Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Dirceu Dresch

12ª Sessão Ordinária - 04/03/2015

O SR. DEPUTADO DIRCEU DRESCH - Boa-tarde, sras. deputadas e srs. deputados, sra. presidente.

Quero lembrar ao deputado Darci de Matos que o PSD faz parte da base de apoio ao governo federal e ocupa o ministério das Cidades, que antes era do PP. Então, espero que o PSD ajude o governo a discutir as políticas públicas e a publicizá-las, inclusive.

Tenho assistido estarrecido à mídia nacional nos últimos dias. Inclusive, a senadora Fátima Bezerra fez ontem um pronunciamento no Senado falando um pouco da mídia brasileira, mais especificamente da revista Veja, que faz parte da grande imprensa partidária atrelada ao PMDB e que tem a obsessão de destruir o PT. Ela afirmou que há um processo de desvirtuamento da política promovida pela grande mídia deste país, a quem denominou de mídia oposicionista, que se porta como um verdadeiro partido de oposição. O PT não tem dúvidas de que é por isso que está apanhando tanto e deseja fazer a reforma da mídia nacional. Não é possível que tenhamos uma mídia que assuma o papel de um partido político!

Assisto à televisão e leio os jornais pertencentes à grande mídia monopolista e não consigo neles colocar a minha opinião sobre as coisas e sobre o meu partido. Mas desta tribuna posso fazer isso, desta tribuna não posso me calar vendo aqueles que estão instigando o ódio nacional pregando mentiras através da grande mídia, sem que se consiga fazer o contraponto, mostrando a verdade dos fatos.

Não posso calar-me quando um deputado ocupa esta tribuna para reproduzir inverdades e mostrar manchetes de jornais de Santa Catarina e do Brasil que falam em desabastecimento. Aonde? Tivemos pontualmente problemas, sim, deputado Silvio Dreveck, por causa da greve dos caminhoneiros. Agora, dizer que há desabastecimento no Brasil é um absurdo! Pode ser na casa do deputado ou em qualquer lugar, mas nos supermercados não!

Em que país vive o deputado, quando fala de inflação alta? No Brasil? Aqui a inflação é de 6%. Em 2013 ela foi a mais baixa dos últimos cinco anos. A dívida pública à qual o deputado se refere, no seu governo, no governo de Fernando Henrique Cardoso, era de 60% do PIB, nós a reduzimos para 35%. As reservas cambiais que eram R$ 45 bilhões, hoje estão em torno de R$ 350 bilhões.

Poderíamos falar aqui sobre tantas outras coisas. Por exemplo: conseguiram privatizar parte da Petrobras, que eles tanto querem destruir; até mudaram o nome da empresa para Petrobrax, a fim de vendê-la ao capital internacional. É para isso que quero chamar a atenção do povo brasileiro, não entrem nesse discurso. O petróleo tem que ser nosso! A presidenta Dilma Rousseff articulou no Congresso a aprovação da lei da partilha, através da qual impedimos que as multinacionais façam o que fizeram com a Vale do Rio Doce: ficaram com o nosso minério, com as nossas riquezas.

Temos no sul do Brasil uma riqueza que é o nosso gás xisto. Ele tem que ficar para nós, para o povo brasileiro. Quando eles estão no governo até permitem que haja democracia, quando eles não estão, não permitem. Pregam, através da mídia, o autoritarismo na política, o ódio. Há lideranças de Santa Catarina pregando um ódio cruel lá pelo oeste, deputado Cesar Valduga. Durante uma mobilização em Chapecó, no sábado, pessoas chegaram a subir num apartamento para tirar de uma jovem a bandeira do seu partido político que ela portava. O que é isso? Que democracia é essa? Faixas pediam a volta da ditadura! Quem faz isso não sentiu a violência dos militares nos porões da ditadura!

Quero chamar atenção para este momento que estamos vivendo. Se não fosse o nosso governo dar autonomia ao Ministério Público e à Polícia Federal talvez hoje não estivéssemos falando nem de corrupção, talvez estivéssemos falando das vitórias, dos prêmios internacionais conquistados pela Petrobras.

Durante a semana a deputada Luciane Carminatti, nossa líder, apresentou nesta Casa o crescimento dessa grande empresa nacional e os prêmios de tecnologia que ela conquistou do mundo. Fomos nós que a fortalecemos e não é por acaso, deputado Leonel Pavan, que a Petrobras está assim. Houve decisão política em investir em pesquisa, investir em novas tecnologias. Por isso é que o pré-sal foi descoberto. Os mesmos que em 1930 diziam que o Brasil não tinha petróleo, agora dizem que não existe o pré-sal. Mas nós investimos e a Petrobras se transformou na maior empresa do mundo.

Há também a questão da simpatia por Cuba. Os Estados Unidos levantaram o embargo contra Cuba e o Brasil financiou, sim, estrategicamente, um porto naquele país, que é uma das principais saídas para o Caribe. Vários países queriam fazer isso, mas o Brasil financiou o porto e tem parte nele, sendo que vai beneficiar-se muito no processo de exportação com toda aquela região.

Então, quero restabelecer a verdade neste país. Temos problemas, tivemos que tomar medidas importantes, duras, mas que vão dar tranquilidade para o país continuar crescendo e distribuindo renda. Os ricos têm ódio do nosso partido, porque nós mudamos a lógica nacional. No passado, para financiar uma casa o cidadão tinha que ter uma renda boa. Hoje damos prioridade ao pobre, invertemos a lógica, a prioridade é para quem mais precisa do estado, para quem mais precisa da casa própria. Essa foi uma grande mudança e por isso a elite brasileira tem tanto ódio do governo do PT.

Mas não tem problema! Precisamos continuar melhorando a vida do povo brasileiro. E é por isso que deixo a tribuna, deputada Dirce Heiderscheidt, dizendo o seguinte: tenho em mãos um documento da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar sobre a suspensão dos recursos do ministério da Educação para a alimentação escolar no estado. Amanhã vou provar que afirmar que os agricultores não têm capacidade para fornecer alimentos não é verdade. O que estamos esperando é que o estado, através da secretaria da Educação, faça a necessária licitação e compre ao menos 30% dos produtos destinados à merenda escolar da nossa agricultura familiar.

Faz cinco anos que estão enrolando, não podem agora dizer que os agricultores não tiveram capacidade para fornecer os produtos necessários à alimentação escolar. Pelo contrário, os agricultores têm capacidade para fornecer produtos de qualidade, por isso os agricultores familiares e suas organizações estão esperando uma compra por parte da secretaria da Educação. Não se pode mandar entregar, como já aconteceu em 2011 e 2012, quatro ou cinco pacotinhos de alface para uma escola do interior. Isso não é viável. E foi por isso que muitas escolas ficaram sem produto, já que os agricultores, as organizações não conseguiram entregá-lo. Nós precisamos entregar um maior volume de produtos às escolas.

As organizações querem participar, os agricultores precisam entregar seus produtos. Não venham com discursos baratos, nós queremos que os agricultores tenham de fato condições de continuar produzindo alimentos e que as crianças se alimentem com produtos frescos e de qualidade. É isso que queremos e esperamos que o governo resolva logo os problemas...

(Discurso interrompido por término do horário regimental.)

(SEM REVISÃO DO ORADOR)