Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Nilson Gonçalves

71ª Sessão Ordinária - 29/09/2005

O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Sr. presidente, sras. deputadas, srs. deputados, na verdade, eu gostaria de ter pelo menos uns quinze minutos para poder falar sobre um assunto, pois certamente haveria meia dúzia de companheiros deputados que iriam me apartear para meter a boca, como se diz, ou para ser solidário. Quero falar sobre o Movimento dos Sem Terra, que está cada vez mais forte.

No caminho para a Assembléia Legislativa escutava pelo rádio que o MST está envolvido com a greve dos motoristas de ônibus aqui em Florianópolis. O que é que essa gente, ou melhor, esses dirigentes (deve-se separar aqueles pobres coitados, que são manipulados, e a ala dirigente) têm a ver com a greve de ônibus? Por que eles estão envolvidos no movimento da greve de ônibus? Dizendo: "Nós temos que parar; temos que parar!". O que essa gente tem a ver com a capital de estado, onde, por exemplo, no Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, vão de casa em casa procurar pessoas desempregadas da indústria (no Rio Grande do Sul há muitos desempregados na área calçadista) pedir: "Venham para o nosso grupo..."? O que essas pessoas desempregadas de indústrias calçadistas, etc. têm a ver com o MST?

Esse Movimento dos Sem Terra, na verdade, já há muito extrapolou o seu limite de atuação, que era justamente com as pessoas que não tinham terra, o agricultor sem terra; há muito tempo! Eles estão em outro patamar. Deram tanta corda a esses dirigentes... Eu quero deixar bem separado dos coitados, daqueles que estão passando necessidade, que acabam na conversa-fiada dessa turma de revolucionários, de anarquistas que está encastelada no poder desse movimento e que tem costas quentes - o governo federal, o tal de Chavez lá fora, Fidel Castro, etc. e tal.

Esse movimento, que a cada dia que passa tem mais corpo, toma mais musculatura, não se assustem, senhores, se daqui a alguns anos se tornar um movimento idêntico àquele da Colômbia; pode até acontecer, de se envolver com o tráfico, como aconteceu naquele país. E aí, meus senhores, vamos chorar lágrimas de sangue por assistir a tudo isso; batendo palmas para tudo isso.

Eu só tenho a lamentar pelo número enorme de pessoas que precisam, que necessitam e que acabam vendo nesse movimento uma esperança. Quem me dera que esses dirigentes realmente estivessem voltados para essa finalidade de atender às necessidades dessas pessoas, desses pobres coitados que não têm para onde ir e vêem nesse movimento a sua última alternativa. Pena que esses dirigentes não enxergam dessa mesma forma; eles estão vendo possibilidades maiores, outras coisas, além de atender à real necessidade das pessoas que precisam, dos nossos pobres coitados sem terra, que realmente precisam.

Agora, nem mais é sem-terra, é sem-fábrica, sem-emprego, "sem-nada". Eu acho que o movimento está tomando corpo.

O Sr. Deputado Wilson Vieira - V.Exa. me concede um aparte?

O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Eu lamento, deputado Dentinho, não poder conceder o aparte. Confesso que o daria com imenso prazer, até porque o respeito muito, mas o meu tempo (eu disse que precisaria de 15 minutos) não deu nem para começar e já acabou.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)