53ª Sessão Ordinária - 10/08/2005
O SR. DEPUTADO JOSÉ CARLOS VIEIRA - Sr. Presidente, sras. Deputadas, srs. Deputados, assomo à tribuna, em primeiro lugar, para fazer uma saudação a um ilustre companheiro. Soubemos, recentemente, que esse grande homem público que quero reverenciar volta à vida política ativa pretendendo disputar cargo nas próximas eleições.
Quero dizer que recebo, sendo seu companheiro, com muita alegria, essa notícia e tenho certeza de que todos os catarinenses vão concordar comigo que é muito bom ver o ex-Senador Geraldo Althoff pretendendo voltar novamente à vida pública.
Eu tive a oportunidade de ser seu companheiro, em Brasília, na Câmara Federal, e ele no Senado. Ele é um Parlamentar de grande categoria profissional, de grande empenho, destacou-se muito no Senado, como foi, no passado, o nosso ex-Senador e ex-Governador Vilson Kleinübing, de quem temos uma memória muito boa e saudável, através das suas atitudes, das suas realizações.
O ex-Senador Geraldo Althoff granjeou logo a confiança e a admiração de todos no Senado e no Congresso Nacional. Por isso é que queremos saudá-lo e dizer que desejamos pleno sucesso, êxito na sua caminhada para a Câmara Federal, nas próximas eleições.
Quero dizer, também, Sr. Presidente, que a vida de Geraldo Althoff significa muito para Santa Catarina nesse panorama atual que estamos vivendo. Um panorama desalentador, em nível de política nacional, para o eleitor que se sente perplexo diante de tantos acontecimentos negativos em nosso país. E o ex-Senador Geraldo Althoff é uma figura que paira acima de qualquer dúvida. Por isso a sua volta à vida pública certamente trará algum alento para os nossos eleitores. É de homens desse quilate que precisamos para compor os nossos quadros políticos.
Mas quero dizer, fazendo referência ainda a esse estado de coisas em nosso país, a esses fatos negativos na política, de norte a sul, de leste a oeste, que estou assistindo a alguns equívocos. O primeiro equívoco é o fato de o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva dizer que essa crise política é devido às elites brasileiras ou a Oposição.
Não quero discorrer a fundo sobre isso porque é público e notório que o povo do país inteiro está percebendo que o Presidente da República está tentando, em vão, transferir a culpa para as elites e para a Oposição, quando a culpa é interna corporis, ou seja, está dentro das próprias hostes partidárias do PT e de seus companheiros.
O segundo equívoco ao qual me refiro é que querem comparar, hoje, a trajetória do ex-Presidente Fernando Collor de Mello com a trajetória do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O Fernando Collor de Mello era, pode-se assim dizer, um aventureiro, coisa que o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva não é e nem tampouco o seu partido.
O PT foi construído, todos nós sabemos, com o sacrifício de muitos trabalhadores com ideais; cresceu com uma forte base partidária ao longo de muitos anos; pretendeu instalar no país as suas idéias, a ideologia socialista, e o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva é um homem de muita luta, de muita garra, de muita história, não podemos negar. Então, é um equívoco querer compará-lo com o ex-Presidente Fernando Collor de Mello ou ao governo Collor de Mello.
Mas também não quero discorrer sobre este assunto, quero, sim, perceber por trás deste acontecimento de agora um fato que me chama mais atenção. A sociedade mundial tem buscado a evolução econômica, a criação de novos fatos econômicos, a evolução da pessoa humana na política, buscando novos caminhos políticos para as diversas nações do mundo. E entre essas tentativas, como alternativa ao capitalismo, surgiu o socialismo com muita força e vigor, sendo implantado na Europa Oriental e em alguns países da Europa Ocidental. Enfim, várias tentativas têm sido feitas para ser adotada essa política em alguns países, mas no Brasil as correntes da esquerda tentaram viabilizar o socialismo.
Agora mesmo o que percebo é que no Brasil, nesses últimos três anos de governo Luiz Inácio Lula da Silva, houve uma oportunidade para se consolidar essa corrente política, mas o que nós vemos e assistimos é que o socialismo, mais uma vez, está falhando em nosso país, como falhou na Rússia, como falhou em outros países do mundo, não necessariamente porque tenha um conteúdo impróprio ou porque não seja uma ideologia que possa ser aplicada. Talvez a grande constatação que podemos fazer hoje, diante dos fatos que estão acontecendo em nosso país, é de que as coisas falham pelas fraquezas humanas.
Percebemos as fraquezas se sobrepujarem às ideologias e no momento em que um governo toma assento, no momento em que um governo assume de fato um poder, um partido, como assumiu o Partido dos Trabalhadores no país inteiro, começam a acontecer fatos lamentáveis como esses que estão acontecendo, fatos de inegável corrupção, surgindo, a cada dia, mais elementos para comprová-la.
Mas o que queria dizer ainda, lamentando, é que as instituições políticas precisam ser aprimoradas. E essa constatação da falha do socialismo, da falha dessa ideologia que se tentou instalar no país pode ser corrigida. A gravidade poderia ser maior caso se estendesse por um prazo maior a assunção no poder, a implantação de um regime semelhante a este, porque é inegável que a concentração do poder traz mais corrupção.
Portanto, o agigantamento do estado, a ampliação do poder do estado, a ampliação da detenção do poder pelos meios públicos só poderia agravar a corrupção em nosso país. É por isso que nós pregamos um estado enxuto. É por isso que nós pregamos a diminuição da concentração do poder, porque a concentração do poder traz a corrupção.
É preciso lembrar as palavras de Tancredo Neves, que dizia que a democracia se conquista numa luta do dia-a-dia. Todos os dias é preciso lutar, vigiar para que as instituições progridam, sejam mais fortes, transparentes; para que a sociedade tenha maior controle; para que possamos realmente ter dias melhores.
Nos próximos dias, quero ter a oportunidade de trazer aos meus Pares algumas das discussões que tivemos em Brasília, na semana próxima passada, sobre a implantação da reforma política, sem a qual será, na minha opinião, impossível progredirmos diante da crise que se instalou no país.
Portanto, agradeço, sr. Presidente, sras. Deputadas e srs. Deputados, e coloco aqui o desejo de todos os brasileiros - e ouvimos isso a cada dia nas ruas - de que precisamos dar uma virada, mostrar que esta crise será capaz de nos levar a um destino muito melhor. Será possível sobrepujá-la com muita vontade, com muita perseverança.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)