Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Sargento Amauri Soares

80ª Sessão Ordinária - 17/09/2013

O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Sr. presidente, srs. deputados e público que nos acompanha nesta tarde, quero assomar à tribuna para fazer um registro histórico que julgo de relevante importância para a reflexão das novas gerações da sociedade brasileira.

Hoje, faz 42 anos da morte de Carlos Lamarca, capitão do Exército brasileiro, que lutou em armas contra a ditadura militar. Faço isso porque há ainda no seio da sociedade brasileira e latino-americana, e não por acaso ou acidente, a associação quase automática de militares à ditadura, aos regimes autoritários, ditatoriais. E é sempre importante fazer o registro daqueles militares que se posicionaram de forma contrária e foram perseguidos, cassados, torturados e inclusive mortos pelo próprio regime da ditadura militar.

Lamarca é um dos ícones da resistência à ditadura e da luta pela revolução socialista no nosso país. Oficial do Exército brasileiro, de origem modesta, teve a sua vida marcada e redirecionada quando representando o Brasil esteve na Força Humanitária da ONU, no canal de Suez, que divide o continente africano do Oriente Médio. E esteve também representando o Brasil na mesma força humanitária da ONU, na região de Gaza, também lá no coração do Oriente Médio, região bastante conturbada.

Foi lá, nessa representação do Brasil, através do Exército brasileiro, nessa Força Humanitária das Nações Unidas, que o jovem oficial do Exército brasileiro conheceu de fato e impressionou-se de forma significativa com a miséria humana, onde as criancinhas morriam de fome e de diarreia e nada podia ser feito por um contingente militar da ONU, que estava lá alegando razões humanitárias, mas que na verdade lá mesmo o próprio Lamarca percebeu que o objetivo era político e bastante específico de defender os interesses de monopólios econômicos pertencentes a algumas potências mundiais.

Essa reflexão transformou a vida do jovem oficial Lamarca que regressando ao Brasil tornou-se adepto das causas socialistas. A partir dessas concepções, do golpe militar de primeiro de abril de 64, da continuidade da tentativa de trabalho e de convencimento por dentro do Exército, aliás, golpe que foi feito por meia dúzia de generais a serviço dos monopólios empresariais do Brasil e do mundo, com agentes da inteligência dos Estados Unidos infiltrados e construindo o golpe junto, como temos hoje documentação que registra de forma clara.

Não sendo mais possível em 1969, Lamarca, desertou do Exército e passou a enfrentar através da luta armada o regime militar. Depois de três anos na clandestinidade organizando guerrilhas, foi morto no sertão da Bahia, em 17 de setembro de 1971, e foi morto pelas forças do próprio exército do qual Lamarca fizera parte.

Então, queremos fazer esse registro para que as novas gerações da sociedade catarinense e brasileira conheçam esses fatos da história significativa do Brasil. E homens como o Lamarca, assim como tantas mulheres também depositaram a sua vida, entregaram a sua vida lutando pela liberdade, lutando pela democracia e lutando pela justiça social.

Lamarca foi um dos expoentes desses homens e mulheres que dedicaram a sua vida pelos outros.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)