88ª Sessão Ordinária - 06/10/2009
A SRA. DEPUTADA PROFESSORA ODETE DE JESUS - Sr. presidente, sras. deputadas, srs. deputados, integrantes da Mesa, sras. taquígrafas, imprensa falada, escrita e televisada, nesta semana presenciamos uma grande tragédia na área da educação, em nível nacional, com danos irreparáveis. Aproximadamente R$ 116 milhões foram colocados na lata do lixo. O desrespeito atingiu as famílias brasileiras, as famílias catarinenses, que há muito tempo vêm cuidando da educação dos seus filhos, que se estão preparando para prestar o vestibular. Alguns alunos que estavam, inclusive, no exterior deslocaram-se para o Brasil para realizar as provas, o que é um direito deles, mas foram impedidos por causa desse fato.
O que nós podemos pensar? O que fazer com essas pessoas que não têm respeito com as famílias? O Diário Catarinense de sábado traz todo o roteiro de elaboração das provas, o caminho que elas seguem. Nós temos aqui todo o procedimento das provas elaboradas, com o máximo de sigilo, em que poucas pessoas têm acesso, pessoas essas que trabalham com cautela, com cuidado, para poder inserir naquelas provas todo o conteúdo programático que o aluno recebeu na escola nas fases correspondentes. Então, é um trabalho minucioso.
Eu fui professora da minha filha e tinha o máximo de cuidado ao elaborar as provas. A minha filha sempre foi muito curiosa, pois o adolescente é curioso. Eu era uma professora muito exigente na minha disciplina. Ela foi minha aluna de 5ª a 8ª série. E eu, deputado Kennedy Nunes, nunca preparava as provas na minha casa. Eu preparava as provas na escola porque tínhamos as hora/atividades para prepará-las e seria muito injusto de minha parte, sendo professora, deixar que a minha filha ficasse observando as questões e depois se destacasse dentre os colegas, deputado Antônio Aguiar. Seria uma injustiça!
Mas agora volto para o tema que me deixou revoltada, ou seja, para esse problema que ocorreu com as provas do Enem. Os pais gastaram para pagar os estudos dos seus filhos e quando chega o grande dia para fazer a prova do Enem, ela é anulada. Foi anulada por causa da malandragem de algumas pessoas que já nascem com aquele instinto maldoso, que não respeitam pais, não respeitam leis, não respeitam colegas, não respeitam ninguém! São pessoas que pensam somente em si próprias, com o objetivo de beneficiar a si próprias, não pensando no dano que causam ao próximo. Mas esses malandros tiveram seus nomes publicados na Folha de S. Paulo.
O ministro da Educação, Fernando Haddad, srs. deputados, ficou até sem saber o que fazer durante a entrevista que concedeu sobre as medidas a serem tomadas para as novas provas do Enem. É uma coisa tão chocante que não sabemos o que dizer. É uma coisa muito pequena, muito mesquinha, muito trágica, pois isso mexe com os nossos filhos e mexe com a gente. E quando mexe com a família, desestrutura tudo. E agora esses jovens que já estavam preparados para fazer o seu vestibular terão que se preparar novamente. Não sabemos nem a data da realização do novo Enem.
Mas quero dizer a v.exas. que existem alguns suspeitos, e são pessoas que usaram sua inteligência para o lado da maldade.
Nós, líderes de bancadas, deveríamos elaborar e enviar uma moção de solidariedade - é apenas uma sugestão, deputado Professor Grando - ao ministro da Educação, afinal de contas passaram uma rasteira nele, nas famílias e até nos jovens de Santa Catarina que estavam preparados para realizar suas provas.
Então, não podemos deixar, deputado Pedro Uczai, v.exa. que também é professor universitário, de elaborar essa moção de solidariedade ao ministro porque, como já disse, quiseram passar uma rasteira nele, para engavetar o trabalho brilhante que tem realizado.
O Sr. Deputado Pedro Uczai - V.Exa. me concede um aparte?
A SRA. DEPUTADA PROFESSORA ODETE DE JESUS - Pois não, deputado, e com certeza v.exa. irá enriquecer o meu pronunciamento.
O SR. DEPUTADO PEDRO UCZAI - Deputada Professora Odete de Jesus, quero manifestar-me também na mesma direção de v.exa. e parabenizar o próprio ministério por ter tomado, depois do fato ocorrido, medidas urgentes, por haver cancelado o contrato do consórcio, buscando na Justiça o ressarcimento dos R$ 35 milhões que já foram pagos, e buscando na própria Universidade Federal de Brasília o instrumento legal, acadêmico e formal, apoiado pela própria Polícia Federal, para viabilizar o Enem.
Esperamos que isso seja resolvido o mais rapidamente possível, para que todos os estudantes deste país possam estudar a partir dessa versão mais democrática, mais qualificada do que o vestibular, que é o Enem.
Parabéns pelo seu pronunciamento, pois entendo também que o ministro merece a nossa solidariedade.
(Discurso interrompido por termino do horário regimental.)
(SEM REVISÃO DA ORADORA)