Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Rogério Mendonça

79ª Sessão Ordinária - 18/10/2005

O SR. DEPUTADO ROGÉRIO MENDONÇA - Sr. presidente, sras. deputadas e srs. deputados, assomo à tribuna, nesta tarde, no horário destinado ao PPS, cedido ao PMDB, para falar sobre a agricultura e sobre a atual crise que vive o setor agropecuário brasileiro e também de Santa Catarina.

(Passa a ler)

"As autoridades responsáveis pela condução da política econômica do governo federal, especialmente o ministro da Fazenda Antônio Palocci, têm reiterado que a economia brasileira está blindada e não corre absolutamente o risco de ser atingida pela crise política que assola o país há aproximadamente meio ano. O próprio presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, ocupa palanques aqui e no exterior para afirmar que a nossa economia continua incólume, intacta, protegida de tudo o que está acontecendo internamente no país.

Ledo engano, sr. presidente, srs. deputados. Há crise na nossa economia, sim. Infelizmente, as afirmações em contrário já não passam de falácia. A nossa economia está abalada e, o que é pior, justamente no seu setor mais importante: a agropecuária. A crise é incontestável. E a Confederação Nacional da Agricultura estima uma queda de 14,6% no PIB agrícola. Em 2004, o produto interno bruto do setor chegou a R$ 95,4 bilhões. Neste ano, não deverá ultrapassar R$ 81,4 bilhões. A produção de calcário, um excelente termômetro do desempenho da agricultura, não deixa dúvidas de que está ocorrendo redução na produção do campo. A quantidade de calcário a ser utilizada neste ano deverá ser quase 60% inferior a do ano passado.

O vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de Santa Catarina (Faesc), Enori Barbieri, em entrevista concedida ao jornal Diário Catarinense e publicada na edição de domingo, afirma categoricamente: ‘a agricultura se encaminha para um novo colapso’. Há um temor generalizado de que os agricultores entrem em um nível de endividamento semelhante ao registrado nos anos de 1994 e 1995.

E há, lamentavelmente, outros números que mostram a descapitalização do setor primário. Eu poderia citar o preço da saca de feijão, com uma queda também muito grande, que atingiu em 2004 a cotação de R$ 80,00 e que hoje está pouco mais de R$ 70,00. A saca do milho também teve uma queda. A soja despencou de R$ 33,50 a saca para R$ 26,00. Houve redução ainda, apenas para citar mais alguns exemplos, nas cotações do trigo, do suíno, do frango e do boi. Nem o leite escapou: de R$ 0,47 o litro, a remuneração para o produtor foi para R$ 0,40. Parece pouco, mas não é. Sabemos o quanto significa isso para o nosso setor da agricultura.

Entre os fatores geradores dessa caótica situação, está a queda do dólar, que afetou, sem dúvida alguma, as exportações. Podemos citar a prolongada estiagem e o excesso de chuva que está prejudicando várias culturas, entre elas a da cebola, cultivada em algumas regiões de Santa Catarina, e cito especificamente Ituporanga e a nossa região do Alto Vale do Itajaí.

Constata-se, infelizmente, que não é somente a crise política, pelo menos por enquanto, a geradora da crise na agropecuária. No entanto, não é possível afirmar com convicção que as dificuldades enfrentadas por esse setor não têm um componente advindo das denúncias de pagamento de mensalão e da prática de caixa dois, existente hoje em todo o Brasil. Às voltas com tanta corrupção, a administração do presidente Lula está deixando de lado mais uma vez a nossa atividade agropecuária. O próprio ministro da Agricultura admite abertamente isso em pronunciamentos.

Tem, então, sr. presidente, este pronunciamento o objetivo de chamar a atenção dos que cuidam da economia brasileira. Não podem eles continuar achando que tudo está às mil maravilhas. Precisam acordar para o fato de que a agricultura e a pecuária passam por dificuldades extremas, o que pode contaminar toda a economia. E já diziam os nossos avós: se a agropecuária e a agricultura vão bem, a cidade vai bem. Se a agricultura vai mal, a cidade vai mal."

Por isso, mesmo temos que ter uma atenção redobrada para esse setor tão importante da economia brasileira, que é a agropecuária.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)