100ª Sessão Ordinária - 14/12/2005
O SR. DEPUTADO AFRÂNIO BOPPRÉ - Sr. presidente, quero apenas anunciar, enquanto o deputado Paulo Eccel se prepara para se pronunciar da tribuna, que a pesquisa do Ibope publicada hoje pela imprensa, mesmo que estejamos a praticamente um ano das eleições, mostra que a candidata do P-SOL, senadora Heloísa Helena, dependendo do cenário que se estabelece nas disputas, tem até 9% da preferência dos eleitores.
Dessa forma, quero compartilhar a minha alegria com os demais parlamentares, posto que um partido que nem sequer disputou uma eleição já tem a possibilidade de anunciar um resultado que considero extremamente positivo.
O SR. DEPUTADO PAULO ECCEL - Sr. presidente, deputado Pedro Baldissera, demais membros da Mesa Diretora, srs. deputados, sra. deputada Ana Paula Lima, caros homens e mulheres da Aprasc, que estão acompanhando esta sessão com bastante atenção com vistas à votação desta tarde, que com certeza será muito importante para a categoria, cumprimento ainda todos aqueles que nos visitam nesta tarde e aqueles que nos acompanham pela TVAL.
Quero inicialmente, sr. presidente, em nome da bancada do PT, parabenizar a Mesa, em virtude da publicação do relatório de 2005 pelo órgão responsável desta Casa, que mostra o trabalho de cada um dos parlamentares da Assembléia Legislativa durante o ano de 2005. Trata-se, com certeza, de um importante documento que deveria chegar às mãos de cada catarinense, que poderia assim, de certa forma, acompanhar o trabalho de todos os deputados desta Casa.
Estamos mais uma vez no final do ano, na reta final dos trabalhos do Poder Legislativo. E é importante que neste momento façamos um breve balanço, uma breve retrospectiva de tudo aquilo que vivenciamos neste ano de 2005, pois para a classe política certamente foi um ano desafiador. Para nós, que estamos dedicando a nossa vida à questão política, é um ano que vai ficar marcado nas nossas histórias e que vai apresentar profundos reflexos no embate eleitoral do próximo ano.
Recentemente, quando ocupei um espaço aqui na tribuna, eu fazia questionamentos, deputado Vânio dos Santos: o que ficou dessa crise? Quais os pontos positivos? O que é que melhorou? A crise ajudou em quê? Qual a estrutura que foi modificada? Quais as estruturas que foram modificadas a partir de toda essa crise?
Tivemos a cassação do Roberto Jefferson porque ele não conseguiu comprovar que existia o mensalão. Por outro lado, tivemos a cassação de José Dirceu, porque ele era o chefe do mensalão. Dá para compreender uma situação dessas?
Não tivemos a reforma política, a reforma que todos discursamos; fizemos fóruns, inclusive aqui na Assembléia Legislativa; participamos de debates em outros estados; ouvimos discursos e mais discursos pela televisão, enfim. Mas na prática o que aconteceu? Que estrutura foi modificada? O que o eleitor, o que o povo brasileiro pode esperar a partir do ano que vem, depois de tudo que foi mostrado? Logicamente sabemos que muita coisa do que foi mostrada era apenas balão de ensaio, não tinha nada a ver, eram denúncias sem fundamentos, mas eram problemas gravíssimos, de operações envolvendo recursos públicos, de caixa dois de campanha eleitoral, que não é novidade para ninguém, embora neste ano tenham feito um estardalhaço como se tivessem descoberto pela primeira vez que alguém, que um partido tinha caixa dois em campanha eleitoral.
O que há de concreto? Faço esse questionamento porque, lamentavelmente, não consigo encontrar respostas de ações concretas, de mudanças no sistema legal, de mudanças no sistema legislativo, de mudanças em estruturas, que ocorreram neste ano. E isso me leva a crer, deputado Dionei Walter da Silva, que certamente o grande objetivo deste ano de 2005 foram dois: procurar violentar profundamente a imagem construída pelo PT durante os seus 25 anos - de fato, o 25, na nossa história, foi emblemático, deputado Onofre Santo Agostini. No ano que vem serão 26 anos, ou seja, duas vezes 13, mas 25 foi um número enigmático para a nossa história.
Um outro objetivo dessa crise é desgastar a imagem do governo federal, porque não consigo encontrar alternativa para essa crise que foi provocada. E quero trazer aqui um exemplo...
O Sr. Deputado Onofre Santo Agostini (Intervindo) - Deputado Paulo Eccel, no dia 25 nasceu o Redentor da humanidade.
O SR. DEPUTADO PAULO ECCEL - Também.
Quero trazer aqui um exemplo, deputado Celestino Secco, para ilustrar essa minha informação ou essa minha perplexidade ou essa minha conclusão: o objetivo dessa crise, ou pseudocrise, foi macular o PT e desgastar a imagem do governo.
Na Folha de S.Paulo do último domingo, dia 11 de dezembro, a manchete principal, deputado Francisco de Assis, era do PT: "PT usou notas de empresas laranja". Hoje, o jornal Folha de S.Paulo também traz que o "PSDB usou notas de empresas laranja". Só que ao PT foi dada uma manchete garrafal, e o PSDB, hoje, com a mesma notícia, saiu num quadrinho. E aqui, qual é a manchete? "Valério deu presente de R$ 17,2 mil ao PT em 2002". Vamos abrir o jornal, deputado Antônio Aguiar, para ver quem ganhou esse presente e qual foi esse presente. Para nossa surpresa, a reportagem também mantém em manchete garrafal: "PT e políticos ganharam presentes de Valério". Eu fui procurar quem do PT recebeu presentes. Mas a matéria não identifica quem do PT que recebeu presente. Ao mesmo tempo ela diz que o ex-secretário nacional de Esportes, Lars Grael, no tempo de Fernando Henrique Cardoso, recebeu presente, assim como o governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz, mas não fala qual é o partido do governador. Diz que o governador do Distrito Federal recebeu presente, mas eles esqueceram de colocar que o governador é do PMDB. O PT recebeu presente, essa é a manchete. Agora, um governador do PMDB recebeu presente e não é motivo para estar na manchete.
Deputado Francisco de Assis: o secretário de Articulação Institucional do governo do Distrito Federal, Hélio Doyle também recebeu presente. E assim vai. Pimenta da Veiga, ex-ministro das Comunicações do PSDB, do governo Fernando Henrique Cardoso, também recebeu presente. A irmã do governador de Minas Gerais, Aécio Neves, do PSDB, Andréia Neves, recebeu presente. E a manchete ataca quem? Ataca o PT. E sequer a matéria traz o nome de quem teria sido o beneficiário com esse presente - presente de final de ano, das empresas de Marcos Valério.
Diante disso, entendo que é um exemplo que não deixa dúvidas de tudo aquilo que fomos vítimas em 2005, daquilo que o PT foi vítima. Desgastar a nossa imagem, desgastar o governo Lula, foi o grande objetivo das elites dirigentes e dos adversários do PT e do governo Lula.
O Sr. Deputado Francisco de Assis - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO PAULO ECCEL - Pois não!
O Sr. Deputado Francisco de Assis - Deputado Paulo Eccel, líder da nossa Bancada, o que v.exa. traz hoje à tribuna demonstra a vergonha da grande mídia nacional, que assusta este país. Um jornal como a Folha de S.Paulo se prestar a esse tipo de serviço, demonstra com muita clareza o objetivo desses meios de comunicação: querer desestabilizar o país, torcer para que o país não dê certo. Isso é lamentável, tratando de um grande jornal.
Não paro por aí. Não são apenas os grandes jornais deste país; os pequenos e outros meios de comunicação vêm fazendo o mesmo, dando enfoque ao Partido dos Trabalhadores e deixando passar ao lado tudo o que acontece de podre na política brasileira, no estado de Santa Catarina e em nível nacional.
V.Exa. reproduz aqui a verdade, não apenas as manchetes, porque é assim que eles têm feito conosco. O ano de 2005 talvez tenha sido o pior da nossa história, mas, com certeza, a sociedade brasileira haverá de reconhecer todo esforço, todo trabalho do governo federal para melhorar a vida do nosso povo. E isso teremos de mostrar durante todo o ano de 2006, seja como v.exa. está fazendo hoje, da tribuna, seja através de ações concretas dos nossos mandatos espalhados por este país.
Parabéns!
O SR. DEPUTADO PAULO ECCEL - Obrigado, deputado Francisco de Assis.
Eu tenho aqui, sr. presidente, uma infinidade de outras manchetes de jornais envolvendo cada um dos partidos com assento nesta Assembléia. Consegui selecionar manchetes de todos os partidos, mas elas tiveram, deputado Altair Guidi, destaque muito pequeno na mídia, ao contrário do que teve o PT.
Então, é importante percebermos, e aí falo às nossos praças, aos nossos soldados, que geralmente a comunicação interessa a alguém; sempre existe alguém interessado atrás de uma comunicação. E tudo aquilo que estamos presenciando neste ano não é de graça, não é à toa.
Por que esse ataque específico ao PT? Por que atribuir ao PT situações que historicamente vêm sendo feitas e nunca foram denunciadas na história política brasileira?
Isso é lamentável, sr. presidente. Essa é a minha indignação e a minha manifestação.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)