76ª Sessão Ordinária - 03/08/2000
O SR. DEPUTADO FRANCISCO DE ASSIS - Sr. Presidente e Srs. Deputados, na semana passada, uma das revistas políticas econômicas do nosso País trazia uma matéria sobre os gastos das Câmaras Municipais.
Também li nos jornais há algum tempo os gastos das Assembléia Legislativas do nosso País.
Se somarmos o gasto do Congresso Nacional, da Câmara dos Deputados e do Senado, fico imaginando o povo brasileiro passando fome, com um salário mínimo de R$151,00, com a saúde transformada num caos nacional, com a falta de medicamentos, com os professores em greve, e a educação pública, que deveria ser um exemplo, também está transformada num caos.
Tudo isso está acontecendo num País muito religioso, que é o Brasil. E fico imaginando que a maioria dos políticos que ocupam espaços nas Assembléias Legislativas, nas Câmaras Municipais e no Congresso Nacional são também religiosos.
Fico imaginando a quantidade de dinheiro que esses cidadãos consomem para manter essas estruturas pelo Brasil afora.
Uma pessoa que acredita em Deus e sabe que consome dinheiro que é produzido com o suor e o esforço de cada trabalhador brasileiro não deve estar a favor da situação. Não sei como uma pessoa pode se conformar com isso, enquanto o trabalhador, o aposentado ganha uma miséria de salário.
Sr. Presidente, quando assomos à tribuna, quando sou perguntado sobre meu trabalho neste Poder, sobre o que sinto desta Casa, tenho dito, repetidamente, que estou muito decepcionado, porque a maioria que passa por esses Poderes está a serviço do Poder Executivo. Na verdade não tem nem necessidade de existirem. Esta é a conclusão que chego.
Estou muito angustiado porque o povo é quem paga as contas. Aqui nesta Casa temos mais de mil funcionários, muitos são competentes e realmente trabalham, mas também há muitos que não trabalham, e a sociedade paga. Nós, os 40 Deputados, da mesma forma. No início dos trabalhados nem todos os Parlamentares estavam presentes, quando deveria ser diferente. Os trabalhadores não podem faltar ao trabalho, pois se faltarem são descontados. Nós, não precisamos.
Uma pessoa que acredita no poder divino, como acredito, não pode se sentir bem recebendo um salário bom, tendo mordomias, já que é tudo pago com dinheiro público. É obrigação minha estar aqui no início da sessão.
Às vezes temos que concordar com as pessoas quando dizem que não acreditam na classe política, porque o nosso País está virado do avesso, pois não param de aparecer na imprensa escândalos envolvendo políticos.
Isso tudo nos deixa constrangido e não vemos expectativa em continuar na política, porque realmente a desilusão tem sido muito grande.
Sento-me na minha cadeira e muitas vezes fico atento ouvindo os colegas Deputados e percebo que desta tribuna as falas são somente falas - de prática, nada; de projetos que realmente mudem a vida da população, do povo de Santa Catarina, nada!
A fiscalização ao Executivo, mesmo para nós, que somos da Oposição, é difícil, porque quando faço um pedido de informação, vem a resposta, divulgo, mas continua da mesma forma.
Então, tudo isso somado nos leva a crer que este País vai demorar muito ainda para mudar! Enquanto não mudar a consciência do político, não mudar a consciência do povo que elege os políticos, vamos continuar amargando por muito tempo ainda essa situação que vivemos hoje, essa situação desconfortável para os trabalhadores, desconfortável para as pessoas que dependem, infelizmente, da classe política para fazer as leis que regem a sua vida, o seu destino, que dependem dessas leis para manter os seus filhos na escola, para terem uma boa educação, para terem uma saúde digna, para terem uma casa digna, para terem o pão na mesa.
Sei que essas palavras pouco vão adiantar, mas pelo menos é um sentimento de coração, do que eu tenho vivido nesses poucos meses, um pouco mais de um ano que estou nesta Casa, diga-se de passagem, muito decepcionado com o Poder Legislativo, principalmente.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)