3ª Sessão Ordinária - 11/02/2014
O SR. DEPUTADO DADO CHEREM - Sr. presidente e srs. deputados, quero aproveitar esta oportunidade para parabenizar os deputados Moacir Sopelsa e Neodi Saretta pelas lideranças do PMDB e PT respectivamente. São dois homens talhados para a vida pública, já foram prefeitos nas suas cidades, e coincidentemente da mesma cidade. Então, quero parabenizá-los. E ganha o Parlamento catarinense por essas duas figuras tão aceitas nesta Casa. Tenho certeza de que o rio das dificuldades terá um trajeto mais fácil.
Sr. presidente, também não posso deixar de falar sobre a partida prematura do amigo Candinho, ex-secretário da Saúde. Pelo fato de ter comandado a secretaria de estado por muitos anos, pude conviver mais de perto com ele. E na última vez que estive com ele, em novembro, ele me atendeu prontamente num pleito para a região do município de Canelinha.
Gosto sempre, deputados, de contar algumas passagens que tivemos com o Cândido, porque ele sempre foi, como homem público, uma figura muito altruísta e, acima de tudo, muito otimista no que fazia. E em momentos difíceis de tomada de decisões, na secretaria de estado da Saúde, momentos complicados, mesmo quando o Cândido não era mais secretário, ele sempre se colocou à disposição para debater republicanamente aquilo que era o melhor para o estado de catarinense.
Com certeza, sim, tenho uma lembrança muito boa, uma imagem muito boa dele. Foi um apaixonado pelo SUS, com capacidade de trabalho, uma pessoa que tinha vontade de trabalhar para o serviço público como poucos. Essa vontade ele trouxe também para o governo Raimundo Colombo. E quem acompanhou a sua pequena passagem pela secretaria de Assistência Social sabe que ele pegou um tema extremamente delicado, um tema polêmico, que é a questão das drogas. E junto com a comissão da Assembleia, com o deputado Ismael dos Santos e com o governo, estava determinado, sim, a dar uma resposta à sociedade em relação ao flagelo das drogas.
Então, o Cândido tinha esse diferencial. Todo local que ele assumia ele fazia a diferença, foi assim na prefeitura de Florianópolis, quando foi secretário da Saúde, no período do Dário Berger, onde com certeza deixou a Saúde com menos problemas do que quando entrou.
Então, reconhecemos isso e inúmeros trabalhos que ele fez como secretário de estado de alta complexidade, principalmente sobre a questão da radioterapia para o interior, na região de Criciúma, que foi o Cândido que levou.
Vocês vejam que ele tinha esse perfil e, acima de tudo, um perfil técnico, porque se alguém sentasse para falar com o Cândido sobre saúde pública, sobre o SUS, tinha que ter um conhecimento muito profundo, sob pena de passar vergonha, de tanto que ele dominava aqueles temas tão complexos e difíceis.
Quando falamos em entes federativos de responsabilidade de gestão, muitas vezes, poucas pessoas entendem, quando se fala em alta complexidade, atenção básica, enfim, o Cândido dominava aquilo como dominamos o bê-á-bá. Então, essa é a diferença da pessoa que nasceu para aquilo. E além de tudo era um apaixonado. E só fazemos bem alguma coisa quando gostamos do que fazemos, quando nos apaixonamos pelo que fazemos.
Eu não vou nem mensurar a partida prematura do doutor Cândido. A sua família, com certeza, está num sofrimento sem tamanho.
Todos teremos esse destino também, mas para o serviço público não tenho dúvida, deputados, nós que lidamos o dia a dia com as dificuldades de tentar fazer a inclusão da saúde, sabemos a importância que ele teve para o estado. Ele sempre com aquele sorriso, otimismo, dificilmente dizia não para alguém; se não fosse possível naquele momento, ele tentava solucionar mais para frente.
Eu vejo com muita tristeza a partida dele, não aquela tristeza do egoísmo, mas a saudade de alguém que, realmente, deixou algo para todos os catarinenses e que poderia ter construído muito mais.
Esse era o perfil do Cândido, um técnico que se apaixonou pela vida pública, que via nas questões políticas partidárias um instrumento para exercer a cidadania, para trazer para dentro do convívio da população o seu conhecimento. E assim foi o perfil dele.
O Cândido, com certeza, foi uma pessoa de excelência na saúde pública, na vida pública, além dos amigos pessoais que ele deixou. Eu me considero uma das pessoas que se somaram aos seus amigos. Ele deixa, com certeza, uma saudade. Mas uma saudade sadia daquela pessoa que construiu, sim, algo para o próximo.
Era isso, sr. presidente.
(SEM REVISÃO DO ORADOR)