81ª Sessão Ordinária - 06/08/2014
O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Sr. presidente, deputado Kennedy Nunes, srs. deputados, sras. deputadas, pessoas que nos acompanham na sessão desta quarta-feira pela TVAL e pela Rádio Alesc Digital.
Quero começar este pronunciamento fazendo a leitura da nota do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina e também da Federação Nacional dos Jornalistas.
"Contra a irresponsável demissão em massa no Grupo RBS". É este o título da nota da Fenaj que passo a ler na íntegra.
(Passa a ler.)
"A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e os Sindicatos dos Jornalistas do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, com apoio dos Sindicatos do Paraná e do Norte do Paraná/Londrina, manifestam indignação e protesto pela atitude do Grupo RBS que anunciou, nesta segunda-feira (4), um processo de demissão em massa de 130 trabalhadores, principalmente do segmento de jornais impressos, ao mesmo tempo em que seu presidente, em comunicado aos 'colaboradores', gaba-se do excelente momento vivido pela empresa. Além de denunciar internacionalmente este ato de irresponsabilidade, acionaremos a Justiça para assegurar os direitos dos trabalhadores.
A insensibilidade do Grupo não se manifestou somente no comunicado feito nesta segunda-feira, mas já vem se verificando há meses, com a demissão de dezenas de profissionais, muitos deles com mais de 20 anos de serviços prestados.
Sob o argumento de preservação do seu projeto empresarial, o Grupo RBS opta, sem qualquer desfaçatez, por desprezar o impacto social de suas iniciativas e manda centenas de 'colaboradores' para o olho da rua. Ao que tudo indica, o Grupo caminha aceleradamente para o sonho que alimenta há tempos: fazer 'jornalismo' sem jornalistas e, de quebra, distanciar-se de sua atividade-fim, fechando os jornais e ampliando seu 'vínculo' com o leitor por meio da venda de vinho e cerveja pela internet.
O comunicado do presidente do Grupo RBS aos funcionários soa como um deboche. Ao enfatizar que a RBS não passa por uma crise financeira, ele afirma que as 130 demissões são necessárias para buscar maior produtividade e eficiência, 'principalmente na operação de jornais'. Para bom entendedor, significa ampliar o lucro com a redução de pessoal e sobrecarga de trabalho aos que permanecerem no quadro de funcionários.
Destaque-se que em nenhum momento o Grupo RBS procurou as entidades representativas dos trabalhadores para discutir alternativas que evitassem os cortes de pessoais.
Os quatro Sindicatos de Jornalistas do sul do país estão, neste momento, em negociação salarial com as empresas do Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina. Nos três estados, o comportamento patronal tem sido semelhante, marcado pela intransigência, pelo desrespeito e pela desvalorização do trabalho dos jornalistas. Os patrões espalham o terror, com ameaças e efetivação de cortes como esses ocorridos no Grupo RBS, buscando desmobilizar a categoria e obrigá-la a se sujeitar a salários e condições de trabalho aviltantes.
Em repúdio e protesto especialmente contra a demissão em massa anunciada nesta segunda pelo Grupo RBS, os quatro Sindicatos do sul, sob a liderança da Fenaj, já organizam um grande ato unitário para as próximas semanas, reunindo as entidades e jornalistas de toda a região.
A Fenaj, o Sindjors e o SJSC também já buscam, na Justiça, reverter as demissões imotivadas, garantir os direitos dos trabalhadores, além de outras medidas contra a política de terror que se instaurou no Grupo RBS, principalmente nos últimos meses.
Brasília, 5 de agosto de 2014." [sic]
Essa, então, é a nota da Fenaj e sindicatos que repudiam a demissão de 130 trabalhadores do Grupo RBS no estado de Santa Catarina. O nosso dever de ofício em defesa das classes trabalhadoras e dos demais segmentos de base da sociedade catarinense é fazer a leitura desta manifestação da Fenaj.
Outro tema que não posso deixar de abordar são os massacres impertinentes, reiterados, criminosos, aviltantes da humanidade, que Israel comete contra o povo da Palestina, na Faixa de Gaza.
Mais de 1,8 milhão de palestinos estão vivendo hoje num território menor do que esta ilha de Santa Catarina. Uma faixa de terra de 10km de largura por 30km de comprimento, que abriga mais de 1,8 milhão de pessoas, o que dá uma densidade demográfica de 5.046 pessoas por km2.
Sobre esta área são atirados mísseis e bombas, de forma reiterada. É evidente que, com uma densidade demográfica dessa, é impossível que não haja a morte de pessoas inocentes, de civis, de crianças, de idosos, de mulheres.
Por mais que os organismos internacionais, incluindo a ONU, manifestem que são atos criminosos, por incrível que pareça, as grandes potências lavam as mãos e nada fazem com o objetivo de preservar a vida, preservar a humanidade.
Sou batizado católico, cristão, tenho convicções políticas. Embora não seja praticante de nenhuma das religiões cristãs, deputado Kennedy Nunes, e desconheça qualquer religião do mundo, seja Judaísmo, o Budismo, o Islamismo, o Cristianismo, que pregue a possibilidade e o direito de um ser humano matar o seu igual.
E muito menos, matar por razões econômicas ou por razões raciais. E o que tem acontecido naquela região do mundo é que Israel está buscando aniquilar um povo com o uso da força. Mais de 1.800 palestinos já morreram, a imensa maioria, civis, e uma proporção de cerca de 30% crianças. Do lado de Israel, 68 mortos, apenas três civis.
Claro que nenhuma morte é desejada, desejável, e temos que repudiar toda forma de violência por interesse, seja econômico, civil, racial, étnico ou religioso. Quero repetir que desconheço um Deus que mande matar. Estão matando por razões econômicas e, inclusive, usam a religião como escudo para realizar o seu interesse de rapina sobre outros territórios. É inadmissível que a humanidade se cale diante desses fatos!
O povo da Palestina, assim como o resto do mundo, tem direito a um território, tem direito de viver em paz e é necessário, possível, defender, inclusive, deputado Kennedy Nunes, a esquerda israelense, que defende a possibilidade de criar, em toda aquela região, um estado laico para que muçulmanos e judeus possam viver em paz.
É isso que defendemos e é isso que é possível construir, se não houver interesse econômico estratégico, militar, inclusive das potências imperialistas do mundo. Curiosamente, nesta conjuntura, os Estados Unidos, Barack Obama, anuncia que vai repassar US$ 225 milhões a Israel para manter um sistema de defesa.
Não seria mais prudente esse mesmo dinheiro para garantir que Israel não continuasse atacando o povo indefeso da Palestina, as criancinhas da Palestina? Como alguém pode me fazer crer que as crianças da Palestina são diferentes das crianças de qualquer parte do mundo? Isso é inadmissível. E a humanidade precisa manifestar solidariedade.
Muito obrigado.
(SEM REVISÃO DO ORADOR)