12ª Sessão Extraordinária - 21/10/2003
O SR. DEPUTADO AFRÂNIO BOPPRÉ - Sr. Presidente e Srs. Deputados, quero falar ainda sobre o assunto que virou pauta do dia: o Sr. Governador, na coluna do jornalista Prisco Paraíso, de quinta-feira passada, diz que a conversa que teve com o Ministro José Dirceu foi uma conversa sem testemunhas e que o assunto Eletrosul não esteve na pauta.
Queremos saber se ele está falando a verdade, e acredito que esteja, pois então, de outra forma, quero dizer que este assunto efetivamente vem sendo tratado.
O Brasil inteiro, os Partidos, o PMDB, neste momento, Deputado Altair Guidi, está discutindo com o Governo Federal a sua entrada no Governo. E essa discussão não é uma discussão que acontece só nos cargos federais em Brasília, é uma discussão, também, que vai acabar acontecendo nos cargos federais que estão designados nos Estados. E isso acontece em São Paulo, no Rio de Janeiro, no Rio Grande do Sul, na Bahia, em Minas Gerais e vai acontecer também em Santa Catarina.
Mais cedo ou mais tarde, se consumada efetivamente a entrada ou o ingresso do PMDB no Governo Lula, o PMDB também vai participar desta gestão no Estado de Santa Catarina.
O Presidente Lula - eu compreendo a sua angústia como estadista, como dirigente -, para tocar o seu Governo, precisa estabelecer uma composição, porque ninguém, por mais superdotado que seja, reúne condições de mudar este País tendo no Congresso Nacional apenas 92 Deputados. Semana passada, tínhamos 93 petistas e perdemos, lamentavelmente, o companheiro Gabeira. Temos 92 Deputados, de uma Casa com mais de 500 Deputados! Nós não vamos conseguir fazer essas mudanças!
Então, compreendo que o Presidente Lula tem que montar uma equação de forma que vise obter maioria no Congresso, mesmo que seja uma maioria eventual, ao discutir um projeto ou outro, mas é necessário termos uma equação política.
Eu até acho que o esforço que o Presidente Lula está fazendo acaba fazendo uma composição política para além do meu gosto. Mas compreendo, entendo politicamente isso. Por mais que possa achar que o perfil das alianças não passam necessariamente por esse caminho, compreendo estrategicamente a angústia de um Governante. Assim como compreendo de um Governador e de um Prefeito.
E especificamente em Santa Catarina, quando o Governador Luiz Henrique foi compor o seu Colegiado, ele ofertou, no bom sentido da palavra, cargos para todos os Partidos. E é por isso que o Governador, desde o PCdoB, o PL, o PDT, o PPS, o PSB e setores inclusive do PFL, chegou a oferecer, a sugerir para que o PT assumisse também o Governo.
O Partido dos Trabalhadores tomou a decisão, em Rio do Sul, ainda em dezembro, e depois reiterou em Chapecó, de que nós não iríamos participar do Governo. O PT agradecia o convite, mas não iria participar do Governo.
Neste momento de transação, de discussão de âmbito nacional, em Santa Catarina, especificamente, não quero discutir internamente se o melhor representante do PMDB é a, b ou c, se o melhor nome para compor tal diretoria em determinada área deve ser fulano ou sicrano. Entendo que não é este o debate.
Mas uma coisa digo: é preciso entendermos uma posição de ambigüidade do Governo Estadual. Porque ao mesmo tempo que o Governador Luiz Henrique da Silveira estimula a entrada do PMDB no Governo Lula, por outro lado, estimula o fortalecimento, a construção do PSDB, que todos nós sabemos, é um Partido que tem posições nacionalmente distintas. E talvez os dois principais Partidos que se antagonizam hoje no Brasil é o PT e o PSDB.
E o Governador Luiz Henrique da Silveira precisa, na sua estratégia política, na sua concepção política, resolver esta ambigüidade. Porque não dá para numa semana sugerir, fortalecer uma estratégia e na semana seguinte trabalhar por uma outra estratégia, que na frente elas vão se colidir. É necessário fazer escolhas estratégicas, opções históricas e não arranjos conjunturais e eventuais.
Por isso, Sr. Presidente, o debate com relação ao ingresso do PMDB é um debate nacional, não é um debate em Santa Catarina, não é um debate sobre pessoas, não é uma fulanização de cargos, é uma discussão de estratégia política dos Governos e dos Partidos.
Eu quero aqui restabelecer o tom do debate, para não ficarmos amanhã ou depois falando, individualmente, de uma ou de outra pessoa, de um ou de outro representante de um Partido. Mas que se faça um debate pautado pela lógica das articulações políticas.
Então, quero deixar registrado, no dia de hoje, que o debate com relação ao colunista Cláudio Prisco Paraíso, além de trazer o debate da relação entre Estado, imprensa e sociedade, também trouxe o debate das estratégias dos Partidos e dos Governos Estadual e Federal.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)