Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Nilson Gonçalves

83ª Sessão Ordinária - 17/07/2012

O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Sr. presidente, srs. deputados, debrucei-me sobre um tema que certamente vem preocupando muitos dos srs. deputados e também as pessoas de uma maneira geral, especialmente aqueles que têm comércio, empresa e aqueles que creditam que o nosso país pode melhorar ainda mais.

Escutamos muito falar da crise na Europa. Escutamos muito, vemos muito e acompanhamos muito as iniciativas do governo para tentar minimizar esse problema que afeta praticamente todas as economias, principalmente dos países emergentes e aqueles já considerados desenvolvidos.

Estamos vivendo no Brasil uma situação muito interessante. Tínhamos o presidente Lula, um ex-sindicalista e nos seus dois governos pouco ou muito pouco vimos, ouvimos e vimos também greves oriundas de sindicatos, de categorias organizadas. Muito pouco se viu falar em greve nos governos de Lula, talvez pelo estreito laço que mantinha com os sindicatos e também pelas polpudas somas que eram encaminhadas àqueles sindicatos enquanto ele era presidente.

Mas no governo da Dilma Rousseff, em que pese ser do mesmo partido, em que pese ser da mesma ideologia, estamos assistindo a uma ação ideológica bastante grande em nível internacional. A sua posição ideológica está muito clara diante dessas iniciativas que o governo brasileiro tem tomado, principalmente na América do Sul. Então, estamos assistindo ao desenvolvimento ideológico e ao aprofundamento ideológico do governo brasileiro.

Na questão econômica a ideia é continuar com um procedimento quase capitalista diríamos assim. No outro campo a ideologia é outra, mas na economia ela é quase capitalista.

Tenho a impressão de que muitos sindicatos, muitos segmentos que também têm ideologias parecidas com a do governo, ou até mais profunda do que a do governo, ou até mais radical do que a do governo, estão querendo mostrar a sua faceta, estão querendo mostrar a que vieram. E tenho a impressão de que isso deve estar preocupando a própria presidente Dilma.

Tenho acompanhado o desencadeamento de uma série de greves no país. Neste momento temos uma greve dos operários da ferrovia Transnordestina, no Piauí; continua a greve dos professores das universidades institucionais de institutos federais; foi desencadeada uma greve de 24h na GM em São Paulo; temos uma greve de professores na Bahia, que já se estende por 93 dias, inclusive com a ocupação da Assembléia Legislativa; temos greve na Eletrobras, na Funai, no Incra. Temos uma operação padrão, que é uma semigreve, dos auditores da Receita Federal. Temos uma greve prestabelecida para começar no dia 25 de julho dos caminhoneiros, e temos uma greve para 20 de julho dos petroleiros.

Durante todos os oitos anos do governo Lula não me lembro de ter visto greve de proporção ou o desencadeamento de greves no país. E isso me passa uma forte impressão, e posso até estar errado, de que tem um fundo ideológico. O sentimento que a gente que está do lado de fora tem é que a turma, o pessoal todo que faz parte deste governo, uma parte dele, não está gostando da forma como está sendo conduzido o governo principalmente em nível econômico, na área econômica.

Não seria possível entender de outra forma, porque estamos vivendo uma crise, estamos vivendo um momento extremamente difícil no mundo desenvolvido e no mundo em desenvolvimento por conta das crises desencadeadas, primeiro, nos Estados Unidos em 2008 e, depois, na Europa, agora recentemente. E isso vem se refletindo em todos os mercados, porque o mundo hoje é globalizado, a economia é globalizada.

Com todas as iniciativas que este governo está fazendo, fabricando dinheiro a dar com o pé e jogando esse dinheiro no BNDS, para que ele possa financiar, incentivar a economia em nível de Brasil, mesmo isso de diminuir os juros, que era o que mais se falava neste país, não está dando os resultados que se esperava.

Por conta disso ainda existem muitos ditos contra o governo, que eu diria impróprios, totalmente impróprios. Se fôssemos falar em sensatez, não é agora a hora para desencadear greves; se fôssemos falar em patriotismo, não poderíamos pensar num momento como esse em termos de greve. O país está tentando se equilibrar, está apertando daqui, incentivando de lá, abrindo mão de impostos e tudo mais para manter o país em ordem. E aí, setores muito vinculados inclusive ao próprio governo desencadeiam greve contra o governo. Isso é no mínimo insensatez ou problemas mais profundos um pouco, que dizem respeito também à ideologia. Não é possível! De outra forma não se entende. Não tem como entender.

A greve da Transnordestina, que é uma ferrovia, um investimento no trecho piauiense de R$ 1,5 bilhão do PAC, que é do governo, ou seja, o governo está até o pescoço envolvido neste investimento, e a greve estourou lá.

Temos a questão dos docentes das federais. Na proposta apresentada pelo governo, entre outros assuntos, está a redução dos níveis de carreira de 17 para 13, como forma de incentivar inclusive o avanço rápido e a busca por títulos, e o reajuste de 16% a 45%. Mas não aceitaram. Não gostaram.

Olharam para a mãe e não gostaram! Quer dizer, a mãe está tentando dar um incentivo para as crianças, para os filhos, e eles não querem. Estão de mal! E não só eles! Alguma coisa tem atrás disso, que não é só a questão financeira. Alguma coisa tem! Muito provavelmente tem algum desagrado ideológico no meio. Alguma coisa que não está funcionando como deveria ser, porque no tempo do Lula não tinham essas coisas.

O PAC resolvia tudo numa boa, sentava-se, resolvia tudo, abria o cofre, acertava com todo mundo lá, porque eu estou para ver gente ganhar tanto dinheiro...

(Discurso interrompido por término do horário regimental.)

O SR. PRESIDENTE (Deputado Antônio Aguiar) - V.Exa. tem mais 30 segundos para concluir o seu pronunciamento.

O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Senhor presidente, é um momento muito sério, se formos olhar o número de greves que já estão em andamento neste país, numa hora dessas, numa hora em que todos deveriam ter sensatez antes de mais nada.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)