97ª Sessão Ordinária - 29/10/2014
A SRA. DEPUTADA ANA PAULA LIMA - Muito obrigada, sr. presidente, deputado Nilson Gonçalves!
Boa-tarde, srs. deputados, sras. deputadas e público que nos acompanha pela TVAL, Rádio Alesc Digital e também aqui presente no dia de hoje nesta sessão ordinária nesta Casa, que é a Casa do Povo.
Ouvi atentamente o pronunciamento da deputada Luciane Carminatti e do deputado Volnei Morastoni e muito se questiona sobre a questão do Bolsa Família, do ProUni e das pessoas mais simples que têm que ter oportunidade na vida. Mas fiquei pensando, deputada Angela Albino, que pouco se fala no Ciência sem Fronteiras, que em Santa Catarina são 3.145 jovens que estão no exterior estudando, e no Brasil mais de 100 mil. Quem o financia é o governo federal e isso ninguém fala, porque geralmente quem faz parte do Ciência sem Fronteiras são pessoas das classes média e alta, que têm a oportunidade, sim, de concluir os seus estudos, voltar para o nosso país e devolver, através do seu conhecimento, ações para a nossa população. Vamos ver também no Ciência sem Fronteiras o quanto a presidenta Dilma Rousseff e o presidente Lula tem investido nessa categoria.
(Passa a ler.)
"Srs. parlamentares e sra. deputada, neste espaço quero abordar conceitos que, infelizmente, andam um pouco esquecidos." E nessas eleições muito esquecidos, porque numa eleição, e isso faz da democracia, perder ou ganha faz parte do jogo democrático, mas parece que alguém ainda não entendeu, e não entende, isso. Eu também já venci e já perdi eleições e nem por isso agi com ódio ou raiva, porque isso não constrói nada.
(Continua lendo)
"Quero falar de tolerância, generosidade, solidariedade, democracia, civilidade e, inclusive, senhoras e senhores, educação e respeito ao outro, aos que pensam diferente de nós.
Neste contexto, quando cito a palavra educação, não estou colocando em pauta somente a educação que se aprende nos bancos escolares, nas universidades e nas escolas. Falo de algo mais profundo que isso, que diz respeito ao trato com as pessoas." Porque educação não se traduz apenas em conhecimento. Educação é muito mais profundo, é respeito ao ser humano, é a gentileza, é a relação humana.
(Continua lendo)
"O que me motiva a abordar este tema é a minha perplexidade e até certa tristeza, em ver os comportamentos que foram revelados na última eleição.
Percebemos que o nosso país, tão lindo e respeitado no mundo todo, precisa debater com transparência alguns preconceitos e superá-los.
Um dos fatos mais lamentáveis foi a tentativa de fazer um verdadeiro 'apartheid' entre os que nasceram no sul/sudeste e as brasileiras e brasileiros que vivem no nordeste.
Na busca desenfreada para fazer um candidato vencedor, as pessoas perderam a noção de civilidade. A todo o momento escuto alguém falar de pessoas que foram agredidas verbalmente e até fisicamente, como é o caso da dona Ana Nobre que no dia da eleição foi detida por policiais de forma brutal por estar usando apenas uma camisa do partido que ela defende, o Partido dos Trabalhadores. Ela foi muito agredida. Vi pais e mães com seus filhos de cinco, seis, sete anos, passando por militantes da nossa presidente Dilma e deferindo palavrões e agressões. Que exemplo de educação um pai e uma mãe dão aos seus filhos, a uma criança? Que mensagem, senhoras e senhores, esses pais transmitirão aos seus filhos? O ódio? O ódio somente produz ódio. A raiva somente produz raiva. O ódio não educa, quem planta ódio colhe ódio, quem planta raiva colhe raiva". O ódio não constrói nada a não ser desesperança e desgraça entre famílias, entre amigos, entre companheiros de trabalho que não aceitam que seu colega vote em outro candidato. Que absurdo é esse que estamos vivendo? Parece que ainda continua o terceiro turno eleitoral, minha gente! As pessoas tem que por a mão na consciência. Em que período estamos vivendo? Façam o favor!
(Continua lendo)
"Até entendo, senhoras e senhores, que esse discurso do ódio não pode permanecer. Se vieram à tona esses comportamentos retrógrados, precisamos superá-los."
O que queremos construir? Que relação queremos construir na família, com os amigos, com a comunidade? Lutamos tanto por democracia em nosso país para conquistar o direito de escolher os nossos representantes, e agora o que é isso minha gente?
(Continua lendo)
"A presidenta Dilma foi reeleita. A maioria venceu, como é que alguém se sente perdedor?"
Como disse antes, já perdi eleições, já fiquei desanimada, entristecida, lá na minha cidade, mas não é por isso que não deixo de ajudar a cidade onde moro.
(Continua lendo)
"Entendo a frustração de quem se sente perdedor, mas somos todos brasileiros, e se queremos o bem da nação, precisamos estar juntos e torcer para o crescimento de todos."
Senhoras e senhores, a eleição presidencial não tem terceiro turno, teve dois turnos, e acabou no último dia 26 de outubro. Precisamos entender isso e dizer que agora é uma nova etapa, que temos que construir junto esse nosso país. Um país maravilhoso, que é exemplo para o resto do mundo em que vivemos, sem agressões, sem guerra. Ou queremos viver num país como a África do Sul, o Irã, o Iraque, que já nascem guerreando. Nós queremos isso? Não! Nós queremos paz e temos que disseminar a paz. Acabou. Há sempre os que ganham e os que perdem e temos que respeitar a opinião das pessoas. A presidenta Dilma Rousseff é a presidenta do Brasil!
Eu digo isso, senhoras e senhores, porque nesta Casa, também ontem, quando estava saindo, deputada Angela Albino, encontrei mulheres chorando, colegas de trabalho que não se respeitam. Meu Deus! Por favor!
Esta é a casa da democracia! Aqui temos deputados e deputadas de vários partidos e fazemos o debate de ideias. De ideias! Aquele que conseguiu se comunicar melhor é que venceu essas eleições.
Senhoras e senhores, a eleição presidencial está consagrada. Não vamos aceitar que nos empurrem para o sabor da derrota numa vitória duramente conquistada. Agora mesmo tive a informação de que este ano o governador de São Paulo renovou um contrato com a Veja na ordem de 5.200 assinaturas, no valor de R$ 669.240,00. Isso pode, deputado Neodi Saretta? Isso podia, financiar uma revista dessa?
Nesse jogo democrático, nessa eleição houve muita coisa, muita luta, muita coisa ruim aconteceu. Precisamos nos respeitar, até porque vivemos num país maravilhoso. Faço aqui um apelo, terminando o meu pronunciamento, sr. presidente, que a energia de tantos que está sendo utilizada para disseminar o ódio no nosso país, para disseminar a intolerância e o preconceito, seja canalizada para o bem, para a nossa sociedade, para a paz na nossa sociedade. Que possamos rever os nossos conceitos e ajudar a construir uma nação melhor, uma nação que queremos para as crianças, para os jovens, para os idosos, para os brasileiros e às brasileiras.
Vivemos num país sem guerra, num país com amor, um pais maravilhoso, e as oportunidades têm que ser para todas as pessoas, para as que nascem no sul, no norte, em todo o Brasil, até porque o Brasil é respeitado no mundo todo.
Quem não elogia o brasileiro, a brasileira! Nós temos que amar o nosso país. O brasileiro é o único ser do mundo que fala mal do seu país. Os demais têm orgulho do país em que vivem. O americano, o europeu, todos têm orgulho do seu país! Nós temos que ter orgulho do Brasil, minha gente!
E orgulho sem preconceito. Muita gente que está no sul passa as férias no nordeste e no norte do nosso país, que é maravilhoso! E muitos nordestinos vieram para o sul do nosso país construir esse estado que gostamos muito, Santa Catarina, e os outros estados do sul.
Por um Brasil sem ódio, sem rancor, educado e respeitoso. É isso que apelo a todos.
Muito obrigada!
(SEM REVISÃO DA ORADORA)