105ª Sessão Ordinária - 04/10/1999
O SR. DEPUTADO VOLNEI MORASTONI - Sr. Presidente e Srs. Deputados, manifesto-me neste momento para fazer um feliz registro em relação à minha cidade, Itajaí, que tem sido lembrada pela imprensa nacional em função dos altos índices de contaminação por HIV/Aids. Infelizmente ela ocupa o primeiro lugar do Brasil, seguido de Balneário Camboriú, e ocupando o terceiro lugar está Florianópolis.
Itajaí, provavelmente pela sua localização geográfica, uma porta de entrada do Vale do Itajaí, na Rota do Sol, às margens da BR-101, tem essa situação peculiar facilitada pelo tráfico de drogas. Todas as pesquisas mostram que a problemática das drogas não tem nada a ver com o porto, nem mercante nem pesqueiro, mas está em função do entroncamento rodoviário. E aí a droga chega em grande abundância, é barata e, infelizmente, infelicita muitos jovens, muitas pessoas.
Sobre este assunto nós ainda haveremos de tratar mais especificamente aqui desta tribuna, até mesmo porque juntamente com a Companheira Ideli Salvatti estamos abraçando uma causa mais forte, mais vigorosa, em relação à situação da Aids em Santa Catarina. E nos próximos dias, semanas, meses, enfim, até o final deste ano deveremos voltar reiteradas vezes a nos manifestar sobre essa situação.
Mas eu também tenho certeza que a minha cidade, num futuro muito breve, haverá de transpor essa barreira, haverá de superar essa condição, essa situação, uma vez que tratar esse problema, não negando o problema em si mas reconhecendo que o problema existe, identificando quais são os fatores, quais são as causas, quais os elementos que estão inter-relacionados, poderemos abrir a roda numa aliança com a sociedade e o Poder Público e realmente superar essa condição.
Causa-me estranheza, por outro lado, por que sempre às vésperas da Marejada - e na próxima sexta-feira será aberta em Itajaí a 13ª Marejada, precedida na quinta-feira já da 14ª Oktoberfest em Blumenau - é trazido à tona em nível nacional essa condição de Itajaí em relação ao problema da Aids? Há dois anos a revista Veja publicou uma matéria exatamente na semana que precedia a Marejada, dizendo que Itajaí é a "Capital da Aids" no Brasil. Naturalmente que isso causa uma série de dissabores e problemas em relação a toda a programação.
Quero dizer que em nenhuma hipótese podemos negar essa situação, podemos negar essa condição. Precisamos identificá-la devidamente e vencê-la.
Agora, se por um lado há essas notícias que não nos agradam muito ou que causam determinados estigmas negativos, por outro lado temos boas notícias, e aí quero destacar dois fatos recentes em relação a Itajaí.
O primeiro fato é que na semana passada a cidade de Itajaí foi notícia nacional, foi manchete em nível nacional com uma premiação devida à Universidade do Vale do Itajaí, em que o professor Humber Agrelli de Andrade, da Faculdade do Centro de Ciências Tecnológicas da Terra e do Mar/Oceanografia, da Univali, foi premiado com o projeto Jovem Cientista.
Essa é uma distinção que, sem dúvida, enaltece a nossa universidade, e foi recebida em função do trabalho dedicado às questões do mar, que tinha como título "Oceanos - Fontes de Alimentos". Com esse trabalho Itajaí foi lembrada no cenário nacional, através da sua Universidade do Vale do Itajaí, que hoje é a segunda universidade do Estado de Santa Catarina, com mais de 15 mil estudantes.
Itajaí foi agraciada com esse prêmio nacional, mostrando que também lá existe esse lado positivo da ciência, da pesquisa, dos estudos que envolvem a nossa universidade.
O segundo fato marcante foi que o Instituto de Música, Canto e Arte de Itajaí foi escolhido, através do Coral Carpe Diem, na categoria juvenil, para participar do segundo Concurso Nacional Funarte de Canto Coral. O Coral Carpe Diem foi o único coral juvenil selecionado entre os três Estados do Sul do Brasil, entre dezenas de corais, entre centenas de corais em todo o Brasil que participaram de uma prévia, para representar do Estado de Santa Catarina. Mas na verdade representa até o Sul do Brasil, já que entre os Estados do Paraná e Rio Grande do Sul foi o único escolhido.
Quero dizer que é mais uma oportunidade de mostrarmos em nível nacional a nossa cidade de Itajaí, pela sua cultura, pelo valor do seu povo, neste momento tendo como referência o aspecto da música, do canto e da arte.
Aproveito a oportunidade para parabenizar o Instituto de Música, Canto e Arte de Itajaí, que exerce um trabalho extraordinário em nossa comunidade com crianças, jovens e também adultos, através da música, da orquestra e dos corais.
Isso é muito importante, porque precisamos incentivar e valorizar trabalhos como esse executado pelo Instituto de Música, Canto e Arte de Itajaí, que se destaca, por ter sido escolhido, levando crianças e jovens ao Rio de Janeiro para participarem de um certame nacional, trabalhando com a arte e com a música.
Há pouco fazia referência ao problema das drogas e da Aids, e como vamos vencer esse desafio, esse gravíssimo problema que afeta todos nós, se Itajaí está aí como a ponta do iceberg?! É assim que vamos superar esses problemas e outros que nos afetam, ou seja, através de trabalhos com crianças, jovens e mesmo adultos, como esse que o Instituto de Música, Canto e Arte de Itajaí vem desenvolvendo.
Portanto, os meus votos de felicitação tanto à Universidade do Vale do Itajaí pela obtenção desse prêmio Jovem Cientista, através de um de seus professores, como ao Instituto de Música, Canto e Arte de Itajaí por esse honroso destaque de representar os três Estados do Sul do Brasil no dia 8 de outubro, no Rio de Janeiro, nesse II Concurso Nacional Funarte de Canto Coral.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)