19ª Sessão Ordinária - 25/03/1999
A SRA. DEPUTADA IDELI SALVATTI - Sr. Presidente, Sra. Deputada e Srs. Deputados, esta foi uma semana curta de trabalhos legislativos, mas indiscutivelmente uma semana extremamente intensa.
Por conta do aniversário da cidade de Florianópolis, não tivemos sessão na segunda-feira nem na terça-feira. E por conta dos ocorridos, esta foi a semana da notificação apresentada pelo Governo sobre a questão do Besc e das inúmeras atividades desenvolvidas no dia de ontem aqui, nesta Casa, desde o ato público dos magistrados, dos juízes, dos desembargadores, até a sessão especial que teve como tema a questão do desemprego, o tema da campanha da fraternidade deste ano.
Portanto, não tive a oportunidade de fazer o meu registro com relação ao aniversário da nossa Capital. Então, utilizo a tribuna no dia de hoje para algo mais ameno e para fazer a leitura do artigo que foi publicado no jornal A Notícia no dia do aniversário da nossa Capital.
(Passa a ler)
"Uma paixão de cidade
O lugar onde se nasce é uma casualidade. Onde viver, construir a casa, criar os filhos, pode ser uma opção. Estar integrado, fazer e sentir-se parte do lugar, da sua história, do seu futuro, da sua gente, pode ser uma decisão. Incorporar-se de forma absoluta a ponto de querer fecundar a terra, viver e morrer aqui, pode ser uma vontade. É assim que me sinto em Floripa, depois de muitas cidades; aqui é o meu lugar, por escolha, nesta Ilha do Desterro.
Neste ‘pedacinho de terra’ aportei, ocupei, adquiri usucapião. Por esta bruxuleante e mágica Ilha se estreitou meu coração. É através da ponte, onde mais ninguém passa, que me sinto ligada, integrada ao mundo. Ponte esta que me abraça diariamente, luminosa. É na rebeldia característica de sua juventude que me identifico, nesta novembrada Ilha.
É na negritude, na manezice, no gauchesco, temperado açorianamente, do povo desta terra, que me reconheço. É este florianopolitano povo, da mais cosmopolita das províncias, que me dá ganas de ir em frente, de querer mais, de buscar o sonho da justiça, da liberdade, da felicidade. É com a gente desta terra que sofre a exclusão social, a absurda desigualdade, que me sinto comprometida.
É a oferta da natureza sendo apropriada por tão poucos que me mantém indignada. É esta especulação que ‘ameaça e destrói as coisas belas’, como na minha Sampa natal, que me afronta. É por ser o que é, é por saber o que poderia ser, que Floripa me apaixona. Mais apaixonada fico a envelhecer com esta cidade, em comemorar junto com o lugar que eu escolhi viver mais um ano de vida. Floripa merece parabéns. Nós, que aqui vivemos, merecemos parabéns. Isto aqui é bom, mas poderia ser bem melhor, para todos."
Então, é isto que eu gostaria de registrar na tribuna, com dois dias de atraso, mas indiscutivelmente tenho paixão pela cidade onde escolhi morar, como acho que todos os catarinenses têm por esta belíssima Capital tão judiada pela especulação imobiliária, pelos interesses de tão poucos - retrato desse Brasil onde a exclusão reina e impera -, mas indiscutivelmente um lugar abençoado pela natureza e por Deus.
Gostaria ainda de poder me reportar, depois desse breve intervalo para as declarações de amor, ainda à nossa indignação com relação à situação que está sendo criada no Besc.
Ontem já pude registrar e questionar quem é que responde pelo Governo e aproveito mais uma vez para fazê-lo, inclusive agora com a presença do Líder do Governo na sessão. Ontem, S.Exa. não estava na hora em que eu me pronunciei.
O Governador Esperidião Amin, reiteradas vezes, na reunião de terça-feira reafirmou a disposição de manter o Besc como banco público, mas o Líder do Governo e também o Senador da República reiteram que vai ter que privatizar e que não adianta sequer o Governador dizer o contrário, porque vai ter que privatizar e não tem conversa.
Gostaria ainda de registrar, além da pergunta de quem é que fala pelo Governo, o meu repúdio absoluto com relação às declarações do Secretário da Fazenda, porque na reunião com o Governador nos foi pedido absoluto sigilo, cuidado, na divulgação dos números, foi-nos transmitida uma total preocupação no sentido de que não estimulássemos uma correria ao Banco.
Hoje, o Besc não tem problema de liquidez, de quebrar, agora, se não tomarmos cuidado, a correria ao Banco pode criar essa situação.
Vejam bem, todos os Parlamentares saíram absolutamente convencidos de que tinham que ter essa preocupação - e estou vendo a Deputada Odete do Nascimento confirmar com a cabeça -, tanto que o documento que nos foi entregue pelo Governador foi recolhido. E cada um dos Parlamentares que teve interesse, copiou o número que lhe interessava, mas tenho absoluta certeza de que todos nós saímos de lá convencidos de que tínhamos que tomar cuidado na hora de fazer os nossos pronunciamentos e a divulgação, principalmente, dos números.
Agora, vai o Secretário da Fazenda e estampa em todos os jornais que o Besc vai mal. Ora, quando um Secretário da Fazenda diz que o Besc vai mal, o que a população pode entender: que tem que tirar o dinheiro do Banco, a sua poupança, enfim, que tem que acabar com o seu depósito a prazo.
Quero deixar aqui registrada a minha indignação, porque se vamos tratar desse assunto, que é sério, que é grave, pela armação que está se fazendo e pela irresponsabilidade quando o Secretário da Fazenda do Governo descumpre aquela orientação que o próprio Governador deu para nós, Parlamentares, a qual cumprimos, vamos perder o controle da situação.
Tenho absoluta certeza de que não saiu da boca de nenhum Parlamentar os números que estão estampados nos jornais, mas há indiscutivelmente um descontrole do próprio Governo. O Governador fala uma coisa, o Líder do Governo fala outra; o Governador pede para os Parlamentares terem cuidado para não criar o pânico, e o Secretário da Fazenda vai a todos os jornais declarar que o Banco está mal.
Gostaria de deixar registrado, inclusive, que estamos discutindo na Bancada se vamos oficializar esse repúdio com relação ao Secretário da Fazenda.
Obviamente que ninguém dá conselho a ninguém. Mas se eu fosse Governadora do Estado, não iria admitir duas coisas: que o Líder do meu Governo dissesse...
(Foram desligados os microfones.)
... e jamais iria admitir que o meu Secretário da Fazenda descumprisse a minha recomendação e saísse aos quatro ventos a dizer que o Banco vai mal, a criar o pânico na população e nos correntistas do Besc.
Muito obrigada!
(SEM REVISÃO DA ORADORA)