95ª Sessão Ordinária - 04/12/2001
O SR. DEPUTADO AFRÂNIO BOPPRÉ - Sr. Presidente e Srs. Deputados, ontem a Assembléia Legislativa prestou uma homenagem, por parte da imprensa, a vários Deputados por se destacarem na atividade parlamentar durante o ano de 2001.
Quero parabenizar esta Casa pela iniciativa e os homenageados.
Ontem, quando participei da sessão, prestei bastante atenção aos Deputados homenageados. E, sobretudo, chamou-me a atenção que dentre eles, dois Deputados que foram eleitos como destaque eram exatamente nada mais nada menos do que a Presidente da CPI da Sonegação, Deputada Ideli Salvatti, e o seu Relator, Deputado Ronaldo Benedet; aquela CPI que o Governador Esperidião Amin operou de forma a abafar. No entanto, ontem, a imprensa homenageou os dois Deputados que tiveram a responsabilidade de investigar o assunto da sonegação.
Também chamou-me bastante atenção uma entrevista da revista ISTOÉ, que diz o seguinte:
(Passa a ler)
"Sem-Terra em Washington
Darci Frigo, membro da Comissão Pastoral da Terra, recebe no Senado dos EUA prêmio de direitos humanos da Fundação Robert Kennedy
Demorou, mas a causa chegou ao Primeiro Mundo. No próximo dia 20, a luta pela democratização da terra no Brasil entrará na pauta do Senado americano pela porta da frente. O advogado catarinense Darci Frigo, membro da Comissão Pastoral da Terra, receberá em Washington o Prêmio Robert F. Kennedy, depois de ter sido eleito - entre 30 indicações de todo o mundo - a pessoa que mais de destacou na defesa dos direitos humanos.
Pela primeira vez, um brasileiro é condecorado pelo instituto da família Kennedy, uma das mais importantes organizações de direitos humanos do planeta. A conquista representa um empurrão e tanto na busca de soluções para os problemas agrários do País. Desde 1984, quando a premiação teve início, a homenagem vem garantindo repercussão internacional às causas escolhidas.
Neste ano, será a vez de temas como trabalho escravo, grileiros e violência no campo fazerem parte da cerimônia. Há 15 anos o advogado se dedica à defesa dos trabalhadores sem-terra e sem direitos. Darci Frigo, 39 anos, soube da notícia por Kerry Kennedy Cuomo, filha do Senador assassinado em 1968 e sobrinha do presidente John Kennedy. Por telefone, Kerry elogiou seu engajamento nas lutas populares - bandeira que o advogado carrega desde os tempos de militância na Pastoral da Terra da Igreja Católica. ‘Só acreditei que era ela quando minha secretária passou a ligação’, contou a ISTOÉ antes de embarcar para os Estados Unidos, no domingo 11.
Na viagem, também estão agendados encontros no Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, na Comissão de Direitos Humanos do Senado, além de audiências com o Banco Interamericano de Desenvolvimento.
Filho de pequenos agricultores de Capinzal (SC), Darci acumula uma enorme vivência na luta contra a repressão policial, mas não controla as lágrimas, quando lembra de amigos que viraram vítimas. Já foi ameaçado de morte, preso e impedido de exercer sua profissão por se envolver em conflitos com a polícia nas ações de despejo. Hoje mora em Curitiba. De lá, coordena a Rede Nacional de Advogados Populares - grupo de profissionais, criado por ele, que defende aqueles que não podem pagar assessoria jurídica e de onde sairão os futuros Darcis Frigo."
Faço questão de chamar atenção para esta entrevista, por duas razões. A primeira, porque se trata de uma premiação a um catarinense que foi reconhecido pela sua luta em defesa dos direitos humanos.
Em segundo lugar, por se tratar de um companheiro que dedicou a sua vida profissional à luta, juntamente com centenas, milhares de companheiros, em favor da reforma agrária.Ao ler esta reportagem, achei que não poderia deixar de registrar na tribuna do Parlamento catarinense a homenagem, que tenho certeza de que não é somente ao Darci Frigo, mas a todos aqueles que se dedicam à causa da reforma agrária, do combate às injustiças sociais promovidas pela sociedade capitalista, perversa.
Esta é uma homenagem que o próprio Darci Frigo dedica aos companheiros que tombaram na luta em favor de uma sociedade mais justa e igualitária, de tal forma que essa relação de enfrentamento político, reconhecido pelo próprio Darci na matéria, em que ele diz que hoje a violência no campo vem diminuindo, em que pese venha modificando a sua forma de acontecer... Mas isso, segundo o próprio homenageado, deve-se ao fato de a própria imprensa ter dado cobertura aos massacres que foram feitos em grande número no Brasil e a sociedade hoje estar cada vez mais vigilante e interessada em que se dê fim a esse tipo de postura.
Quero dizer que, além das homenagens rendidas à Deputada Ideli Salvatti e aos Deputados Jaime Mantelli, Ronaldo Benedet e João Henrique Blasi no dia de ontem, também um companheiro de militância junto às causas populares aqui em Florianópolis será homenageado no dia 10 pela sua postura, dedicação e pelo seu envolvimento com os excluídos desta cidade.
Gostaria de dizer que todos nós, que queremos uma sociedade sem explorados e sem exploradores, sem oprimidos e sem opressores, estamos também muito satisfeitos por saber que o nosso companheiro querido, Padre Vilson Groh, será homenageado também pela sua dedicação junto aos direitos humanos, pela sua disposição diuturna de estar junto com as comunidades carentes da periferia, dos morros aqui em Florianópolis, e pela sua disposição de fazer o enfrentamento com as elites dominantes.
E, portanto, essas homenagens da imprensa, do Senado americano e do Padre Vilson Groh dignificam todos nós, a nossa atuação, e reforçam ainda mais a nossa convicção de que não devemos diminuir o nosso ímpeto transformador em função das dificuldades que possamos encontrar no dia-a-dia.
Quero, então reforçar o convite a todos para participarem da homenagem também ao Padre Vilson Groh.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)