Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Sargento Amauri Soares

77ª Sessão Ordinária - 10/09/2013

O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Sr. presidente, srs. deputados, sras. deputadas, pessoas que nos acompanham nesta sessão ou pela TVAL.

Quero falar, srs. deputados, na tarde de hoje, acerca de um assunto que tem-me angustiado no mínimo há alguns meses e sobre o qual tenho guardado um silêncio que, inclusive, tem feito mal à minha saúde. Trata-se da relação com o PDT.

No dia 11 de abril deste ano, recebi aqui, ao lado deste plenário, uma citação do diretório estadual do PDT, mais precisamente de um conselho de ética que o PDT instaurou para apurar, para averiguar, para investigar ou para se posicionar a respeito da atuação deste parlamentar como militante do partido. Comissão de ética que, a nosso ver e segundo a leitura do estatuto do PDT, é ilegítima, porque o estatuto diz que a comissão de ética precisa ser eleita em convenção do partido, para que, quando resolver avaliar um caso específico, ela tenha legitimidade para fazê-lo, uma vez que seus integrantes foram eleitos para aquela tarefa. E não um conselho de ética existente no partido de forma permanente para avaliar qualquer conduta irregular dos militantes.

Aliás, dentro do PDT, uma comissão ou conselho de ética permanente com certeza teria bastante trabalho, haja vista, inclusive, as últimas notícias em rede nacional, que dão conta de que no próprio ministério do Trabalho a Polícia Federal estaria fazendo incursões que têm provocado bastante dificuldade em termos de acondicionamento em viaturas.

Então, não é um conselho de ética permanente que deve avaliar toda e qualquer situação, é uma comissão de ética montada para averiguar a atitude de um deputado num momento específico.

Outro fato curioso, a reunião do diretório estadual do PDT que decidiu criar essa comissão de ética tinha outros pontos de pauta, especialmente mais um, que era a participação do PDT de Santa Catarina no governo de Raimundo Colombo. Será que há alguma coincidência entre o PDT precisar livrar-se do seu único deputado estadual no estado para ter condições de debater com o governador Raimundo Colombo uma participação no seu governo? Quiçá ganhar uma secretaria?

Repito, inclusive para que a Justiça Eleitoral ouça: a reunião do PDT que decidiu criar a comissão de ética para avaliar a conduta deste parlamentar é a mesma que decidiu que o PDT tem vontade de participar do governo de Raimundo Colombo. Assim, por este deputado ter uma posição intransigente, sim, em defesa dos interesses classe trabalhadora do estado de Santa Catarina, por este parlamentar ser um militante das causas populares há décadas, de repente não possa ficar no partido, uma vez que ele quer ganhar uma vaga, alguma boquinha no governo de Raimundo Colombo. Não é a toa que discutiram na mesma reunião as duas coisas.

Os termos da representação feita por alguns militantes do PDT ao diretório estadual são ofensivos à dignidade, à honra e à integridade deste militante. Alegar que este deputado só pensa em si, só pode ser entendido como verdadeiro por alguém absolutamente alheio à política e à sociedade catarinense. Temos feito muito, dedicado muito da nossa vida justamente às causas coletivas e mais amplas da base da sociedade; temos batalhado diuturnamente no âmbito das questões ambientais e de mobilidade urbana. E isso qualquer um dos 39 deputados que comigo compõem esta Casa pode confirmar, mesmo não concordando com os meus pontos de vista.

Quando falo do PDT, quero referir-me especialmente à sua direção estadual, porque há muitos companheiros que me expressam sua solidariedade e atestam a minha grande dedicação aos princípios brizolistas, aos princípios socialistas, aos princípios trabalhistas. Muitos deles já foram chutados do PDT, mas muitos ainda estão lá dentro, infelizmente numa situação parecida com a qual me encontro.

Quando falo do PDT, refiro-me àquele partido que participou do governo de Luiz Henrique numa secretaria de estado e que menos de um mês depois de deixá-lo já estava casado, integrado, apaixonado pela candidatura de Angela Amin ao governo do estado, indicando o vice-governador da chapa.

Refiro-me àquele PDT que foi de Luiz Henrique a Angela Amin e voltou para Dário Berger e os seus e que agora quer participar do governo Raimundo Colombo. E como este deputado não vai mudar a sua conduta - evidentemente eles já têm muitas provas disto desde 2007, desde o primeiro dia de mandato nesta Assembleia Legislativa -, é preciso que eles busquem livrar-se dele, já que atrapalha as suas negociatas, os seus acordos espúrios, a sua tentativa de viver nessa conduta lastimável de acender uma vela para cada santo, dependendo da conjuntura, para garantir espaço em todos os governos possíveis, nos quais possam nomear os seus.

Com essa conduta este militante, mesmo antes de ser parlamentar pelo PDT, não concorda, nunca coadunou e jamais concordará! Não adianta mandar recado, como o fez certo dirigente do PDT, há dois anos, pelos jornais lá do sul do estado, para que este deputado saia do partido.

Nós queremos discutir abertamente. Nós queremos que as verdades sejam ditas de público. Não me envergonho, pelo contrário, orgulho-me de cada conduta e de cada posição. Nas que errei, fiz autocrítica desta tribuna. Eu disse que votei, não disse que fiz campanha, eu disse que votei no PSOL na eleição de 2012. Peguem dentro do PDT esses mesmos tais dirigentes, qual foi o que já não se vendeu para os partidos do poder, para as candidaturas cheias de dinheiro daqui e de acolá!

Eu opto, eu saio e digo que votei e que estou aliado com a esquerda. Eu digo que a minha posição é e sempre será pela esquerda. Por que não me chamaram para me perguntar se eu concordava em estar acasalado com Dário Berger na capital e com Djalma Berger em São José, que é a cidade onde moro? Não me chamaram e não me perguntaram. Aliás, não me chamaram e não me perguntaram porque já sabiam a minha resposta! E aí me deixaram isolado no debate, na política...

(Discurso interrompido por término do horário regimental.)

(SEM REVISÃO DO ORADOR)