35ª Sessão Ordinária - 15/05/2003
O SR. DEPUTADO LÍCIO SILVEIRA - Sr. Presidente, Sras. Deputadas e Srs. Deputados, vou falar sobre a forma como algumas pessoas se dedicam a deturpar o trabalho dos funcionários públicos; não só de funcionários públicos, mas têm vontade de deturpar o de empresas estatais e assim por diante.
Alguns falam, com propriedade, que empresa "a", "b" ou "c", por ser uma empresa de economia mista, não funciona; que lá tem funcionários corporativistas, que trabalham em causa própria com relação aos aspectos trabalhistas, enfim, que deturpam os produtos que eles produzem e colocam a opinião pública contra essas empresas. Isso é de lamentar.
Mas não ocorre só com as empresas de economia mista! Ocorre também com os funcionários públicos, ao longo dos tempos. Isso não é de agora. Antigamente, tínhamos satisfação e orgulho de ser funcionários públicos. Hoje funcionário público deixa de ser uma função atrativa. Extremamente desmotivados e criticados pelos políticos, às vezes ainda tenho admiração por eles, como por um professor, que ganha pouco. Mas sabem onde ele se automotiva? Dentro de uma sala de aula! Lá ele se transforma e procura dar o recado que pode transformar o jovem de hoje num cidadão importante de amanhã.
Visitando determinadas escolas, ao longo do tempo, vimos pessoas que não queriam mais estudar matemática, física ou química, e que quando terminavam seu curso superior, ao entrarem no ensino público, eram contratadas por salários irrisórios.
Mas insisto: quando se tem uma má qualidade de ensino, que não é decorrente, essencialmente, dos funcionários públicos que lá trabalham... O que me deixa irritado é que pessoas que comandaram em várias mudanças de Governo - e não foi só nessa -, com o fogo que vinham de querer resolver as coisas, achavam que tudo estava errado, que só eles eram os certos, e instigavam a população contra empresas que têm responsabilidade premente com a comunidade.
Vão ver o resultado que acontece dentro das empresas: a completa desmotivação e insatisfação! E isso é triste, e os políticos têm culpa disso, sim! Ao longo do tempo, tem culpa, sim!
Vou citar outro exemplo. Embora não seja a melhor pessoa para falar sobre o assunto, talvez outros Deputados aqui tenham essa propriedade -, quero dizer que tenho acompanhado, ao longo de algum tempo, depois de ter recebido esse jornal O Praça...
Toda a corporação e a entidade procuram se agarrar numa esperança. E a esperança, muitas vezes, vem através do caminho político. E entra Governo, sai Governo, e a esperança sempre vem sendo renovada. Mas, quando ela é renovada com falsas promessas, aí, sim, cria-se um problema mais sério: o caos!
Esse aqui é um exemplo - e vamos citar outros exemplo: tempos atrás tínhamos a promessa, durante as eleições, de fazer com que os Praças tivessem o seu posicionamento adequado nas escalas salariais ou nas suas pretensões. E houve diversas reuniões por parte do Governo atual - e também houve essas reuniões e erros no passado... Mas o que nos irrita é quando nós, políticos, adentramos em uma entidade dessas, fazemos promessas vãs, criamos expectativas com promessas vãs. E depois chega-se a um ponto que não dá mais para agüentar.
Recebi ontem o último exemplar de maio de 2003, O Praça "Chega de esperar". É bom que todos os Srs. Deputados leiam a verdade que aqui está em sete episódios. E isso vem acontecendo ao longo do tempo, mas começou a se repetir.
Então, gostaríamos de que, quando abordássemos os assuntos atinentes às empresas públicas e aos funcionários, houvesse um pouco mais de respeito, que não colocassem em situações humilhantes, em situações que realmente não constróem nada e que só deturpam o posicionamento dessas pessoas perante o contexto catarinense e nacional.
Agora vemos aqui: "Servidores da UFSC cruzam os braços"; "Greve no Sul compromete serviços". Isso é um instrumento e um direito de qualquer cidadão e de qualquer corporação para alcançarem as suas metas, os seus objetivos. Porém, usar demagogia, por parte dos políticos, para fazer com que esses servidores sejam deturpados - quando lutam por seus direitos e por melhores condições de vida -, creio que é uma covardia!
O Sr. Deputado Wilson Vieira - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO LÍCIO SILVEIRA - Pois não! E tenho acompanhado, Deputado Wilson Vieira, através desse jornal, o apoio que o senhor vem dando não só à entidade, mas também dentro Comissão de Segurança Pública.
O Sr. Deputado Wilson Vieira - Deputado Lício Silveira, já que o senhor falou sobre os Praças, quero lembrar que hoje haverá uma reunião de mobilização neste Plenário, a partir das 14h, com o objetivo justamente de buscar um reajuste salarial para compensar as perdas salariais que a categoria vem tendo há anos. Inclusive, a categoria está buscando a composição salarial que houve para os Oficiais, que foi a incorporação de dois soldos e meio que aconteceu no Governo passado, e que neste Governo acabou sendo incorporado ao salário. Embora o Governo esteja propondo apenas um soldo, um salário de abono, a categoria espera receber mais por conta da necessidade, até social, que ela tem para manter as suas famílias com dignidade.
Esperamos que o Comando da Polícia Militar não atue de forma truculenta, como aconteceu no passado, que não haja prisões e nenhum tipo daquelas mazelas da época da ditadura, e que se respeite o movimento. É uma mobilização legítima e um direito que a categoria tem de lutar por melhores condições de vida, até para poder garantir para a sociedade um trabalho de melhor qualidade.
O SR. DEPUTADO LÍCIO SILVEIRA - Incorporo as suas palavras ao meu pronunciamento, haja vista que V.Exa. tem labutado freqüentemente com relação à Associação dos Praças de Santa Catarina.
Estou falando de uma maneira geral, Deputado Reno Caramori. O que me irrita é que certas pessoas, determinadas por alguém, vêm deturpar o funcionalismo público. Isso não posso aceitar. Que motivação tem esse pessoal? Nenhuma!
Aliás, fui convidado esses dias para uma palestra sobre Motivação do Pessoal no Serviço Público. E no convite havia outra palestra, com outro tema: Automotivação. Quanto à motivação, o pessoal não tem nenhuma! A automotivação que os funcionários públicos têm é a força interior que eles dispõem para enfrentarem as situações, quando estão frente aos desafios.
Por isso, solicito a cada Sr. Deputado, a cada político, a cada governante e a cada Prefeito que, antes de falar, procurem olhar para trás, pensando no presente e no futuro, para que não deturpem ainda mais a categoria.
Sr. Presidente, já estou irritado o suficiente com esse assunto. Fico extremamente chateado e ofendido quando algumas pessoas utilizam certos caminhos inadequados. E antes de usar esses caminhos inadequados, deviam perguntar para si mesmas: será que estou agindo corretamente na minha vida particular também?
Por isso, espero um pouco mais de respeito para a categoria dos funcionários públicos, pelo menos no linguajar!
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)