123ª Sessão Ordinária - 10/11/1999
O SR. DEPUTADO MILTON SANDER - Sr. Presidente e Srs. Deputados, pretendo, antes de adentrar no assunto que me traz à tribuna, de acusar com muita alegria o recebimento, há poucos instantes, de um fax comunicando que a rádio Supercondá, de Chapecó, que tem abrangência em mais de cem Municípios, é a rádio mais potente daquela grande região, conquistou na Unicef dois troféus em relação às reportagens que promoveu durante o ano, uma delas sobre a questão da rota da exploração do menor, já que somos um corredor entre Paraguai, Uruguai e Rio Grande do Sul, assunto muito tratado pelas autoridades policiais, pelas entidades que cuidam da adolescência e da criança, e a outra sobre os problemas de saúde causados pela mochila usada pelas crianças na escola. Chapecó estabeleceu, por lei oriunda da Câmara de Vereadores, ainda no mês de maio deste ano, uma legislação determinando que peso uma criança pode carregar.
Então, a nossa rádio, por essas duas reportagens, mereceu um prêmio em um concurso que teve a participação, nada mais nada menos, da Rede Globo, da TV Cultura de São Paulo, da revista Isto É, do Estadão de São Paulo e do Estado de Minas, que também foram premiados.
A única emissora de rádio premiada no Brasil foi a emissora da minha cidade. Portanto, acho importante fazer este registro.
E quero deixar registrado nos Anais os nossos cumprimentos aos repórteres Paulinho Gomes e Roni Oliveira, autores desses dois temas que permitiram a conquista desse prêmio de valor jornalístico tão importante para a nossa região e para a imprensa do Estado de Santa Catarina.
Sr. Presidente e Srs. Deputados, hoje, praticamente, só ouvimos aqui lamentações, queixas, acusações, mas as duas notícias que eu trago aqui vão traduzir o lado diferente das coisas. Nem tudo vai mal no Brasil.
Tenho em mãos um recorte do jornal Diário Catarinense, do início da semana, que traz a notícia da reativação do Grupo Chapecó, o maior frigorífico na área de suínos do Oeste catarinense, o mais antigo, o pioneiro, que depois de três anos e meio de dificuldades financeiras, graças a uma engenharia financeira montada pelo BNDES, com o apoio do Governador Esperidião Amin e do Senador Jorge Bornhausen, que influiu em algumas resoluções no Banco Central e no próprio BNDES.
Um grupo italiano com um braço econômico muito forte na Argentina adquiriu o Grupo Chapecó. A diretoria, que é formada por cinco brasileiros, já assumiu. O presidente é um catarinense nascido em Concórdia, o Dr. Alex Fontana, filho do ex-Deputado Victor Fontana.
O Dr. Alex Fontana, homem de larga experiência no mercado de carnes no mundo inteiro, morou nos Estados Unidos e na Europa, dirigiu grandes empresas, como a Sadia, que é, no setor de carnes, a maior empresa de Santa Catarina.
Para aquela região, Deputado Romildo Titon, essa é uma notícia da maior importância sócio-econômica.
Hoje, o frigorífico está funcionando com pouco mais de 30 ou 40% da sua produção, com metade dos seus funcionários.
Participamos do jantar na associação comercial de apresentação dessa nova diretoria do Grupo Chapecó, do Grupo Macri, que em 120 dias quer estar com 100% da produção, investindo no frigorífico de Chapecó e na outra unidade, na cidade de Xaxim, 80 milhões de dólares ainda no primeiro ano de atividade.
Esta empresa, com a retomada das atividades, vai gerar riquezas, impostos e empregos, mais de dois mil e quinhentos empregos.
Então, esta é uma notícia muito alegre, diante de tantas tristezas e tantos depoimentos contundentes em relação às coisas que estão acontecendo no Brasil.
Gostaria ainda, Sr. Presidente e Srs. Deputados, de falar sobre a retomada das obras do esgoto sanitário da cidade de Chapecó.
Na última vez em que fui Prefeito, muito lutei, fiz viagens intermináveis a Brasília, a Florianópolis, visitas à Caixa Econômica, ao Banco Mundial, ao banco não sei de onde, mas a coisa continuou se arrastando, mas agora, pelo contrato feito no Governo passado - é bom que se frise isso -, a Caixa Econômica acabou de liberar, dos R$36 milhões, os primeiros R$12 milhões.
As obras iniciaram no dia 1º de novembro, tendo um fluxograma de investimentos para a conclusão da primeira etapa, dos primeiros R$12 milhões de investimentos até o mês de junho, o que vai gerar quase 500 empregos diretos, que a empresa Ivai, detentora da concessão de construção dessa obra, já está contratando no seu canteiro de obras, e um investimento médio de R$600 mil por mês.
Então, é uma notícia importante para a nossa região. Chapecó deve, ainda na virada do século, nos primeiros anos, tornar-se uma cidade de Primeiro Mundo.
Temos em nossa cidade um grande aeroporto, um grande estádio de futebol, as ruas quase todas asfaltadas, grandes indústrias, um comércio muito forte, mas não temos qualidade de vida.
Agora, com essa obra, Chapecó será uma das poucas cidades brasileiras a ter o serviço de coleta e tratamento de esgoto sanitário. Os dejetos, quando lançados no Rio Passo dos Índios, que é o rio que corta a cidade de Chapecó, antiga Vila Passo dos Índios, terão 98% de pureza, possibilitando a produção de peixes e assim por diante.
Esta notícia talvez não interesse a todos, mas é um regozijo muito grande para nós.
Quero aqui cumprimentar o Governador Esperidião Amin, a diretoria da Casan, que não desistiu desde janeiro, pelas nossas insistências, de buscar esses recursos, a contrapartida do Banco Mundial, a contrapartida da Caixa Econômica, para que pudéssemos ver a partir do dia 1º de novembro a realização de uma obra almejada há mais de 20 anos pela população de Chapecó.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)