101ª Sessão Ordinária - 06/11/2014
O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Sr. presidente, srs. deputados, pessoas que nos acompanham nesta manhã de quinta-feira e também pela TVAL e pela Rádio Alesc Digital, esse vídeo que o deputado Kennedy Nunes nos apresentou mostra exatamente aquilo que às vezes tentamos falar da paixão que o brasileiro tem pelo futebol. Uma coisa espetacular, fora de explicação racional, como a diferença de narração entre o gol do JEC e o gol do Sampaio Correia.
Na noite de ontem, também pela TV, tivemos Cruzeiro e Santos, que classificou o Cruzeiro para a final da Copa do Brasil. E foi transmitido pelo menos aqui no estado de Santa Catarina Flamengo e Atlético Mineiro. É o galo mineiro que vai enfrentar a raposa. O galo, forte, vingador, vai enfrentar a raposa na semana que vem, na final da Copa do Brasil.
Sou vascaíno e avaiano, ou avaiano e vascaíno, sou obrigado a admirar o bom futebol, o futebol espetacular, forte, decidido, do galo que se classificou, assim como o JEC, de Joinville.
Falava, ontem, ainda, aqui na Assembleia, sobre a determinação da equipe, do conjunto do clube, que por certo vem da diretoria, da equipe técnica, da torcida e toma conta dos jogadores.
Quero, srs. deputados, fazer o registro de um fato lamentável, que foi a morte, o assassinato do soldado Sirlano Pires, na noite de ontem, na cidade de Joinville.
É dramático trazermos esse assunto, mas, mais uma vez, não tem como não fazer, pois se trata de um companheiro policial militar, um jovem policial militar, com apenas nove anos na corporação e no máximo com 35 anos de idade, com cinco filhos menores, sendo quatro do primeiro casamento.
O Sirlano Pires, policial militar de folga, estava na proximidade de uma pequena loja, no bairro Javiratuba. Estava na loja da família de um cunhado dele. O carro do cunhado estava sendo arrombado, e ele como policial foi tomar a providência necessária e, desprevenido, acabou levando quatro tiros do indivíduo que estava roubando o carro do seu cunhado.
Desejamos, se é que é possível numa situação que tem cinco filhos menores, que a família possa encontrar paz de espírito e força para continuar. Que os companheiros policiais militares de Joinville, estando mais próximos da relação de companheirismo e amizade, possam também acompanhar esse processo, que os órgãos de apoio e assistência ligados à Polícia Militar possam fazer isso com relação aos filhos, não só agora, neste momento trágico, mas também, na medida do possível, criar um mecanismo para acompanhar o desenvolvimento dessas crianças, que é na verdade o que fica do policial militar Sirlano Pires, desse companheiro.
Estou há oito anos afastado da minha farda de combate, mas nessas circunstâncias ainda recordo, e sempre é assim, que o policial morre porque a morte o espreita numa esquina que ele não espera. O policial morre porque naquele momento preciso ele não está prevenido para a circunstância que ia encontrar, pensando que seria tranquilo ou não imaginando que o outro estivesse armado, ou mesmo, na surpresa, no susto, acaba agindo até não sei se com instinto ou com o preparo técnico para reagir de uma determinada forma, numa circunstância específica.
O policial era do PPT, agora da Companhia de Patrulhamento Tático, equipe dos policiais mais preparados ou melhor preparados para essas circunstâncias, mas que agiu conforme a sua preparação, ou seja, viu a circunstância e agiu. E a morte estava ali, no outro lado do carro. Evidentemente, se tivesse refletido, poderia ter agido de forma diferente.
Então, a nossa homenagem a esse guerreiro. E vou pedir mais uma vez que todos os companheiros de Joinville possam consolar a família, assim como v.exa., deputado Kennedy Nunes, que também o conhecia pessoalmente.
Quando ele entrou na Polícia eu estava assumindo um mandato aqui, em 2006. Mas a gente conhece uma pessoa porque faz uma saudação, está passando e vê o pessoal que está indo ou voltando de uma ocorrência, ou está saindo do trabalho e indo para casa, e tem a saudação. E quando vemos a pessoa, lembramos, criando assim uma identidade com ela.
Não tem como não nos emocionarmos, deputado Reno Caramori, quando vemos a fotografia de um companheiro que morreu ou lemos a notícia que um companheiro morreu, um amigo, uma pessoa conhecida.Então, faço aqui uma espécie de homenagem, com o nosso lamento. E peço aos companheiros policiais militares, bombeiros, e por que não a todos os servidores da Segurança Pública em geral, aos trabalhadores em segurança no seu conjunto, independentemente de instituição e de ser servidor público ou não, força para prosseguir diante de uma circunstância que está cada vez mais difícil, peço tranquilidade e treinamento para agir sempre com a técnica necessária e com as medidas de precaução necessárias em todas as circunstâncias, embora saibamos que não dá para prevenir e prever todas essas circunstâncias.
Homenageio esse companheiro Sirlano Pires e peço que a instituição Polícia Militar e as instituições de assistências ligadas a ela possam acompanhar, na medida do possível, o desenvolvimento, o crescimento dos seus cinco filhos, porque disso com certeza ou isso com certeza é o que o Sirlano Pires nos deixou de maior valor, além do seu exemplo de policial militar que agiu como tal e que não pestanejou na hora da necessidade.Agiu tanto como policial que nem se preveniu o suficiente numa situação em que requeria que tivesse uma prevenção maior.
Era esse o nosso pedido, e agradecendo a atenção, vejo que o meu tempo se esgota, deixo aqui, portanto, uma homenagem ao Sirlano Pires e a todos os companheiros tombados num bom combate, nos últimos anos ou em toda a história da Polícia Militar e da Segurança Pública do estado de Santa Catarina, o que vale também para a Polícia Civil, para o sistema prisional e para todos os demais trabalhadores e trabalhadoras na segurança pública do nosso estado.
Muito obrigado, sr. presidente!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)