69ª Sessão Ordinária - 02/09/2008
O SR. DEPUTADO DIRCEU DRESCH - Sr. presidente, srs. deputados, sra. deputada, estou muito contente, deputada Odete de Jesus, em ser um parlamentar neste momento, deputado estadual, e poder dialogar com os catarinenses, participar deste momento tão importante da política brasileira, da democracia, das eleições municipais, quando toda sociedade tem o direito de escolher os seus candidatos a prefeito, a vice-prefeito e a vereador, que vão dirigir os municípios nos próximos anos. Isso é muito importante neste momento, e eu estou muito contente, muito feliz em também poder coordenar o processo das eleições do meu partido, através do GTE, o Grupo de Trabalho Eleitoral. Estamos andando muito pelo estado, construindo, acompanhando os nossos candidatos e candidatas a prefeito e a vereador.
Por outro lado, também fico feliz de ser deputado neste momento em que o Brasil colhe grandes frutos na área social, econômica e de trabalho, principalmente.
E eu, enquanto agricultor, que passei quase trinta anos da minha vida organizando os agricultores, lutando por dignidade, por respeito ao meio rural, estou muito feliz porque começamos a visualizar uma perspectiva muito positiva para os nossos agricultores do estado, com uma combinação dos programas sociais, como o Bolsa Família; a geração - e anunciada pelo presidente Lula esta semana - de dez milhões de empregos com carteira assinada nos últimos cinco anos e a valorização do salário mínimo no Brasil. Isso tudo cria uma perspectiva para o povo trabalhador, para a população brasileira e para o assalariado consumir mais proteína animal.
Srs. deputados, para o nosso estado isso é muito positivo porque somos um estado fortemente baseado na produção de alimentos, principalmente proteína animal, seja o leite, a carne ou outros produtos que são produzidos aqui, como o peixe agora, o comércio do ministro Altemir Gregolim entrando em pauta e também a cesta básica brasileira cada vez mais forte.Então, me parece que há uma perspectiva clara de que a agricultura familiar, a agricultura catarinense, a agricultura brasileira deixou de ser a âncora no fornecimento de comida barata para não precisar aumentar o salário dos trabalhadores brasileiros, não aumentar o salário mínimo. E o presidente Lula já anunciou na semana passada que o salário mínimo do ano que vem será de R$ 460,00.
Isso me deixa muito animado. E estão aqui deputados que há poucos dias criticaram muito a questão do aumento da cesta básica, da inflação, mas agora, hoje, o Diário Catarinense traz uma manchete sobre a redução da cesta básica, segundo os dados do IBGE, de 8% no mês de agosto. Isso é muito positivo e já está dando reflexos positivos com os programas que o presidente Lula lançou, principalmente o programa Mais Alimentos, que já na agricultura - e quero dizer para todos os catarinenses - o resultado de investimento é muito rápido, pois em dois ou três meses nós poderemos ter resultados de qualquer investimento, porque existem vários produtos, vários alimentos que em dois ou três meses que já estarão dando produção.
Portanto, é muito positivo para a sociedade e para o trabalhador, quando os alimentos diminuem de preço. O trabalhador fica muito feliz porque ele pode comprar e se alimentar mais e melhor.
Mas, por outro lado, estava agora acompanhando uma entrevista da nossa grande senadora Marina Silva, que foi ministra do Meio Ambiente até há poucos dias, e ela trouxe uma matéria que me chama muita atenção, deputado Sargento Amauri Soares, sobre a questão da transgenia. Está-se comprovando na prática, e muito rápido, graças a toda situação e conjuntura - e inclusive sindicatos patronais já estão começando a dar para trás - que o custo da soja transgênica está mais caro que a tradicional, a convencional. Está caindo por terra o forte discurso de que a produção de soja transgênica era a salvação da pátria. E nos preocupava muito a questão não só econômica, mas a questão ambiental, principalmente da saúde da população e o domínio das multinacionais.
E visitando o estado todo, deputado Pedro Uczai, nos preocupou muito que justamente com o domínio dos insumos e a dependência do Brasil, que historicamente deixou de investir na produção de insumos internos, o custo de produção aumentou muito e isso novamente cai nas costas da nossa agricultura e principalmente da agricultura familiar.
Então, entendo que começa a se viabilizar a possibilidade de voltarmos a discutir a questão dos produtos transgênicos e a sua não produção no país, principalmente aqui no Rio Grande do Sul, de onde veio toda essa pressão, com as empresas inclusive cobrando royalties, aumentando em 16% os royalties da produção dos agricultores, cobrando inclusive de quem não comprou sementes transgênicas e plantou sementes da própria propriedade.
Essas questões são lamentáveis, quando muitas vezes dirigentes - que se dizem dirigentes, mas na minha avaliação não são, porque não conseguem olhar para frente - induzem os nossos agricultores a produzir um tipo de produto que os torna totalmente dependentes e os coloca numa determinada situação que no futuro não haverá mais volta, como é a questão da produção de transgênicos.
Portanto, por um lado estamos muito contentes por construirmos essa nova perspectiva, e pelo governo brasileiro tomar essa decisão de voltar a investir na produção de insumos. Infelizmente estamos comemorando dez anos da privatização das nossas duas empresas estatais que produziam adubo, porque era estratégica a sua produção para não deixar encarecer o produto, para que o preço dos alimentos não subisse muito, porque um aumento muito grande deles significa morte, significa fome, porque os pobres no mundo não conseguem comprar.
Assim, nessa perspectiva nós estamos trilhando um caminho muito seguro para termos uma política de renda no meio rural daqui para frente.
Queria fazer esse registro, cumprimentar e aqui parabenizar a iniciativa do governo brasileiro de voltar a produzir insumos, porque isso significa insumo mais barato no futuro. Uma empresa de produção de insumos pode significar o mesmo que a Petrobras para manter reduzidos os preços dos combustíveis, principalmente da gasolina.
Então, queremos dizer que estamos muito contentes por estarmos nesta caminhada no estado, por estarmos contribuindo com o processo do debate das eleições municipais, mas também por estarmos, por todo um período, discutindo as questões da agricultura. Agora começa a se desenhar no país essa nova perspectiva de desenvolvimento.
Dizia aqui o líder do governo do estado, deputado Manoel Mota, que o estado de Santa Catarina atravessa um momento especial. É verdade, mas isso acontece essencialmente porque há uma política de incentivo ao consumo; há novos empregados, novos trabalhadores no Brasil, e Santa Catarina também vem-se beneficiando muito no setor industrial, no setor de carnes, no setor lácteo, enfim, no setor de alimentação que está crescendo muito no nosso país, porque o povo brasileiro está-se alimentando melhor.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)