6ª Sessão - 26/01/2006
O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Sr. presidente e srs. deputados, há pouco o deputado José Carlos Vieira fazia uma explanação e até mesmo uma demonstração do levantamento estatístico que ele fez sobre a questão dos acidentes nas rodovias de Santa Catarina e das mortes em decorrência desses acidentes.
Assim sendo, quero aproveitar o espaço que me foi concedido, sr. presidente, apenas para tecer alguns comentários complementares àquilo que conversávamos naquele momento em que o deputado José Carlos Vieira utilizava esta tribuna.
Se não estou enganado, foi no ano passado ou no ano retrasado que eu dei entrada nesta Casa a um projeto de lei que tratava da reordenação dos veículos que prestam auxílio a acidentados nas rodovias de Santa Catarina, esses caminhões chamados caminhões-reboque. E nós entramos com um projeto de lei justamente para ordenar, organizar isso e tentar, de alguma forma, acabar com essa verdadeira máfia que existe à beira das rodovias de Santa Catarina. Uma verdadeira máfia, pessoas sem o menor escrúpulo trabalhando nesse segmento profissional.
E eu, como deputado e como cidadão, tenho uma série de razões, até pessoais, para estar revoltado com essa situação. Até porque tenho uma afilhada, hoje com 12 anos, que poderia estar de maneira saudável correndo e brincando por aí, mas está numa cadeira de rodas sem poder fazer qualquer atividade. O motivo dessa situação em que ela se encontra é justamente porque, quando viajava com seus familiares, o carro derrapou numa poça de óleo, na subida da serra que vai a Curitiba.
Recentemente, um funcionário do meu gabinete estava voltando de Curitiba com a sua esposa e acabou derrapando o seu carro, também, numa poça de óleo. O carro capotou, mas graças a Deus nenhum dos dois se feriu, e imediatamente, em todos os casos em que eu estou citando, o caminhão socorro chegou, esse caminhão-reboque, chegou em questão de dois a três minutos. E neste último caso, ele queria ver como é que tinha acontecido o acidente, mas até os próprios policiais rodoviários federais lá da serra não permitiram que ele fosse até o local, que ficava mais ou menos a uns 100, 150 metros. Eles disseram: "Não, deixa para lá, é melhor você deixar assim. Você quer ver para quê?" E ele respondeu: "Eu quero ver por que é que o meu carro escorregou." Responderam: "Não esquenta a cabeça, fica tranqüilo."
Nesse meio tempo, o cidadão do reboque já tinha pegado o telefone celular da esposa desse meu funcionário para falar com a seguradora, discutir preço, uma porção de coisas e não estava nem aí, provando exatamente aquilo que eu venho falando há muito tempo. É uma verdadeira máfia instalada neste país. Não é só em Santa Catarina, eles estão em todas as rodovias, e ninguém faz absolutamente nada.
Essa situação repercutiu um pouquinho mais quando o apresentador Ratinho se acidentou e naquele acidente acabou falecendo o motorista dele. Ele, então, pegou a sua equipe de reportagem para ficar alguns dias nas rodovias. Eles conseguiram fazer, inclusive, uma matéria extremamente contundente, mostrando até depoimento de pessoas que jogavam o óleo a mando desses elementos, em troca de R$ 15,00, de RS 20,00. Jogavam óleo!
Muitas táticas existem. Alguns põem um galão de óleo no caminhão e vão andando, dão uma freadinha para o galão de óleo virar e continuam andando, para que aquele óleo fique derramando. Não existe escrúpulo nenhum, não existe preocupação nenhuma em relação à vida humana. O intuito é apenas e tão-somente o faturamento, ganhar. Está fraco o movimento, não demora muito eles fazem isso.
Na serra que vai a Curitiba, que eu conheço muito bem, existe até a chamada curva do azeite! E lá não é nem uma e nem são duas vezes que aconteceram acidentes, são dezenas de acidentes que aconteceram. Muitas das pessoas que se acidentaram estão hoje numa cadeira de rodas, ficaram aleijadas para o resto da vida e ninguém, exatamente ninguém, toma uma providência, faz alguma coisa.
Por isso, eu queria deixar aqui registrado este meu protesto e quero somar-me ao deputado José Carlos Vieira, para que quando voltarem as sessões ordinárias nós possamos tomar alguma iniciativa. Quem sabe tirando do arquivo esse projeto de minha autoria, a fim de trazer à tona novamente esse assunto, procurando trazer para a Assembléia Legislativa, através de audiência pública, as autoridades pertinentes, possamos fazer alguma coisa nesse sentido. Pelo menos no trecho de Santa Catarina, já que não podemos fazer em nível de Brasil, a fim de coibirmos esse tipo de prática que tem sido tão danosa à vida humana.
Ainda em relação às rodovias de Santa Catarina, recentemente, saí de férias e viajei de moto, com a minha esposa, até o Ushuaia, no extremo sul do continente sul-americano, para lá da Patagônia, na chamada Terra do Fogo. Rodamos, somando ida e volta, cerca de dez mil quilômetros em cima de uma moto. O único trecho em que eu realmente corri risco de morte foi exatamente depois que saí da Free Way para cá, quando estava vindo, e entrei nessa nossa famigerada BR-101. Aí é que eu vi, como diz o caboclo brasileiro, a viola em caco. Foi desse trecho para cá que pelo menos umas duas ou três vezes eu vi a morte de perto.
Além disso, uma coisa chamou-me a atenção, deputado Manoel Mota, que briga tanto pela duplicação da BR-101. Em inúmeros trechos há uma placa com os seguintes dizeres: "Duplicação, essa é uma obra do governo federal". Só que não há nada, só mato! Só a placa está lá. Em inúmeros trechos a gente lê: "Obra do governo federal". Aí a pessoa está andando e tem que olhar para cima para ver se há alguma coisa, porque nos lados só se está vendo mato. Há alguns trechos em que estão remexendo a terra, mas muito timidamente, fazendo um trabalho muito devagar. Do jeito que vai esse trabalho de duplicação da BR-101 aqui, ninguém pode esperar essa duplicação para antes de 2010, 2012, 2015, sabe Deus lá para quando!
Então, a verdade é que temos que nos preparar para enfrentar ainda muitas e muitas situações, muitas e muitas notícias tristes de mortes nessas nossas rodovias.
Quero, ainda, referir-me à BR-280, que liga o município de São Francisco do Sul a Jaraguá do Sul, a Joinville, uma das principais vias de escoamento de mercadorias e também onde nós temos um trânsito imenso de caminhões que vão até o porto de São Francisco levar as suas cargas. É uma rodovia que também precisa de uma atenção toda especial.
E este apelo eu faço ao meu particular amigo Dentinho, que está aqui prestando atenção naquilo que estou falando. Faço este apelo a v.exa., Dentinho, porque sei da amizade que tem com o relator do Orçamento, que é o deputado Carlito Merss, também meu bom amigo. Um apelo para que o deputado Carlito Merss se sensibilize e coloque, de maneira bastante objetiva, alguma coisa no Orçamento federal, para que nós possamos ver agilizada a duplicação desse trecho da BR-280.
Era isto o que eu queria dizer, sr. presidente!
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)