem se pretende o dono da verdade. Essa é a lógica para quem com relação a ele tudo é correto e com relação ao seu adversário tudo é errado.

Na verdade, o que se verifica é que o desespero ronda as hostes adversárias. A se considerar o apoio explícito de apenas um daqueles que concorreram ao cargo de governador no pleito do dia 1º de outubro, parece que estamos na iminência de ver reeditada em Santa Catarina aquela velha dupla caipira, Alvarenga e Ranchinho.

É preciso, no processo político, que haja serenidade. É preciso que no processo político haja coerência. Não é admissível que a verdade de hoje não seja mais a mesma verdade amanhã. Não é possível que eu faça um elogio hoje a alguém e amanhã, pelo simples fato de que esse alguém não veio junto comigo e no meu projeto, eu procure desqualificar publicamente essa pessoa. E não é outro o fato senão esse, o que estamos vivenciando agora. Essa é a realidade daquele que se pretendia o dono da verdade e que vê, a cada dia, desmoronar o seu castelo de areia.

A cada dia que passa a sedimentação de apoios em favor da candidatura de Luiz Henrique é algo efetivo. E por isso o desespero, por isso a tentativa de desqualificação de todos quantos expressam publicamente esse tipo de apoio.

O importante, no entanto, é que na verdade o ex-governador Luiz Henrique, que eu nunca me canso de repetir e faço questão de reafirmar, foi o único, deputado Peninha, entre os 16 governadores deste país candidatos à reeleição, que teve, aí sim, o gesto republicano de renunciar ao seu mandato. Nem o presidente da República isso fez! E continua para cima e para baixo, no Aerolula, com todas as vantagens e mordomias inerentes ao cargo de presidente da República, confundindo, como ele próprio já confessou, a condição de candidato com a condição de chefe do Executivo.

O nosso candidato, deputado Peninha, foi o único a ter essa atitude, que nunca foi engrandecida aqui, pela Oposição, porque dela não se pode esperar o mínimo gesto de reconhecimento, em função de uma atitude como tal. O que se vê é o desfilar cotidiano, diário, de críticas infundadas, de um requentar de velhos assuntos que não colaram perante a opinião pública, mas que aqui, todos os dias, se faz um esforço mais do que hercúleo para buscar mantê-los na ordem do dia.

Enquanto isso os dias passam, a eleição se aproxima, e com certeza haveremos de consolidar o resultado ainda mais importante, ainda mais expressivo do que foi aquele colhido no primeiro turno, com uma diferença histórica superior a marca dos 500 mil votos.

O Sr. Deputado Rogério Mendonça - V.Exa. me concede um aparte?

O SR. DEPUTADO JOÃO HENRIQUE BLASI - Ouço o eminente deputado Peninha, nosso líder da bancada do PMDB.

O Sr. Deputado Rogério Mendonça - Sr. deputado João Henrique Blasi, gostaria de parabenizá-lo por suas colocações, mas antes, se me permite, quero parabenizá-lo pela sua eleição, uma eleição bonita. E muitos até colocavam em dúvida a possibilidade da sua reeleição frente a outras candidaturas aqui, na Grande Florianópolis. Mas com certeza para o Parlamento é muito bom a sua eleição, assim como para o PMDB é muito bom. E v.exa. realmente surge como uma grande liderança do PMDB na Grande Florianópolis e no estado de Santa Catarina. Meus parabéns, justiça se fez a esse grande parlamentar!

Em relação ao governador Luiz Henrique v.exa. tem toda a razão. É um grande estadista, uma pessoa que realmente sabe o que faz, afastou-se do governo, de todos os seus atos, que nós até num determinado momento contestávamos. E hoje vemos que fez acertadamente, inclusive, as coligações com todos os partidos. Eu mesmo fui um crítico da coligação, porque achava que daria prejuízo ao nosso partido, mas hoje vemos que não. Então, todas as atitudes dele estão sendo corretas. E hoje, a maioria dos partidos que concorreram como nossos adversários no primeiro turno estão vindo se somar a nós, ao Luiz Henrique, nesse seu belíssimo projeto de Santa Catarina.

Portanto, sabemos que a sociedade catarinense praticamente já definiu. Temos pesquisas internas que demonstram o crescimento da candidatura do Luiz Henrique, com uma diferença cada vez maior. Portanto, consolidada vejo a eleição de Luiz Henrique no segundo turno.

Evidentemente que os nossos adversários estão ainda tentando, de alguma forma, mudar o resultado, mas essa maneira com que estão fazendo política cada vez mais enterra a possibilidade de terem alguma chance no segundo turno.

V.Exa. tem total razão. Luiz Henrique sabe o que faz, está fazendo correto e vai fazer muito melhor ainda nos próximos quatro anos.

Parabéns, deputado João Henrique Blasi!

O SR. DEPUTADO JOÃO HENRIQUE BLASI - Deputado Peninha, quero agradecer a intervenção de v.exa. e quero agradecer, em primeiro lugar, as palavras que me foram dirigidas, que com certeza brotam da bonomia que é característica da personalidade de v.exa., quando registra o feito de havermos retornado a esta Casa. E quero retribuir com igual manifestação, também dizendo da minha satisfação pessoal pela recondução de v.exa. com uma expressiva votação, como aliás imaginávamos que seria, pela sua condição de um deputado integrado às raízes da sua região eleitoral, um deputado que fundamentalmente estadualizou o seu nome e que tem na labuta do dia-a-dia a marca do seu trabalho como um deputado que, por essa razão, granjeou o respeito de mais de 50 mil eleitores do nosso estado e que carimbou, digamos assim, o passaporte para dar continuidade a mais um mandato, o terceiro de v.exa., aqui nesta Casa. E muito prazerosamente estaremos juntos ao longo do próximo mandato.

Quero então, sr. presidente, concluindo a minha manifestação, dizer que após a eleição tenho tido a oportunidade de me dedicar a recuperar um pouco o tempo de leitura e aconselharia a muitos, quem sabe, a todos, neste momento político que estamos vivendo, que é muito efervescente, que é muito permeado por manifestações de caráter emocional, em que a razão, via de regra, cede espaço à emoção. Então, tomo a liberdade de sugerir o livro que nesses dias estou lendo, de Norberto Bobbio, Elogio da Serenidade.

Muito obrigado, sr. presidente.

(SEM REVISÃO DO ORADOR)