66ª Sessão Ordinária - 30/08/2007
O SR. DEPUTADO JAILSON LIMA - Sra. presidente, deputada Ana Paula Lima, sras. deputadas e srs. deputados, telespectadores da TVAL, ouvintes da Rádio Alesc Digital, pronuncio-me neste momento, deputado Serafim Venzon, como médico que sou, primeiro externando a preocupação que tenho constantemente em relação ao consumo de bebida alcoólica no país. E pesquisa recente publicada na revista Isto É desta semana constata o seguinte.
(Passa a ler.)
"Adolescentes brasileiros bebem cada vez mais.
Saiu o mais completo estudo sobre o consumo de bebidas alcoólicas no Brasil (feito pela Secretaria Nacional Antidrogas). Chama a atenção o quesito adolescente: um terço dos brasileiros (todas as classes sociais) entre 14 e 17 anos consome álcool regularmente e, desse grupo, 16% bebem em excesso - o que significa pelo menos cinco doses ao longo de 24 horas. Outro dado: 21% dos jovens (sexo masculino) dessa faixa etária beberam abusivamente em 2006. Entre as adolescentes o consumo está na casa dos 11%. A pesquisa comprova uma grave questão da saúde pública no Brasil: é cada vez mais baixa a idade com que se começa a beber (em média 13 anos).
Quanto à população adulta do País, 28% (cerca de 33 milhões de brasileiros) fazem uso excessivo desse tipo de droga."[sic]
A preocupação que se tem com essa questão é de tamanha importância para que a classe política deste país apóie o movimento que o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, está fazendo no combate ao consumo excessivo de bebida alcoólica. Basta observarmos que os jovens estão começando a beber excessivamente a partir dos 13 anos de idade e que muitos desses morrem nas estradas, nos acidentes de trânsito, gerando essa verdadeira guerra rodoviária.
Sabemos que mais de 50% dos acidentes fatais são decorrentes do uso de bebida alcoólica nas estradas e o ministro está começando a sofrer, deputada Ana Paula Lima, o confronto da mídia e das empresas de bebidas alcoólicas, que têm nos horários comerciais nobres sua estampa de publicidade. O ministro da Saúde tem preconizado uma campanha mais crítica e consciente em relação ao uso de bebida alcoólica e o controle dos meios de comunicação em relação aos horários de publicidade.
Recentemente, vi uma publicidade, uma propaganda, na televisão muito interessante, que mostrava a divulgação das bebidas, o quanto era bom beber, mas não mostrava o outro lado, o desentendimento familiar, a agressão, principalmente a consternação social que acontece pelo consumo excessivo de bebida.
E quando nós vemos essa juventude bebendo dessa forma, segundo essa pesquisa, isso nos leva a uma preocupação muito grande. Por isso a pesquisa diz 56% dos brasileiros são a favor de uma maior tributação das bebidas alcoólicas e 79% são favoráveis à proibição de sua publicidade.
A bebida mais consumida é a cerveja, segundo estudo recente da Universidade de São Paulo, e seu consumo equivale 73% do consumo daquelas pessoas que fazem uso excessivo de álcool.
Portanto, aqui os nossos parabéns ao ministro da Saúde, o nosso apoio contestável à campanha que está tentando disseminar neste país, principalmente sabendo que a sua preocupação é com as futuras gerações de brasileiros.
Ao mesmo tempo, também quero registrar que na semana que vem estaremos, nesta Casa, com uma audiência pública para abordar a questão do transplante. Santa Catarina é o estado que mais transplantes faz no Brasil e na primeira semana de setembro estará ocorrendo o Congresso Brasileiro de Transplante Latino-Americano, ocasião em que nesta Casa haverá uma audiência pública com participantes desse congresso, com uma palestra do dr. Joel, coordenador desse serviço no estado de Santa Catarina, a quem tenho a honra de parabenizar pelo eficiente trabalho que faz neste departamento na secretaria da Saúde.
Gostaria de alertar cada cidadão catarinense que os transplantes podem salvar muitas vidas e que muitos dos pacientes que deixam de enxergar e que vivem nas filas da hemodiálise poderão ter o seu sofrimento minorado através de um transplante de córnea e de rim, respectivamente.
Por isso a importância dessa grande campanha pelo transplante, para que se ampliem as doações de órgãos no estado de Santa Catarina, em função da capacidade que tem e pelo serviço de excelência que há neste estado, o que faz com que possamos, tranqüilamente, além de ampliar, melhorar a qualidade de vida de muitos catarinenses.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)