61ª Sessão Ordinária - 06/07/2011
O SR. DEPUTADO MAURO DE NADAL - Sr. presidente, quero cumprimentá-lo carinhosamente, cumprimentar as sras. deputadas, os srs. deputados e endossar toda a manifestação do nobre colega Jailson Lima, pela firmeza das suas colocações e, acima de tudo, pelo conhecimento de causa. S.Exa. não fez um pronunciamento sem consistência, mas com conhecimento e com sustentação.
Estivemos há alguns dias acompanhando o governador do estado a Brasília, ocasião em que esteve na Valec. Fiquei impressionado com a facilidade com que se tratava de milhões! Foi algo que me chamou a atenção: R$ 4 milhões a R$ 5 milhões um quilômetro de ferrovia! Isso me causou curiosidade para saber quanto, na verdade, custa um quilômetro de ferrovia. Por que a construção de ferrovias não acontece com a mesma rapidez com que usam o verbo gastar milhões? Enfim, não se passaram nem dez dias e estouraram todas essas suspeitas de desvio de recursos, de superfaturamento, que acabaram despertando não somente a minha curiosidade, que já era grande, mas também a de todo o povo brasileiro.
Requeri, sr. presidente, no dia de hoje, o envio de mensagem ao ministério dos Transportes, a fim de que nos forneça cópia dos contratos para que se possa fazer o acompanhamento da recuperação da BR-282, que liga Irani a São Miguel d'Oeste. Solicitei também cópia do contrato do trecho que faz a ligação do entroncamento da BR-158 até o município de Irani.
Passamos semanalmente por todas essas rodovias no deslocamento para Florianópolis e até mesmo no deslocamento para os municípios da região oeste de Santa Catarina. Pois bem, em todos os trechos temos que parar três ou quatro vezes porque as rodovias estão em recuperação. Que bom! Que bom que aconteça isso rapidamente, só que está causando muita apreensão para a população do extremo oeste - e somos cobrados em todos os lugares por que passamos - o fato de que uma rodovia recuperada hoje, na primeira chuva ocorrem os mesmos problemas nos mesmos lugares. E a recuperação? O recapeamento solta com uma única chuva. A conclusão a que se chega é que há algo errado, quem sabe até na composição do asfalto.
Por isso, queremos analisar com técnicos da área para saber o que está acontecendo, verificar qual o material previsto no contrato, quais os valores colocados na recuperação, porque o povo que está lá na ponta não entende o que está acontecendo.
O Sr. Deputado Elizeu Mattos - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO MAURO DE NADAL - Pois não!
O Sr. Deputado Elizeu Mattos - Gostaria que v.exa. incluísse no seu requerimento o trecho que vai da BR-101 ao município de Alfredo Wagner e o trecho de Lages à BR-282. Faz três anos que passo por lá e estão sempre em obras esses trechos. Num dia alguém vai lá e faz, dali a três meses alguém desmancha; depois outro vai lá e refaz. É uma barbaridade! Dias atrás terminaram o novo recapeamento, que já está todo trincado. A pintura da sinalização horizontal da pista, feita há dois meses, já sumiu, desapareceu. Não sei que pintura é essa que está sendo usada que desaparece em dois meses.
Estive fazendo uma análise e cheguei à conclusão de que quem provoca inflação neste país são as obras públicas, que quadruplicaram de valor. Percebi isso na ponte da Cabeçuda, em Laguna, que em cinco anos quadruplicou de valor. E até fiz um cálculo: se os que vão construir a ponte lá em Laguna fossem construir aquela da ponte da China, de 42km de extensão e que custou em torno de R$ 3,5 bilhões, aqui custaria R$ 22 bilhões. Isso sem levar em conta a dificuldade que é construir em alto mar, sendo que aqui é um pedaço de uma lagoa.
Mas quero cumprimentar v.exa. pelo pronunciamento e dizer que temos que dar um puxãozinho de orelhas no Ministério Público Federal. Onde está o MPF? Onde está a Controladoria-Geral da União? Onde está o Tribunal de Contas da União? Cadê a fiscalização dessas obras que não têm fim?! São obras e mais obras mal feitas!
Quando chega o final do mês não se tem recurso financeiro para custear a folha de pagamento muito menos para custear as despesas de manutenção dessas unidades hospitalares. E o problema poderá ficar ainda maior se esses pequenos hospitais fecharem as portas, porque todos vão acorrer aos hospitais dos grandes centros e se hoje já existe dificuldade de internação por falta de leitos, imaginem como ficará se esses hospitais fecharem suas portas.
Por isso acredito que o trabalho será de muita valia e com essa peregrinação que faremos em todo o estado haveremos de colher boas ideias para solucionar o problema dos hospitais.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)