Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Nilson Gonçalves

113ª Sessão Ordinária - 14/11/2012

O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Sr. presidente e srs. deputados, com todo o respeito que tenho pela deputada Ana Paula Lima, por ser nossa colega e pelo seu histórico político e de trabalho, não concordo, em hipótese alguma, com a forma como s.exa. fez suas colocações em relação aos episódios envolvendo as Polícias Militar e Civil de Santa Catarina.

Convivo diariamente com a questão da segurança porque tenho programas de televisão e de rádio que atuam nessa área há mais de 20 anos. Então, tenho uma convivência diária muito forte com esse meio, tanto com a Polícia Civil quanto com a Polícia Militar. Acho que é muito fácil falar, é muito fácil vir à tribuna e descer o cacete na Polícia Militar, na Polícia Civil, no governo, em todo o mundo. Mas a realidade do dia a dia é muito diferente. O enfrentamento com essa bandidagem é muito diferente. Se uma senhora de 60, 70 anos for visitar o filho no presídio e precisar ser revistada, como normalmente tem que ser, ela terá que ser revistada minuciosamente, ou seja, tirar a roupa toda, incluindo a calcinha. Tem que tirar tudo! E se ela falar isso na imprensa, a imprensa botará a boca no trombone, fará um carnaval que não tem tamanho. Mas se não fizerem isso na entrada ao presídio, ela poderá ter nas suas partes íntimas um telefone que será levado para o seu filho. Muitas vezes nem é o filho que quer, é alguém do comando ou algum bandido grande lá de dentro que faz parte de comandos que determinou a ele que falasse para a mãe que levasse um telefone porque senão ele poderia morrer. Essa é que é a verdade!

Em Joinville já recebi muitas reclamações de meninos viciados, envolvidos com drogas, que acabam presos, encaminhados aos presídios e de lá de dentro ligam para a mãe deles exigindo pedágio, ou seja, um valor "x" por semana. Na semana que a mãe não leva o dinheiro, quebram de bordoada o garoto dentro do presídio. Essa é a verdadeira realidade!

A polícia está numa verdadeira guerra contra a bandidagem, e quando há guerra, não pode haver aquela coisa da bondade, de passar a mão na cabeça. Guerra é guerra!

Tenho em mãos uma cartinha que diz o seguinte:

(Passa a ler.)

"Saudações a todos os guerrilheiros.

Então meus 'ir' tá chegando o nome e o vulgo do mano que vai fazer as missão para a nossa facção. Esse mano vai mandar os aliados dele lá na rua derrubar dois vermes pra representar nossa facção e provar que o PGC veio para ficar, e é contra a opressão carcerária. Esses dois vermes é só o primeiro de muitos, que vão morrer. O nome desse 'ir' é sigilo mais o vulgo é 'loco' juntamente com o nosso irmão 'Pit' da galeria 'C'. Vão fazer umas misão pro PGC. O 'ir' Pit vai sair logo de portaria, mas já tá instruído a representar o crime como todos sabem umas das misão vai ser derrubar o diretor da penita."[sic]

E aí, na "penita", ninguém pode encostar o dedo em ninguém, porque senão o pessoal dos direitos humanos já aparece na imprensa, abre processo e acontecem expulsões! Mas quem está cuidando da "penita" tem família, tem filhos, tem mulher que pode acabar sendo assassinada porque os manos mandaram, porque têm que resolver o problema e eles têm que mostrar que são bons! E assim vai por aí afora!

Quer dizer, é muito fácil vir à tribuna dizer que o governo do estado não faz nada! É muito fácil! Mas vai encarar a realidade, o dia a dia dessa verdadeira guerra que tanto a Polícia Civil quando a Militar estão enfrentando!

Apresentamos uma moção, que sugerimos que fosse assinada pelos 40 deputados da Casa, solidarizando-nos com as Polícias Militar e Civil pelas iniciativas que estão sendo tomadas e colocando o Poder Legislativo, que é um dos três poderes constituídos, à disposição para, dentro daquilo que for possível, ajudar também a amenizar ou a achar uma solução para esses problemas.

Acho que essa moção é bastante oportuna e tenho certeza de que v.exas. não se negarão a assiná-la, pelo contrário, acho que assinarão de boa vontade, porque o momento é de solidariedade. Volto a dizer, dizer que a Polícia Militar e a Polícia Civil estão assustadas é um absurdo! Os policiais civis e militares foram treinados para enfrentar essa raça, são treinados para guerrear com essa turma. Preocupação existe porque esses elementos agem na calada da noite, na sombra, quando menos se espera, covardemente! Por isso é necessário um trabalho intenso, como está sendo feito, e a solidariedade absoluta por parte do Poder Legislativo.

Sr. presidente, ainda tenho dois minutos, mas o outro assunto que quero tratar requer muito mais que esse tempo. Sendo assim, voltarei à tribuna em outro momento, quem sabe no horário dos Partidos Políticos, para me pronunciar.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)