Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Ronaldo Benedet

90ª Sessão Ordinária - 18/11/2003

O SR. DEPUTADO RONALDO BENEDET - Sr. Presidente e Srs. Deputados, com muito orgulho, juntamente com os Deputados Romildo Titon e Francisco de Assis, representamos a Assembléia Legislativa nos dias 3, 4 e 5 de novembro na ExpoManagement, o maior evento mundial para executivos e administradores do mundo realizado em São Paulo. Santa Catarina estava lá, o Sebrae e o nosso Secretário de Planejamento Armando Régis de Souza.

Não vimos nenhum órgão do Governo, de cidade ou de Estado, nenhum do Brasil, e o tema era de extrema importância para o Poder Público, para a administração pública porque falou-se o que é de mais avançado em matéria de gestão no mundo. E do Brasil, infelizmente, não estava lá o setor público.

Hoje não se fala mais em administração de empresas; fala-se em gestão, em administração como um todo, seja pública ou privada. Infelizmente, lá acabamos ouvindo uma crítica ao Brasil, principalmente ao Poder Público, que na era, na terceira onda, segundo Alvin Toffler, que nos falou sobre futuro, o Brasil não fez o dever de casa, não investiu o suficiente em educação.

Houve uma crítica forte às nossas universidades, ao nível das universidades, que não são aquilo que precisamos ter na era do conhecimento, da competitividade de mercado internacional. Deram o exemplo da China, um país pobre, pode-se dizer até quase miserável há 25 anos (ainda pobre em muitas regiões), mas a cada 10 anos duplica a sua renda per capita; a cada 10 anos melhora e duplica a sua qualidade de vida.

Houve críticas ao Brasil por não ser líder, por não ocupar o mercado comum da sua região e não fazer com que ele se transformasse numa realidade, que é o Mercosul.

Na verdade, nós estamos é a brigar com a Alca e ficamos na teoria na questão do Mercosul. E nós, de Santa Catarina temos muito prejuízo com isso, a economia brasileira tem muito prejuízo com isso porque não consegue dominar, criar e liderar de forma efetiva, a não ser agora, por um passeio que fez e pelas posições que toma o Presidente Lula, mas isso é apenas no campo político, pode-se desmontar em um mês, com uma decepção.

Nós precisamos, efetivamente, no bom sentido, ser agressivos no mercado local e regional, que é nosso, da América Latina, no Mercosul, no Conesul.

Alvin Toffler estava no evento. Ele é considerado hoje o homem que mais sabe de futurismo no mundo. Estava lá Hyrum Smith, o homem que mais entende de pessoas e relações no mundo em termos de administração, de incorporação. Estava lá Daniel Goleman, autor de livros de Inteligência Emocional, passando-nos conhecimentos da importância, na era do conhecimento, das relações que temos que ter e das peculiaridades das pessoas que sabem dominar a sua inteligência emocional. Estava lá Malcom Williamson, o homem que falou sobre alianças estratégicas. E sobre o Brasil, no campo político e no campo regional, as alianças que nós teríamos que ter feito nos mercados.

O único brasileiro, com evidência, foi Washington Olivetto, que falou sobre publicidade. Estava Don Peppers, que falou sobre marketing, dando a referência importante do que o nosso País tem que fazer em relação aos produtos brasileiros; as nossas relações; a fidelidade das nossas relações, e com isso as importantes visitas que o Presidente Lula faz à África e aos países mais pobres, mas também a consolidação que temos que ter nas nossas relações com os países mais ricos, consolidando o nosso mercado.

Frank Maguire falou sobre satisfação do cliente, um dos idealizadores da Fedex. E em relação a essa questão também da fidelidade do cliente, da competência que nós temos que ter na entrega do nosso produto, da confiança das pessoas, que nós, políticos e administradores do País. Michael Porter, infelizmente, fez uma crítica severa ao Brasil, dizendo que o País não fez o dever de casa.

Estava lá também o maior economista do mundo, Jeffrey Sachs, homem do Banco Mundial e consultor para diversos países em matéria de economia. Teceu elogios ao Brasil, dizendo que é um País alegre e criativo, e também, infelizmente, que tem muito a fazer nas relações com os países vizinhos e, principalmente, investimento na educação porque na globalização da economia tem que haver competitividade. E fez uma crítica severa ao Brasil, dizendo é um dos países que menos registra patentes. Isso significa dizer que o Brasil quase não tem inventos, que tem que importar tecnologia e invenção e que o Brasil está bastante atrasado na questão de investimento em ciência e tecnologia.

Enquanto os Tigres Asiáticos, do Leste da Ásia investem até 3% do seu PIB, o Brasil investe menos de 1%. A Argentina, nossa vizinha, menos de 0,5%. Isso está nos transformando numa região pobre! Estamos perdendo a corrida desenvolvimentista da globalização.

Nós não podemos dizer que vamos ficar isolados do mundo, porque não vamos ficar. Nós vamos isolar é o nosso povo, a nossa economia, e a miséria, os problemas sociais e a criminalidade vão aumentar. Nós precisamos modernizar a administração pública.

Houve uma crítica severa tanto à esquerda quanto à direita brasileira com relação àquilo que, infelizmente, acabaram sendo (tanto esquerda quanto direita): extremamente conservadores, passivos ao não aceitar as mudanças que o mundo está vivendo.

Foi levantado por Jeffrey Sachs que uma das regiões mais pobres do planeta terra comparadas com a África está aqui na região andina. Isso é muito triste para nós.

E outros falaram, como Frederick Reichheld, as brasileiras Chieko Aoki, proprietária da rede Blue Tree Tower; Eneida Bini, vice-Presidente mundial da Avon e Presidente nacional brasileira da Avon, e Luiza Helena, proprietária de uma das maiores redes de lojas do Brasil. E encerrou Anita Roddick falando sobre empreendedorismo.

Vimos que foi uma aula importante de conhecimento e deu para ver que nós estamos precisando muito, tanto o setor público quanto o setor privado, preparar o nosso povo com conhecimento, com educação para a era que vivemos. E só assim, então, vamos ter condições de termos liberdade, competitividade, renda, melhor qualidade de vida, salário para os funcionários públicos, melhoria de salário para os trabalhadores, diminuição de desemprego.

Para isso somente com conhecimento, com capacitação e nos enquadrando na era do conhecimento.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)