Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Nelson Goetten

37ª Sessão Ordinária - 03/05/1999

O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Sr. Presidente e Srs. Deputados, é uma satisfação poder hoje estar nesta tribuna fazendo alguns registros e comentários, para mim importantes.

Neste final de semana, em um conceituado meio de comunicação, o Diário Catarinense, na coluna de Paulo Alceu, o ex-Deputado Estadual João Matos, agora Deputado Federal por Santa Catarina, usou daquele espaço para denegrir a imagem do Deputado Nelson Goetten.

Quero aqui, muito tranqüilamente, poder registrar nesta Casa, baseado nos últimos acontecimentos desta semana, que o Deputado Federal João Matos vem enfatizando que este Deputado sofre diversos processos. De fato, respondo um processo, sim! Respondo um processo por perda de prazo, porque todo administrador público, infelizmente, está sujeito a denúncias, e no Município de Taió temos um problema de ordem particular agravado pela nossa promotora.

Quero registrar esse problema nesta Casa e dizer que ele surgiu devido a escolha do meu vice-candidato na oportunidade, quando o PFL, que era o Partido do meu vice, o escolheu em uma convenção para fazer composição comigo. Naquele momento, eu preteri aquele vice. Não o aceitei e ele se transformou em meu adversário ferrenho. Até entendo, mas após isso ele se casou com essa promotora e a partir desse momento a minha vida começou a ficar atrapalhada politicamente, porque fui, por muitas vezes, de forma injusta, acusado por essa promotora.

Com isso, chegamos ao ponto de responder um processo, que apenas está ainda em pauta, porque perdemos o prazo por um minuto. Mas em nenhum momento, na administração de Nelson Goetten, usei de má fé contra aquele povo, usei recursos do povo de Taió em meu benefício.

Queremos registrar que, como Prefeito daquele importante Município cravado no Alto Vale do Itajaí, assumimos aquela administração, na época, do Governo do PMDB, de Ademar Dalfovo, e naquela oportunidade o Município era o sexto Município do Alto Vale. Administramos com a responsabilidade de alguém que quer e deve fazer o bem.

Eu e a minha esposa - que não recebia um cruzeiro sequer - administramos aquele Município e, sendo a sexta economia do Alto Vale, elevamos para a segunda economia do Alto Vale. Era um Município de 22 mil cidadãos, que tinha apenas uma ambulância para atender toda a comunidade, que não tinha um pronto-socorro e que tinha apenas dois médicos, sendo que um deles estava comprometido emocionalmente. Esta é a realidade!

O Sr. Deputado Heitor Sché - V.Exa. me concede um aparte?

O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Pois não!

O Sr. Deputado Heitor Sché - Sr. Deputado, eu quero me solidarizar com V.Exa. pelo trabalho que vem realizando como Deputado pelo Alto Vale do Itajaí.

Entendo que nós, juntos, com o Deputado Rogério Mendonça, com V.Exa., devemos esquecer os problemas pessoais, que não deveriam aflorar nesta Casa, e trabalhar juntos, porque nunca o Alto Vale do Itajaí precisou tanto de nós como agora.

V.Exa., como Prefeito de Taió, teve um julgamento popular e fez a melhor votação até hoje naquele Município.

Eu queria parabenizar V.Exa. pela sua posição e, inclusive, pelo trabalho que faz no Alto Vale do Itajaí, colocando-me à sua disposição para, juntos, trabalharmos em favor de nossa terra.

O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Muito obrigado!

Realmente, não deveria ter trazido esse problema pessoal ao Plenário. Mas se fez necessário, porque o Deputado Federal João Matos, ex-Secretário da Educação do Estado de Santa Catarina...

Mas na condução daquele Município, tivemos o privilégio, então, de, primeiro, respeitar aquela gente, aquele povo. Trabalhamos com afinco e entregamos o carro do Prefeito daquele Município, Taió, portanto, o carro que era para a minha disposição, com a finalidade de atender a saúde de Taió. Compramos mais cinco veículos, oferecendo seis veículos para Taió, montamos o centro de saúde e o pronto-socorro para atender aquela gente no Município de Taió, contratamos, além dos seis médicos, dois dentistas e dois bioquímicos para atender aquela gente. Respeitamos tanto aquela nossa gente que colocamos aquele velhinho idoso e carente debaixo de uma cobertura, na sua casinha.

Implantamos lá, então, milhares de empregos para aquela gente. Viabilizamos de fato o Município de Taió, porque trabalhamos com o maior respeito por eles. Naquele Município, Taió, Município de Comarca, ganhávamos R$1.3 mil por mês.

Recebi aquela votação em Taió porque aquele povo sabia que eu tinha sido motorista de caminhão, que eu tinha sido o pião que ajudou a limpar os trechos, a assentar a lajota. Nós fomos, de fato, o chefe daquela gente de Taió. Nós fizemos, junto com aquele povo, um grande trabalho naquele Município. Fomos sempre respeitados por aquela gente e não é por acaso que fizemos 75% daqueles votos!

Portanto, nós, sim, temos essa dificuldade com essa Promotora. E respondo, também, o seguinte: fui o único Deputado, sim, o único dos 40 Deputados que teve as suas contas rejeitadas, mas não por crime eleitoral e sim por excesso de zelo na prestação de contas.

Nós, como todos os outros candidatos, em todas as regiões, fizemos os painéis: "Vote no candidato da região - apoio ACIT/CDL". Assim também aconteceu na nossa região. Só que lá, por causa da promotoria pública, isso foi considerado crime.

Foi a promotoria pública que entrou direto em Brasília pedindo a cassação do diploma do Deputado Nelson Goetten, porque dizia que ele tinha cometido abuso financeiro, dizia que ele tinha cometido crime eleitoral. Ela se adiantou em um julgamento que só aconteceu no mês de março, onde, através de um acórdão, os juízes disseram que não houve crime eleitoral e que em nada foi prejudicado o processo político eleitoral. Mas é gente como esta que trabalha e que luta que muitas vezes sofre esse tipo de perseguição.

Então, portanto, quero dizer ao Deputado João Matos que eu não falei dele aqui porque as obras estavam inacabadas. Eu falei, sim, do objetivo das obras, quando nós víamos grande parte de colégios sem sala de aula suficiente para atender o nosso aluno. Em contrapartida, no mesmo pátio, nós víamos uma quadra de esporte e um mini ginásio incompletos.

Então, o que eu questionava era isso. Eu não falava da continuidade das obras, eu falava que era importante resolvermos as obras, mas daí nós tínhamos dois problemas no colégio: um era a falta da sala de aula, pois o colégio estava depredado, e o outro era a quadra de esporte.

Mas não mexia na moral daquele Deputado! Agora, aqui tem alguém que tem moral, aqui tem alguém que pode falar porque lutou, trabalhou com afinco, como poucos fizeram até hoje por uma terra! E vou continuar desta tribuna fazendo o mesmo, defendendo o que é certo!

Agora, nós denunciamos, sim, e queríamos que ele apresentasse e dissesse nos jornais por que mentiram tanto para aquela nossa gente? Por que enganaram tanto aquela gente? Por que documentaram e registraram as mentiras e não cumpriram, naquela região? Isso é o que queríamos dizer!

Tenho o maior respeito pelos Deputados do PMDB e me parece, até, que eles foram usados naquele momento, mas se justiça vale para Nelson Goetten, então, o que vamos dizer quando a Justiça condena Paulo Afonso e o PMDB pelo roubo de R$124 milhões em Santa Catarina?

Se justiça vale para este aqui, que dizem que ofendeu e que roubou R$2.5 mil, então, imaginem para quem foi condenado esta semana a devolver para os cofres de Santa Catarina mais de R$12o milhões?

É essa a justiça que eu quero perguntar ao Deputado Federal João Matos: se vale para ele ou se só vale para o Nelson Goetten; esse tipo de justiça que condenou os 33 milhões que foram dados aos agiotas para arranjar uma documentação, que qualquer um bem entendido aqui em Santa Catarina poderia fazer.

Será que essa mesma justiça só vale para o Nelson Goetten? Ela só está certa quando está acusando, por R$2.5 mil por um crime eleitoral Nelson Goetten? E aqueles 40 milhões que foram mandados para Alagoas, carregados do povo de Santa Catarina? Será que esse não chora pela nossa gente, pela falta de atendimento, muitas vezes, nos hospitais e nos segmentos necessários ao desenvolvimento dessa sociedade?

Será que só ao Nelson Goetten vale a justiça? Será que só o Nelson Goetten cometeu erros? Será que não devemos aqui dizer que quem tem telhado de vidro não atira pedra nos outros, quem tem telhado de vidro não acusa os outros?

No Alto Vale nós apresentamos documentos! Temos documentos de 32 obras que não foram realizadas, que sequer saíram do papel, mas houve o uso do dinheiro público para isso! Será que não devemos chamar a atenção da sociedade catarinense para isso? Será que não vale denunciarmos desta tribuna isso? Será não vale a nossa manifestação? Claro que vale, sim, porque somos um defensor da sociedade, da gente de Santa Catarina!

Então, isso nos revolta, porque esse Deputado é demagogo, enganador, mentiroso, pois ajudou e compartilhou com alguém que roubou o dinheiro público do Alto Vale! Temos documentos! Estamos provando com documentos!

Quando assumimos tinha sido emancipado Mirim Doce. Mandaram todos os equipamentos, porque quem administrava Taió era um Prefeito do PMDB. Mandaram tudo o que podia rodar para Mirim Doce! R$1.6 milhão de dívida! Está aqui! Olhem a fotografia dos equipamentos que recebemos!

E aqui estão as obras que fizemos em benefício daquela sociedade de Santa Catarina. Duas pontes caídas no centro daquela cidade. E disseram para mim que se fizéssemos só aquela obra poderíamos ir para a casa: uma avenida, que representa em Taió um aeroporto de cinco quilômetros! Há 20 anos aquela cidade precisava de uma subestação de energia, e nós a viabilizamos! Foi a segunda cidade de Santa Catarina que recebeu celular! Foi lá, naquele Município, Taió, que muitas mentiras já tinham sido pregadas, mas arrumamos oportunidade de emprego para as nossas mulheres e para as nossas jovens! Foi em Taió que pegamos aqueles velhinhos abandonados e colocamos embaixo de um teto, porque respeitamos aquele povo!

Nós trabalhamos em favor daquele povo! Nós não enganamos, não mentimos e não registramos documentos da mentira! Em Taió, eu queria que os Srs. Deputados tivessem a oportunidade de ver!

Eu nunca disse que o Governo do Estado não fez obra em Taió! Eu disse que não fez com a Prefeitura de Taió. Foi lá fazer uma obra da Casan! Eu quero que vocês vejam o que fizeram com Taió; viraram de perna para cima! Obras da Casan só significariam se tivéssemos a captação e a rede para distribui-la, mas isto não foi feito em Taió. Só foi feito o projeto para beneficiar a empresa que tocou aquela obra. Nós estamos aqui para denunciar isto!

Nós fizemos uma fábrica completa e entregamos a chave por R$72 mil - foram 1.200 metros de obra. Na mesma semana colocaram uma placa de reforma de um colégio que já haviam reformado na época de Vilson Kleinübing de R$145 mil. É isto que nós denunciamos aqui.

Nós vamos usar esta tribuna para denunciar, sim! E esperamos que a imprensa vá até lá filmar e ver o que está acontecendo no Alto Vale.

Então, é por isso que nós nos revoltamos quando alguém usa a tribuna, quando alguém usa os jornais para enxovalhar, para mentir, para ofender quem prestou um grande trabalho para o povo; quem veio aprovado pela urna e que chegou aqui com 75% dos votos do povo; quem tem o reconhecimento popular. Nós temos o respeito dessa gente e nós temos o compromisso de trabalhar muito em favor de Santa Catarina.

Cabe aqui até um minuto de silêncio em favor desse povo que sofre. Foram roubados R$130 milhões do povo de Santa Catarina, enquanto nós precisamos de tanta assistência na saúde. Isso nós podemos falar aqui, sim! Ninguém vai tapar a nossa boca, não! Alguém está lá, na Espanha, tranqüilo, e nós, juntando os cacos aqui em Santa Catarina; um bilhão e seiscentos milhões.

Um bilhão e seiscentos milhões é dinheiro que assusta qualquer Governante, em qualquer parte deste planeta. Por que Santa Catarina, que tem um povo trabalhador, tem que viver uma desgraça dessa natureza?!

Choro junto com o servidor que espera poder saldar as suas contas. Choro, compartilho e tenho o mesmo sentimento, junto com ele, mas esperamos, sim, que o Governador Esperidião Amin, um homem trabalhador e de valor, com a responsabilidade que tem, com a competência que tem junto à sua equipe, possa desenvolver um trabalho, buscar, através das suas ações, alternativas para este nosso imenso território catarinense, desfazendo o que, nesses últimos quatro anos, nas páginas de todos os jornais nacionais, envergonhou a gente de Santa Catarina.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)