Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputada Professora Odete de Jesus

38ª Sessão Ordinária - 23/05/2006

A SRA. DEPUTADA ODETE DE JESUS - Sr. presidente, sras. deputadas, srs. deputados, amigos que nos assistem e imprensa escrita, falada e televisionada, o que nos chateia, o que nos desmotiva, o que nos entristece, hoje, é que, quando abrimos os jornais para ler ou quando assistimos à TV, só vemos tragédias: o marido matando a mulher, greves, enfim, só há notícias tristes. Mas somos obrigados a estar atentos aos noticiários para nos atualizar.

Hoje, ao abrir o jornal, li a seguinte matéria:

(Passa a ler)

"Governo desconta salário de grevistas

Quando receberem a folha de pagamento esta semana, 5.693 professores da rede estadual perceberão um desconto de 13 dias. O governo do Estado cumpriu o prometido e não vai pagar aos grevistas o período de 2 a 15 de maio.

O desconto será pago aos professores em folha suplementar apenas se houver reposição de aulas. A medida não agradou ao comando de greve, que mantém a palavra em não repor sem receber antes.[...][sic]"

Hoje pela manhã estivemos reunidos com o presidente Julio Garcia e integrantes do Sinte, mas ficamos poucos minutos, pois, como tínhamos um compromisso, tivemos de nos retirar, mas colocamo-nos à disposição. Afinal de contas, nesta Casa Legislativa há um fórum legítimo, permanente, formado por integrantes das diversas agremiações partidárias, para discutir cargos, salários e plano de carreira do Magistério público.

Na comissão de Educação já discutimos, na semana passada, e na anterior também, que nós, componentes da comissão e também do fórum permanente, iríamos participar dessas negociações, inclusive colocando-nos à disposição.

Sr. presidente, eu não soube a conclusão daquela reunião que ocorreu porque não pude ficar até o final. Mas eu me coloco à disposição. Sempre estive pronta para defender todos os professores.

Caros colegas, volto a salientar que sou uma professora de cabeça erguida. Eles estão mobilizados e o calendário escolar corre o risco de ficar mais comprometido ainda. E a decisão pode aumentar a adesão ao movimento.

Sou muito franca: não sei se o ponto que o jornal salienta é verídico. Também não vou colocar em dúvida os noticiários, deputado Onofre Santo Agostini, mas eu fui professora, participei dos movimentos e os professores sempre tiveram a oportunidade de repor as aulas e de negociar. Isso sempre ocorreu! Isso é legal!

Eles estão há quase 30 dias em greve no estado, e se fosse um movimento fraco, com queda significativa na adesão, ele já teria sido encerrado bem antes do previsto. E não é o que está acontecendo.

Mas, srs. deputados, quero referir-me ao acontecido na secretaria da Educação. Eu não acredito que professores estejam envolvidos. Eu tenho quase certeza de que pessoas que se infiltraram no movimento para desmobilizar e até causar uma irritação estejam envolvidas porque o ser professor é zeloso. O professor é zeloso e cauteloso.Ele traz consigo o dom de mudanças, de informações. Alguém deve estar querendo desmobilizar o movimento. E nós sabemos que neste mundo acontece de tudo!

Infelizmente, aquele incidente, a falta de diálogo e, supostamente, a escassez de verbas para a educação tornaram mais fácil a situação, deputado Vieirão. E dizemos mais: hoje, na reunião rápida com a Presidência, alguns membros do Sinte salientaram que houve uma comunicação: que o governo do estado pediu para cancelar aquela audiência que teria com o pessoal do Sinte devido à cirurgia. Todo mundo tem o direito de ficar doente. Nós não somos de ferro. Às vezes, é necessário... "Não vamos fazer um julgamento precoce e vamos aguardar", foi o que comentei na reunião. De repente, logo o governador marcará outra audiência. É claro que isso vai acontecer porque é necessário! Não se pode fechar uma porta! E ainda mais que os professores são lideranças muito importantes dentro do estado, uma vez que eles são os formadores de opinião. Confiamos tanto nos professores que deixamos nossos filhos nas mãos deles, não é verdade?! Nós confiamos tanto nos professores, que lhes confiamos nossos filhos. E eles, transmitindo conteúdos e conhecimentos, formam as nossas crianças.

Então, o que precisamos de imediato? Buscar novos recursos, novas fontes de renda para financiar a educação. É fácil dizer que não há dinheiro público para ser aplicado numa das mais importantes responsabilidades constitucionais do poder público. E o que esta deputada quer é a valorização da educação, do professor, dos nossos alunos. Estamos aqui para quê? Para aprovar leis que tragam mais recursos para a educação; estamos aqui para mudar o que for necessário para que a educação tenha prioridade. É isso que nós, os 40 parlamentares, queremos!

Muito obrigada, sr. presidente!

(SEM REVISÃO DA ORADORA)