67ª Sessão Ordinária - 03/08/2011
O SR. DEPUTADO CIRO ROZA - (Passa a ler.)
"Sr. presidente e srs. deputados, assomo à tribuna desta Casa para saudar a comunidade brusquense, cidade que por força e graça do seu povo tive a oportunidade de gerenciar, na condição de prefeito eleito pela vontade democrática da maioria do povo em três oportunidades distintas.
Brusque, berço da fiação catarinense, comemora 151 anos de fundação no dia 4 de agosto do corrente ano. Assim, nessa data reverencio os pioneiros pela tenacidade e determinação com que marcaram a geografia do vale do Itajaí Mirim. Um povo precioso que há mais de século e meio vem desbravando, povoando e desenvolvendo a cidade que tanto amo.
Primeiramente foram os imigrantes alemães, poloneses e italianos. Posteriormente os seus descendentes. E mais recentemente povos de todas as regiões do Brasil migraram para Brusque, por força das oportunidades de trabalho e crescimento que a cidade oferece.
Preciso ressaltar ainda que o desenvolvimento é uma conquista diária e não existem fronteiras ou limites para alcançar nossos objetivos enquanto tivermos vontade de crescer. Existem, sim, barreiras e desafios a serem enfrentados e vencidos. E isso se tornará possível se a integração harmoniosa estiver sempre presente para solucionar os problemas do dia a dia e para que o ritmo do sucesso de Brusque continue constantemente.
Parabenizamos e agradecemos a todos os brusquenses que diariamente cumprem a sua missão, contribuindo assim com o desenvolvimento do município, buscando sempre novos projetos e aceitando o desafio de fazer mais e melhor. Somente o trabalho permite vencer e crescer na direção do progresso.
Ao completar mais um aniversário, temos a certeza de que o balanço de conquistas de Brusque deixa um saldo positivo através do aprendizado constante utilizado por cada um dos cidadãos brusquenses para dar forma à sociedade que todos desejam.
Desejamos que o aprendizado de cada ano que se comemora na cidade contribua sempre para o bem, para o sucesso de todos aqueles que participam e participaram da atividade e acreditam na construção de um município cada vez melhor.
Parabéns à Brusque, das iniciativas pioneiras. Parabéns ao povo que se dedica e trabalha, mas que também é festivo e alegre."
Convido, nesta oportunidade, todos para a comemoração que ocorrerá amanhã. A partir das 8h Brusque estará em festa, recebendo não apenas os brusquenses, mas com certeza todos os amigos que tiverem tempo para brindar o aniversário da nossa cidade.
Gostaria de deixar registrada a minha preocupação com relação ao setor têxtil. Foi o setor em que comecei a trabalhar com 12 anos. Nessa idade eu já militava na indústria têxtil. Mas hoje, no Brasil, milhões de famílias estão ameaçadas pelo desemprego, porque o setor industrial que envolve muita mão de obra, não somente o setor têxtil, passou a desempregar.
Percebe-se que o setor produtivo nacional tem pressa no sentido de buscar decisões para que possamos ser competitivos, para garantir o desenvolvimento e o emprego do povo brasileiro. Há sete anos tínhamos um superávit na indústria têxtil de U$ 300 milhões/ano. Em 2010 tivemos um déficit de R$ 3,5 bilhões, e os indicadores mostram que em 2012 deveremos alcançar R$ 5,2 bilhões de déficit. Além disso, a previsão é de que neste ano deixemos de gerar 200 mil empregos no setor de confecção e tecelagem, mas com certeza empregos serão gerados nos países asiáticos.
É claro que a crise que vivemos vem de alguns anos. Inclusive, durante a crise mundial de 2008 alguns setores no Brasil superaram as dificuldades, especialmente a indústria automobilística e a indústria da linha branca, que ao invés de desempregarem e diminuírem a produção, empregaram e aumentaram-na.
Mas o setor têxtil é o que absorve o maior contingente de mão de obra, o que mais emprega. Segundo o BNDES, não existe setor produtivo que gere mais emprego do que a indústria têxtil, ou seja, a tecelagem e a confecção, justamente os setores que vêm sofrendo muito.
Então, é preciso que se tomem urgentemente medidas cabíveis para podermos não somente ser competitivos, mas garantir pelo menos o mercado interno para a indústria nacional. A demanda por produtos principalmente asiáticos cresceu 16 vezes nos últimos dez anos, haja vista o déficit da balança comercial nos últimos dois anos, que vem-se avolumando num ritmo tão expressivo que passou a assustar os dirigentes brasileiros.
É claro que com a vinda das máquinas inteligentes passou-se a produzir mais, mas na prática isso significa desemprego. Contudo, o mundo globalizado nos impõe ajustar-nos a essa realidade e a não desempregar, mas buscar parceiros no sentido de ser competitivos para desovar o que é produzido no país por esse setor industrial.
Portanto, gostaria de, aproveitando esta oportunidade, parabenizar a Frente Parlamentar Mista e também Fernando Pimentel, diretor superintendente da Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil); Vicente Donini, presidente do conselho de administração da Marisol; e Marcos Schlöesser, presidente do Sindicato das Indústrias de Fiação, Tecelagem, Malharia e Tinturaria de Brusque e Botuverá, que se mobilizam no sentido de assumir posições que garantam a continuidade da geração de emprego e oportunidades ao povo brasileiro.
Como falei, a globalização é uma imposição e o governo também tem que estar atento, não apenas o governo federal, mas também o governo do estado, no sentido de derrubar determinados custos, de proporcionar, com certeza, a entrada de capital. Mas como essas empresas absorvem um grande número de trabalhadores, é preciso urgentemente tomar uma posição, repensar as parcerias entre o Brasil e a China, pois o subsídio concedido criou condições para que ocorresse mais desemprego neste país.
Hoje há parceira com a China pela sua tecnologia. Lá existe o capital num custo bem inferior ao nosso. Aliás, quase a totalidade do processo de produção é executado na China e o produto vem para o Brasil subsidiado. Aqui ele recebe tão somente os acabamentos ou mesmo a embalagem. Tira-se o subsídio, em vez de sobretaxar, o que faz com que o empresário busque essa parceira, pois ele terá preço para competir no mercado interno. Já aqueles que não têm condições de fazer essa parceria estão fechando as portas e desempregando. Estamos importando e perdendo, além de matéria-prima, mão de obra, energia e transporte, os ganhos sociais gerados pelos impostos e garantindo o emprego do povo chinês.
A China tem cerca de 1,5 bilhão de habitantes. Aquele povo precisa trabalhar, mas temos que disputar em igualdade de condições! É preciso preservar, com certeza, o setor produtivo nacional aplicando, inclusive, sobretaxas, para fazer com que os investidores tenham tranquilidade para trabalhar e gerar riquezas.
Teria muito mais para falar sobre essa questão, mas o farei noutra oportunidade, porque é preciso uma grande mobilização e não apenas do governo federal. É claro que projetos aportaram nesta Casa visando revigorar o setor produtivo. Há também a promessa do governo de encaminhar a esta Casa o Pró-Indústria, não somente para garantir a geração de novos empregos, mas para dar oportunidade de melhores condições para aqueles que estão sendo ameaçados de fechar as portas.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)