Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Sandro Silva

21ª Sessão Extraordinária - 14/11/2012

O SR. DEPUTADO SANDRO SILVA - Sr. presidente, deputado Nilson Gonçalves, este mês de novembro é marcado pelo Dia da Consciência Negra, e os movimentos sociais negros estão fazendo uma série de debates e encaminhamentos, também ao meu gabinete, para tratar de assuntos que são muito importantes para a nossa raça.

Disse que falaria hoje sobre anemia falciforme, que é um das muitas doenças que predominam na raça negra, no Brasil e no mundo. Como exemplo de outras doenças que acontecem em maior incidência na população negra estáa hipertensão arterial, os problemas cardíacos, o glaucoma, alguns tipos de tumores.

A anemia falciforme é uma doença desconhecida de muitos, e se não for descoberta a tempo pode trazer uma série de problemas paras as pessoas portadoras.

(Passa a ler.)

"Trata-se de uma doença hereditária que afeta os glóbulos vermelhos, mais comum na população negra ou de ascendência africana, mas que também pode se manifestar nos brancos. Dados dão conta de que a cada ano 3.500 crianças nascem com essa doença no Brasil. Segundo o ministério da Saúde, em alguns estados brasileiros, como a Bahia, a doença chega a atingir um em cada 500 recém-nascidos.

A anemia falciforme é causada por uma mutação genética, responsável pela deformidade dos glóbulos vermelhos. Para ser portador da doença é preciso que o gene alterado seja transmitido pelo pai e pela mãe. Se for transmitido por apenas um dos dois, o filho será portador de traço falciforme, que poderá passar para seus descendentes, mas a doença chega a atingir um em cada 500 recém-nascidos.

Nos doentes chamados falcêmicos, a hemoglobina dentro dessas células assume o formato de foice (daí falciforme) ou meia-lua ao entregar o oxigênio para o tecido e se enrijece. Essas células ficam presas nos vasos sanguíneos, atrapalhando a circulação e provocando dor. Com isso o número de glóbulos vermelhos cai e o organismo fica anêmico. Uma hemoglobina normal tem forma arredondada e é maleável.

As hemácias falciformes contêm um tipo de hemoglobina que se cristaliza na falta de oxigênio, formando trombos que bloqueiam o fluxo de sangue.

Os portadores desse tipo de anemia sentem fortes dores provocadas pelo bloqueio do fluxo de sangue e pela falta de oxigenação nos tecidos, dores articulares, fadiga intensa, palidez e icterícia, atraso no crescimento, feridas nas pernas, tendência a infecções, cálculos biliares, problemas neurológicos, cardiovasculares, pulmonares, renais, priapismo.

Os sintomas podem aparecer no bebê quando ele tem entre quatro e seis meses. A hemoglobina anormal fica retida nos vasos sanguíneos e atrapalha a circulação normal, daí vêm as dores nos braços, pernas, costas e barriga. Podendo ainda ter graves quadros de infecção. A dor pode ser bastante intensa. A Anemia falciforme também provoca inchaço nas mãos e nos pés, rigidez e dor nas articulações e forte sensação de cansaço - as chamadas crises dolorosas. A gravidade dos problemas varia muito. Há pessoas com sintomas leves e quase sem dor, e há outras com muitas crises.

Crianças falcêmicas também correm mais risco de ter infecções, por isso muitas vezes os médicos prescrevem a administração diária de penicilina até os cinco anos. Outro sintoma é a própria anemia, que pode ser intensa nas chamadas crises aplásicas (insuficiência da medula em produzir hemácias). O tratamento para a anemia pode incluir várias transfusões de sangue.

Como não tem cura, a anemia falciforme é uma doença para a vida toda, tem que ser administrada e descoberta o quanto antes para que o trabalho de prevenção possa ser feito.

O diagnóstico pode ser feito através da eletroforese da hemoglobina, que é o exame específico e faz parte do teste do pezinho. A criança nasce e logo se pode saber se ela tem ou não a anemia falciforme. Se der positivo, aí, sim, pode-se tratar desde o início.

Por isso, o nosso gabinete está solicitando o envio do pedido de informação à secretaria de estado da Saúde, para saber quantas e quais são as pessoas que estão sofrendo com esse tipo de anemia no estado; quais são as atitudes, os procedimentos que a secretaria está tomando para o tratamento específico dessas pessoas; e se existe algum trabalho específico para cuidar da saúde da população negra.

Estamos entrando com um projeto, nesta Casa, para que o estado de Santa Catarina tenha uma semana específica para tratar da saúde da população negra, organizando palestras, eventos que alertem para essas doenças que incidem em grande parte da população negra. E quem sabe até a criação de um departamento específico na secretaria para tratar da questão da saúde da população negra.

Seria isso, sr. presidente.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)