58ª Sessão Ordinária - 14/07/2009
O SR. DEPUTADO HERNEUS DE NADAL - Sr. presidente, sras. deputadas e srs. deputados, durante muitos e muitos anos atuei como militante partidário, como integrante do MDB. Eu me inscrevi no partido exatamente em 10 de novembro de 1975. Portanto, completaria, neste ano, 34 anos de filiação partidária ao MDB e depois ao sucessor PMDB.
Minha inscrição coincide com a minha vida estudantil. Completarei, no final do ano, 30 anos de formatura do curso em Direito que à época só era possível frequentar no Rio Grande do Sul ou no Paraná, até porque aqui era mais difícil o acesso à cidade, pois não tínhamos sequer a integração asfaltada ainda pela BR-282.
Foram muitos e muitos anos de atividades. Acompanhei, junto aos DCEs, na universidade, os movimentos pela redemocratização do nosso país.
Conseguimos, através do trabalho solidário de todos, fazer com que voltasse ao nosso país o estado de direito. Eram tempos difíceis, mas nós fomos privilegiados. Conhecemos o período do arbítrio, da exceção, como também o sabor da conquista, da democracia. E depois da democracia em nosso país trabalhamos firme e forte não só pela manutenção de nossas instituições, como também para promover o desenvolvimento econômico, a democratização econômica de nosso estado, dos nossos municípios e deste grande Brasil.
Hoje, quando me pronuncio desta tribuna, parece-me que um filme está passando em minha mente e em minha memória; parece-me que é uma manifestação de uma retrospectiva de atuação partidária e de vida: quando, pela primeira vez, disputei um cargo eletivo, em 1982, e recebi a confiança do meu modesto município para exercer o cargo maior de prefeito municipal daquela comunidade, minha mulher não pode participar da posse, eis que nascia o meu primogênito João Eduardo, que agora conta com 27 anos de idade.
Quando olho para o meu filho mais velho sei exatamente o tempo de vida pública em que procurei, na minha singela, na minha modesta condição, dar a minha participação daquilo que tive de melhor ainda em minha juventude, quase adolescência, e depois na meia idade, para que pudéssemos construir uma sociedade mais justa, mais fraterna e mais solidária.
O tempo passou, vieram os mandatos de deputado. O primeiro em 1990, depois, sucessivamente, o segundo, o terceiro, o quarto e agora o quinto mandato, em que a população me deu a maior votação, não do pleito passado, mas de toda a história do Parlamento catarinense. Isso, com certeza, foi fruto, e muito mais, da bondade de coração, do carinho, da amizade, além da relação partidária, que tive com a nossa sociedade, com os nossos eleitores, com as várias regiões de Santa Catarina, mantendo o contato semanal, diário, procurando sempre me integrar, para que pudesse, através do instrumento do mandato, atender às expectativas, às reivindicações e até os sonhos mais distantes da nossa população.
Foi com trabalho, com dedicação que conseguimos edificar, e está prestes a ser entregue à nossa população, o hospital regional do extremo oeste. Foi assim que, através do esforço do governador Luiz Henrique e do vice-governador Eduardo Moreira, no primeiro mandato, e do governador e do atual vice-governador Leonel Pavan, no segundo mandato, conseguimos viabilizar o acesso asfaltado que no final do ano chegará a mais de 50 beneficiários, que são os municípios que já estarão dotados desse instrumento importante de desenvolvimento, de progresso e de bem-estar.
Eu poderia citar as escolas reformadas, os laboratórios de informática, o uniforme escolar para os nossos alunos, o kit escolar, e poderia citar o projeto Microbacias e tantas outras coisas. Mas quero citar também desta tribuna, deputado Lício Mauro da Silveira, que neste Parlamento sempre conseguimos manter honrada a palavra empenhada, sempre mantivemos compromissos com o Besc público, com a Celesc pública, a Celesc de propriedade do estado de Santa Catarina, e vamos manter, na condição de cidadão, na condição de homem público, essa nossa posição.
Sempre contamos com a amizade, com o espírito de camaradagem no relacionamento com todos os srs. parlamentares. Todos nós procuramos fazer com grandeza aquilo que Juan Domingos Perón sempre dizia: "Em política fala-se muito das coisas, fala-se de projetos, pouco de si e nunca dos outros".
Sempre conseguimos, aqui do lado de cada um de nós, guardadas as preferências partidárias de nossas greis, de nossos partidos, manter a pluralidade no diálogo, no entendimento, na conversação que nos permitisse avançar para aprovar leis que quando de sua eficácia, de sua aplicação melhorassem a vida do cidadão catarinense.
Por isso que neste momento em que possivelmente estarei utilizando, pela última vez, esta tribuna, nesta legislatura, para tomar posse ao cargo de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina, período esse que antecede a segunda-feira, quero expressar toda a minha gratidão, todo o meu respeito pelos meus pares que depositaram o seu voto de confiança para que lá assumisse essa nova missão, esse novo desafio e me juntasse também, com minhas modéstias condições, aos oito demais conselheiros que estão naquela Corte de Contas, para que pudesse enaltecer o nosso espírito harmônico de convivência, a contribuição de cada um e de cada uma durante os períodos em que exerci, nesta Casa a liderança do governo, a liderança de bancada, a fim de que pudéssemos tornar eficaz e produtivo o nosso trabalho.
O Sr. Deputado Lício Mauro da Silveira - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO HERNEUS DE NADAL - Já vou conceder um aparte a v.exa., deputado Lício Mauro da Silveira, parceiro de Parlamento de tantos e tantos anos. Mas quero, antes de conceder um aparte aos parlamentares que desejarem se expressar, também fazer aqui alguns agradecimentos. Agradecimentos, sr. presidente, a todos os servidores desta Casa, aos servidores efetivos, comissionados; agradecimentos aos integrantes do corpo da guarda, fiéis amigos, os terceirizados que aqui atuam nos vários setores desta Casa, desde a imprensa até o serviço de limpeza, em especial à sociedade catarinense, aos eleitores que sempre depositaram esta imensa confiança em meu modesto trabalho.
Sou devedor e durante toda a minha vida vou procurar trabalhar com firmeza, com retidão, para que possa honrar aqueles que em mim acreditam. E posso dizer que nesse momento sinto que recebi muito mais do que merecia.
Deus foi bondoso para comigo, a população sempre me enalteceu, e eu sou um devedor, um devedor ao Parlamento catarinense, um devedor ao meu MDB, ao meu PMDB, um devedor à Assembléia Legislativa, um devedor aos meus colegas e um devedor a toda sociedade.
Ouço v.exa., deputado Lício Silveira.
O SR. DEPUTADO LÍCIO SILVEIRA - Sr. presidente, vivemos um momento ímpar, nesta tarde, com o deputado Herneus de Nadal na tribuna.
Eu pediria que ele terminasse todo o seu pronunciamento e, posteriormente, durante uns 12 minutos, 14 minutos, pudéssemos falar alguma coisa deste ilustre deputado.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Moacir Sopelsa) - Pois não, deputado Lício Silveira.
Vamos permitir que o deputado Herneus possa concluir.
O SR. DEPUTADO HERNEUS DE NADAL - Agradeço pela gentileza e compreensão, aliás, uma marca do deputado Lício Silveira, aliás, os deputados deste Parlamento têm essa característica.
Discute-se com veemência temas, idéias, proposições, que pelo posicionamento de cada um de nós, dentro da democracia, obviamente, tem vieses diferentes; no entanto, sempre nos tratamos com humanismo e com essa deferência. Por isso mesmo que ao longo dos anos projetos foram aprovados nesta Casa ora com votos da situação, ora com votos de oposição.
Fui nesta Casa situação e oposição e fui líder de oposição; no entanto, quero dizer a todos os srs. deputados que aqui estão presentes, a todos os deputados com quem convivo e convivi, que esta Casa é sempre um aprendizado e que da vida pública, srs. deputados, ninguém de nós se aproveita.
Nós precisamos utilizar esse instrumento para que quem retire dividendos seja sempre a sociedade, ou seja, a sociedade catarinense.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)