15ª Sessão Ordinária - 12/03/2009
O SR. DEPUTADO JAILSON LIMA - Sejam todos bem-vindos.
A vantagem dos vereadores, quando são dadas as boas-vindas pelo Padre Pedro Baldissera, é que é uma boa-vinda abençoada; então, o Padre Pedro Baldissera tem uma vantagem nas suas boas-vindas.
Eu apenas quero mais ou menos contribuir um pouco com o que disse o nosso deputado Dirceu Dresch sobre os juros.
Quando temos que assumir posições críticas, v.exas. sabem que eu assumo. Realmente chegamos numa das menores taxas de juros. E quero fazer coro, deputado Padre Pedro Baldissera, ao vice-presidente da República. Ontem vi o Serra falando dos juros, que precisam baixar. Mas quando eles estiveram no governo, não baixaram, e tivemos as mais altas taxas de juros.
Os juros brasileiros, na atual conjuntura, têm que baixar muito mais. Não é apenas um e meio que o Copom tem que baixar. Ou eles baixam mais, deputado Padre Pedro Baldissera, ou nós vamos fazer coro para envelopá-los e mandá-los para a Cochinchina, porque quem paga na realidade uma parte dos juros é o povo pobre, que está aí, dependendo de uma série de créditos.
Vemos que o setor bancário continua com a sua lucratividade, inclusive os bancos estatais. Estão aí o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal, que possuem a sua ação social. No entanto, os juros têm que baixar mais, precisam continuar baixando.
O espírito vivo do José de Alencar e aquela equipe que muitas vezes tem uma decisão nitidamente de burocratas, que ficam atrás da mesa, têm que colocar o pé na estrada e ver a realidade brasileira.
Sabemos que o Brasil está numa situação confortável diante da crise que está aí, um quadro, um cenário que não esperávamos; porém, diante da realidade internacional, nós estamos bem. Mas estar bem não significa daqui a pouco estar na UTI. E o Copom teve uma intervenção, eu diria, cirúrgica, baixando os juros em 1,5%, mas precisa baixar mais. Vamos torcer para que na próxima reunião, deputada, chegue pelo menos a 2%; senão, temos que continuar batendo, porque é o povo mais necessitado, mais pobre, que paga por isso.
Ao mesmo tempo, gostaria de registrar, nesta Casa, que promovemos o lançamento do livro Casa Azul, da editora Asselvi. E queremos parabenizar o professor José. Esse livro foi organizado pelo professor Evandro André de Souza, lá de Rio do Sul, que conta a história, deputado Ismael dos Santos, da Casa Azul de Apiúna, que está na BR-470. Aquela casa foi construída pela família Odebrecht, e durante o século passado muitos tropeiros paravam naquela casa, porque era um local de passagem, um local de acomodação.
Quando vou pela BR-470, passo em frente a essa Casa Azul. Eu não conhecia a sua história, mas quando tive conhecimento promovi o lançamento desse livro.
Queremos parabenizar o professor Evandro, que foi o colaborador, o coordenador da elaboração desse trabalho, com mais 19 escritores. E parabenizo toda equipe, porque resgatar a história é manter viva a história do povo catarinense. É manter vivo aquilo que permite que hoje nós defendamos no nosso médio e alto vale.
Então, parabéns à editora Asselvi, que tem tido esse papel de resgate da história.
Como médico, também não poderia deixar de registrar que hoje é o Dia Mundial do Rim, deputado Serafim Venzon. E Santa Catarina é o primeiro estado brasileiro em transplante renal. E nesta semana, a equipe coordenada pelo doutor Rogério Moritz, nosso amigo e companheiro, mostrou claramente onde diversos transplantes de rim foram feitos. Santa Catarina continua dando exemplo nessa situação. Nós temos, segundo a Sociedade Brasileira de Nefrologia, uma média de 12 milhões de pacientes com doença renal crônica e desses 12 milhões temos uns 87 mil pacientes que dependem de hemodiálise, sendo que grande parte deles são oriundos da falta de controle do diabetes.
Só no ano passado, o setor de hemodiálise no Brasil consumiu do ministério da Saúde R$ 1,3 bilhão. O problema não é a questão do investimento feito, é o nível de sacrifício que se submete o paciente com doença renal crônica, eis que precisa estar duas ou três vezes por semana diante de máquinas para manter a sua sobrevida.
Então, parabéns à equipe do dr. Rogério Moritz, que tem dado esse exemplo, aqui, em Santa Catarina. E é bom ressaltar que os transplantes de órgãos no Brasil são bancados pelo Sistema Único de Saúde, assim como quase 100% da hemodiálise é bancada também pelo SUS.
Nós aqui como médicos fazemos esse registro e pedimos ao povo catarinense que continue com os seus programas de intervenção, indo anualmente ao posto de saúde, fazendo o exame de controle do diabetes; pedimos que façam exercício, dieta, para que não sejam mais um doente renal crônico.
O Sr. Deputado Serafim Venzon - V.Exa. me permite um aparte?
O SR. DEPUTADO JAILSON LIMA - Neste momento, passo a palavra ao doutor deputado Serafim Venzon, que é urologista, um especialista na área. E temos o prazer de tê-lo como companheiro, neste Parlamento.
O Sr. Deputado Serafim Venzon - Deputado Jailson Lima, eu queria aproveitar aqui para saudar, no Dia do Rim, todos os médicos urologistas, nefrologistas, que fazem esse belo trabalho que v.exa. apresentou e que está-se destacando em todo o estado de Santa Catarina.
Tenho uma coisa importante a colocar. Hoje um grande número de cirurgias renais poderia ser feitas de uma forma menos invasiva, se a secretaria da Saúde adquirisse material para videocirurgia, para cirurgia percutânea, e instalasse esses aparelhos nos nossos hospitais estaduais, seja aqui ou no interior. Já há um processo caminhando, já foi feita a licitação. Deputado Jailson Lima, faz um ano e pouco que estão dizendo que está pronto, que está quase pronto, que está em andamento, mas o fato é que para o doente ser chamado para fazer a cirurgia menos agressiva ainda não está acontecendo.
Então, o estado não pode ficar tão longe e atrás, digamos, da iniciativa privada. Hoje os pacientes que têm dinheiro vão no setor privado pagam e são atendidos por videocirurgia ou por cirurgia percutânea.
Infelizmente, nos hospitais públicos, o médico hoje não pode mais misturar clínica privada com a parte pública, ou seja, nos hospitais públicos não existem esses equipamentos, e eles não podem fazer esse tipo de cirurgia. Existe pessoal treinado para fazer, mas não podem fazer.
Então, eu queria pedir o seu apoio, dos nobres Pares, dos urologistas de Santa Catarina para que de fato possamos disponibilizar esses equipamentos para a população que precisa muito.
Obrigado!
O SR. DEPUTADO JAILSON LIMA - Deputado Serafim Venzon, estou de pleno acordo porque, na realidade, as cirurgias videolaparoscópicas precisam de equipamentos que normalmente os médicos compram, e precisamos ter isso no SUS, sim. Vamos aproveitar e conversar com o secretário da Saúde, que é do seu partido. Sabemos da vontade do secretário Dado Cherem, mas se levou um ano e meio, e se levar mais um ano e meio, em 2010 a senadora Ideli Salvatti vai ser governadora do estado e aí vamos dar um jeito de comprar esse equipamento.
Como médicos, não podemos deixar o estado e o paciente do SUS à mercê desse cenário, só dependendo de quem tem equipamentos para ter uma tranqüilidade do ponto de vista cirúrgico, porque sabemos que isso acontece.
No entanto, quero parabenizá-lo pela intervenção e também é importante registrar que Santa Catarina é um dos estados que mais fizeram cirurgias bariátricas, aquelas para redução de estômago, quando falamos na questão de transplantes, também bancadas pelo SUS. No Brasil, no ano passado, ocorreram mais de três mil cirurgias, e esperamos que isso se incremente, porque esses pacientes também sofrem muito.
E para finalizar, deputada Ada De Luca, esta nossa intervenção, porque ela teve uma variável, é necessário baixar-se mais a taxa de juros, deputado Padre Pedro Uczai.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)